17/07/2013

Conselho de Medicina da Espanha acha que o programa de atrair médicos ao Brasil é eleitoreiro

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Desistindo de trazer médicos de Cuba e do Paraguai, o ministro Alexandre Padilha resolveu fazer um upgrade no programa e mirou a Europa.

A primeira parada, em Madrid, capital da Espanha, não foi alvissareira: o Conselho Geral do Colégio de Médicos da Espanha apresentou reservas ao programa, opinando que a simples “importação de médicos” não será a “solução para os problemas da saúde no Brasil”.

O Conselho Espanhol sugeriu que o programa pode ser “uma meta mais direcionada às eleições do que para resolver a questão da saúde".

O ministro Padilha garantiu que o programa é uma meta de saúde pública em locais com deficiência de profissionais. O Conselho retrucou pedindo ao ministro que apresente, por escrito, “as condições de infraestrutura dos hospitais para onde os médicos serão levados, para verificar se os locais estão nos padrões mínimos necessários para a prestação dos serviços.”.

Como é que o Ministério vai “por no papel” que a maior parte dos locais que necessitam desses médicos sequer hospital tem e a ambulância é um Fiat Fiorino com nada mais que uma maca no ventre?

Segundo o Conselho Espanhol, até a última terça-feira, apenas 50 médicos procuraram informações sobre o projeto, mas como o desemprego na Espanha é um dos maiores do mundo, opina o Conselho que “profissionais desesperados” podem aceitar o sacrifício.

Como o plano do governo é atrair 7 mil médicos estrangeiros e eles não podem vir de Cochabamba, não está fácil preencher as vagas.

26 comentários:

  1. mas quem propôs a "simples importação de médicos", seria o caso de perguntar. Mesmo achando que o Programa pode não dar certo, é preciso ter cuidado com a irracionalidade com na reação ao Programa Mais Médicos. O Governo está propondo mais recursos para sáude, reforma ou criação de milhares de unidades básicas, ampliação das vagas de residência médica, aumento da bolsa de residência medica (que já ocorreu - 25%). Então, mesmo assim pode se ser contra, é óbvio. Mas dizer que o Governo está colocando a culpa nos médicos, e dizendo que só "mais médicos" vai resolver todo o problema, é "irracionalidade".

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    1. Creio que não há ninguém contra o programa. A discussão não se deve dar na base do contra ou a favor, pois isso seria um reducionismo desinteligente. As discussões são puramente de forma. O governo está correto ao elaborar um plano de mudança no perfil da formação médica e está tentando uma forma emergencial de suprir a presença médica no interior, mas precisa explicar com mais clareza como vai tratar essa emergência. Seria um médico em um consultório improvisado passando exames e receitas para um paciente que não tem onde fazer o exame e nem como aviar a receita? O governo, até para conseguir profissionais estrangeiros precisa detalhar isso.

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    2. Mas deputado parece que esta polemica é potoca, um pouco mais de 11 mil médicos já se inscreveram no programa e só mais ou menos 2.500 não são formados aqui.

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    3. Mas deputado parece que esta polemica é potoca. Em uma semana um pouco mais de 11.000 médicos se inscreveram no programa sendo que só mais ou menos 2.500 não são formados no Brasil

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    4. Isso não é real. Foi uma manobra do sindicato dos médicos para tumultuar o processo de inscrição. O Ministério da Saúde já requereu à PF a apuração do caso.
      Os estrangeiros que se inscreveram são todos da América do Sul, o que o governo não gostaria de contratar, mas vai ter que faze-lo pois não vai conseguir profissionais suficientes da Europa.

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  2. Pra aguentar o tranco do interlam,só os cubanos. o resto não fara diferença nenhuma em relação aos da mafia de branco local.

