25/08/2013

Se o meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar

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Nascida de uma tradicional família capixaba, Maysa casou-se, aos 18 anos, com um membro da tradicional família paulistana, André Matarazzo.

Três anos depois (1957) separou-se. O desentendimento do casal foi a carreira da cantora, iniciada em 1956, com a gravação do primeiro disco.

Com o inesperado sucesso, Maysa começou a ser requisitada profissionalmente, o que desagradou Matarazzo, que a ela ofereceu aquela perigosa escolha: ou eu ou a carreira. Ela optou pela carreira.

> O sucesso

Após a separação, Maysa gravou o seu segundo disco, o que a consagrou, repentinamente, como uma das melhores cantoras do Brasil.

O terceiro disco foi a glória: a crítica o considerou “irretocável”. Nesse disco está um dos seus mais reluzentes sucessos: “Meu Mundo Caiu”.

Em apenas dois anos de uma ascendência meteórica (1956-1958), Maysa era a cantora mais bem paga do Brasil.

> Pelo mundo

Na década de 60, fez a sua primeira turnê internacional. A temporada no mais prestigiado clube noturno de Nova York, o Blue Angel Night Club, foi coroada com a gravação do antológico álbum “Maysa Sings Songs Before Dawn”. Maysa foi a primeira cantora brasileira a se apresentar no Japão.

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A glória do périplo foi a apresentação, em 1963, no Olympia de Paris, à época, a mais famosa casa de espetáculos da França.

> Atriz

Na década de 70, fez incursões como atriz: em 1971 estreou na telenovela global O Cafona, por cuja participação ganhou o prêmio de Coadjuvante de Ouro.

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> O recolhimento

Temperamental e depressiva, Maysa não conseguia cultivar relacionamentos duradouros. Em 1972, recolheu-se a sua casa de praia de Maricá, no litoral fluminense. Os seus esparsos shows no eixo Rio-São Paulo, eram sucesso certo.

Maysa foi dona de uma das mais belas vozes do mundo. O seu timbre melancólico e sustenido, a sua tez triste, os seus largos olhos verdes e uma hipnotizante presença de palco, eram a moldura das suas canções, que refletiam uma vida intensa mas cheia de lacunas.

As suas composições foram autobiografias que se tornaram emblemas do gênero fossa, em uma espécie de samba-canção-bolero com o requinte da bossa nova: Maysa criou um estilo musical.

> A morte

Abaixo, a interpretação de Chão de Estrelas (Sílvio Caldas e Orestes Barbosa), no seu último show no Canecão. A bebida e o fumo já davam sinais de cobrança: Maysa não mais conseguia os baixos, que eram suprimidos por sussurros, mas a dramaticidade, sua marca registrada, compensava qualquer outro talento que a imprevidência lhe furtara.  

Eu estava em São Paulo, em 1977, quando uma edição extraordinária da TV Globo anunciou a morte de Maysa, aos 41 anos, em um acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói.

A lacuna deixada por ela na MPB jamais foi preenchida. Com ela morreu o seu estilo: ninguém foi capaz de herda-lo.

Um comentário:

  1. Muito bom recordar Maysa, foi uma cantora da MPB, saudades. Sugiro ao Blog falar um pouco de Orlando Silva, Francisco Alves e o grande Nelsão seria muito bom recordá-lo.

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