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  3. Primeiro, nem o ministro, nem a presidente falou que a vinda de médico é a solução para os problemas de saúde no Brasil. Repito, Ninguém disse isso.
    Segundo, nos locais onde não existem médicos, em geral não há estrutura adequada, mas, isso não pode ser justificativa para que a população não seja atendida, isso é direito humano. O Conselho de medicina com o seu protencionismos exagerado, conseguiu que só médicos podem prescrever medicamento, em geral para comprar medicamento é necessario receita, onde conseguir SE NÃO TEM MÉDICO, condenar as pessoas à morte?
    Aliás quando se fala em falta de estrutura na unidades de saúde, esquecem a "elite" apoiada pelos traficantes e bicheiros, derrubaram a CPMF, o que retirou 40 bilhões da saude.
    No marajó existe município que oferece salario superior a 20 mil por mês e mesmo assim, difilmente se encontra médico que queira ir trabalhar nessas cidade, isso senhor prasifal depois de terem sido formados em universidades públicas, isto é, o povo paga para formá-los, depois esses mesmo povo não tem direito de usurfluir do que pegou.
    Será que os atuais estudantes de medicina e os vestibulando, não sabem da situação do país. Que os antigos não soubessem, até admitimos, mas formar-se com dinheiro público e depois vira a costa para o povo, é no mínimo estelionato. Ou o que é mais provável, estão fazendo medicina para ficarem nas grandes cidades aumentando a contração de médicos nos grandes centros urbanos, onde terão mais condições de ganhar dinheiro?

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    1. Não está afirmado que o governo pretende resolver o problema da saúde com importação de médicos. A fala foi do presidente do Conselho de Médicos da Espanha, logo retrucada pelo ministro Padilha.
      Sou a favor do programa, mas não é possível prever efetividade nisso sem investimento imediato em uma estrutura mínima de atendimento, ou não fará diferença se enviar um médico, um enfermeiro ou um curandeiro.
      A discutir a interiorização do médico devemos discutir a interiorização da medicina. Estamos sentando a telha antes da cumeeira, por isso a desconfiança dos profissionais da Europa ocidental, onde a saúde pública é carreira de Estado.
      Não há procedência extensiva no argumento de que "se formaram com dinheiro público e depois virar a costa para o povo". Essa neurologia nos remeteria a um totalitarismo desnecessário, pois onde falta médico também faltam engenheiros, enfermeiros, advogados, contabilistas, administradores, psicólogos, psiquiatras et caterva e essa falta de atendimento profissional deixa os rincões desassistidos do Brasil sem condições de chegar ao século XX quando já estamos no XXI.
      O ensino é universal enquanto dever do estado, direito do cidadão e um garantia social. O governo precisa enfrentar a causa e elaborar uma força tarefa para interiorizar a medicina, pois ao fazer isso todos os profissionais de saúde estarão lá.
      Apenas para o seu conhecimento, a derrubada da CPMF foi orientada pelo Palácio do Planalto: a “elite” combinou isso com Planalto e o Planalto aceitou para "afrouxar" a ciranda financeira.
      Os R$ 40 bilhões que a CPMF poderia dar à saúde podem ser retirados dos R$ 180 bilhões que apenas o Governo Federal gasta com propagando por ano. Imagine se os governos de todo o Brasil, deixassem de fazer propaganda, pegassem esse dinheiro e investissem na saúde: seriam cerca de R$ 500 bilhões por ano. Aí eu lhe garanto que todo médico adoraria ir para o interior, pois ali haveria condições estruturais para efetivo trabalho em medicina e não somente assinar receitas.

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  4. Francisco Márcio17/07/2013 12:01

    Com os devidos cuidados (revalida, por exemplo) a medida pode dar bons resultados. Hoje temos dois problemas: falta estrutura e faltam médicos. resolvendo a falta de médicos, ficamos só com um problema. Falta de estrutura.
    Afinal, até para comprar um antibiótico, necessita-se de médicos. Onde encontrá-los?

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    1. Eu sou, com todas as reservas, favorável ao programa, pois como você observa, até para comprar Penicilina precisa de uma receita médica, mas não temos falta de médicos e sim uma má distribuição geográfica deles por causa do grande problema que o governo tem ignorado: interiorização da medicina.
      Mas para passar receitas não precisaríamos ir à Europa, onde não teremos muito sucesso, melhor apelas para Cuba e Cochabamba, onde essas 7 mil vagas vão dar briga.

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    2. Parsifal;

      Sou a favor da importação de médicos e vou além: acho que não deve se limitar à atenção básica, nem aos interiores; pois até nas capitais eles serão bem-vindos. Se a Dilma mandar um endocrinologista cubano ou espanhol para Belém pode ter certeza que eu vou marcar consulta com ele, pois estou de saco cheio com a esnobação, a falta de seriedade, a falta de compromisso, e a falta de respeito (com os clientes) dos endocrinologistas paraenses. Os médicos estão indo para as ruas mas eles não merecem o que estão querendo.

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    3. Parsifal;

      Ao médicos estão esperneando mas eles não têm razão. Apoio a presidenta Dilma quando vetou a pretensão deles em aprovar o famigerado Ato Médico condenando todas as demais profissões ao controle deles. Apoio a Dilma na importação de médicos inclusive para as capitais. Por que deixar as capitais de fora desta possibilidade de ter médicos não-alinhados com os esquemas de laboratórios farmacêuticos, como um certo endocrinologista de Belém que atende de cabeça baixa e só sabe receitar o mesmo remédio, que lhe rende uma milhagem de 50 reais a cada compra, a ser usufruída posteriormente em workshops em locais turísticos.

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    4. 23:58,

      Não há deficit de médicos nas capitais e sim deficiência gerencial da saúde pública.
      O programa visa somente os lugares que não têm médicos e os brasileiros não aceitem ir.
      Não se iluda que os estrangeiros seriam imunes à cooptação das industria farmacêutica.

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    5. Parsifal;

      De neurologista sim, de endocrinologista sim, embora em algumas especialidades o problema não seja tão acentuado.

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  5. Francisco Márcio17/07/2013 13:12

    Creio, que o problema passa pela relação médicos X habitantes, sim (Vossa Excelência "estando" de férias, pode respaldar ou não, através de pesquisa).
    Pois como há vagas sobrando, nas regiões metropolitanas, os profissionais (com todo direito)escolhem onde lhes é mais confortável execer seu mister. Nada mais simples do que a vetusta lei da oferta e procura. Se profissionais de outras nacionalidades embarcarem nessa canoa, é única e exclusivamente pelo motivo dos nossos mares, nesse momento, lhes proporcionarem mais conforto.

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    1. A nossa relação médico/habitante, segundo a OMS, é "confortável" e não está longe dos países de perfil similar.
      No geral temos 1 médico por 1.712 habitantes,o que está no patamar aceitável. Mas quando você detalha essa relação é que o rabo torce a porca: na Região Amazônica temos 1 médico por 8.400 habitantes, e dentro da própria região há disparidades. No Pará 1 para 5.907 e em Rondônia é uma calamidade: 1 para 51.997.
      Portanto o nosso problema é a má distribuição dos profissionais e não conseguiremos redistribui-los se não mudarmos o perfil geográfico do ensino médico, pois a tendência natural é que se acumulem os profissionais onde há a oferta de formação e nesse caso a lei da oferta e da procura não funciona pois onde mais há a procura é onde há a menor oferta.

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  6. Como leiga, acredito que a efetiva presença dos profissionais servirá também para denunciar estas carências, reportar dificuldades cotidianas e pressionar por mudanças.
    Por uma impossibilidade matemática, reconheço, contudo, que nem todos os municípios serão centros de referência em câncer, contarão com todo repertório de exames ou medicamentos.
    Mesmo admitindo esta impossibilidade, penso que muita medicina se faz como se fez, na maior parte de sua história, com orientação, acompanhamento, ouvidos e olhos, "clínica" e, claro, avaliação de oportunidade para encaminhamento a especialistas.

    Anna

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    1. Não é possível,e nem é necessário, erigir centros de excelência específicos em todo o interior do Brasil. Os centros de referência especializada devem ser macro regionais. O precisamos é interiorizar a atenção básica e isso, infelizmente, ainda é uma quimera no Brasil.

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  7. Acertaram na "mosca"!

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  8. Ricardo Costa17/07/2013 16:53

    Acredito que somente essa medida não seja a solução, pois, a gestão da Saúde Pública no Brasil é muito incompetente e corrupta, mas, no geral serviria para mudar o comportamento aristocrático e elitista da maioria dos Médicos brasileiros que poderiam devolver através do trabalho à população carente, o investimento feito na sua formação pelas Universidades Públicas desse País e pagos com nossos impostos!!!

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  9. Parsifal a tua resposta para o anonimo das 10,32 foi perfeito.Sou medico nascido no oeste do Para e so pude voltar a minha cidade natal Alenquer agora quando aposentado de professor de medicina e de medico do Ministerio da Saude Voltei e atendo de graça na minha residencia os que necessitam de uma consulta de cardiologia.Vejo os colegas que la trabalham ganhando do serviço publico miseros 2000,00 reais.Os prefeitos que prometem 20000,00 pagam apenas no primeiro mes e apos dao calote.O medico nao tem nem carteira assinada .Faça o governo federal ao menos um ambulatorio decente e carreira de estado como no judiciario,ministerio publico ou militar, bem como a interiorizaçao do ensino de saude,pois nao faltam so medicos mas tambem advogados enfermeiros dentistas psicologos e ate engenheiros.O programa atual da Dilma e do Padilha e so pra calar as vozes das ruas em ano de pre eleiçao.Podem estar dando um tiro no pe pois agora os medicos maçiçamente se uniram contra eles.

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    1. 17:32;

      Você deve ser um cara realizado dentro do contexto da fantasia dos médicos. Ganhou dinheiro a vida toda na capital, atendendo primeiro os que lhe remuneraram muito bem, e agora, décadas depois, financeiramente abastado, chegou a vez de voltar seus olhos para os pobres do interior, que se tornaram (com décadas de atraso) merecedores da sua benevolência, quando dá certo.

      É justamente contra este ponto-de-vista "arquetípico" arcaico - dos pobres que devem ser pacientes e serem atendidos sem exigir nada do doutor rico, ou quando não, agradecer a piedade deste com galinhas, patos, ou votos para o eleger vereador ou prefeito, que o programa de importação de médicos deve lutar.

      Chega também destas caravanas de médicos bancada pelo governo do estado do Pará em ano de eleição, com o flagrante objetivo de receber o compromisso do voto em troca de uma consulta, de um óculos, de uma cirurgia. Tudo isso clama por importar profissionais de fora do país, pessoas humildes que queiram militar de verdade nos interiores, em troca do salário de 10 mil por mês. E só!

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  10. As manifestações das ruas, caso ainda não tenham entendido, exige apenas dignidade, respeito e cidadania ao povo brasileiro e, para isso, é necessário planejamento a longo prazo e não planos midiáticos, elaborados por marqueteiros, e não por técnicos apenas para garantir a manutenção do poder a qualquer custo, pois somente após 12 anos de governo e, por coincidência, 1 mês após as marchas por cidadania, surge um plano redentor da saúde pública no país; sendo que ao assistir às chamadas do programa na televisão, confesso quase me deixar seduzir, diante das imagens de corredores amplos, bem iluminados, limpos e equipados apresentados e, pergunto se ao chegar no local e o médico não encontrar as mesmas condições de trabalho apresentadas, pode recorrer ao Procon?

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  11. Nobre Deputado,
    Desconfio que o programa esta sendo boicotado pelos espanhóis que após informações secretas recebidas da CIA e FBI produto do “grampo” do satélite de informações utilizado pelo Brasil. O capitalismo selvagem americano visa, principalmente, interromper a implantação do novo socialismo do século 21 (bolivariano) na América latina que tem dado certo na Argentina, Equador e Venezuela onde aliás falta papel higiênico mas não médicos.

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  12. Anonimo das 019 como eu disse e nao entendestes estou aposentado e nao defendo que madico trabalhe de graça ou sem condiçoes dignas para exercer sua profissao.Disse mais que o programa do governo federal e eleitoreiro e que para os profissionais de saude deve haver carreira de estado..

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  13. Aqui em Novo Repartimento nem papel pra receituário tem. Faz-se num papel de borrão sem timbre assinado por técnico de enfermagem. Tipo aqueles de padaria de antigamente.

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