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Meia-Noite em Paris

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Fui ver “Meia-noite em Paris”: não se deve deixar de ver algo que Woody Allen assine.

Li que o filme seria uma declaração de amor de Allen a Paris. Isto pode ser um clichê, mas, ao contrário do que cantou Caetano, a capital da França jamais seria algo assim como Nova York: esta é apenas imponente e aquela, além de carismática, tem um charme especial.

Paris não se roga a cenários: qualquer rua da cidade serve para locação de filmes atuais, dos anos 20 do século passado, e assim retrospectivamente.

É isto que Woody Allen faz com Gil Pender, no papel de Owen Wilson (desculpem, é o contrário): empresta a aura da cidade para desfilar a sua mais nova crônica de realismo fantástico.

O filme começa e termina com um solo de Sidney Bechet, “Si tu vois ma mère”, que é um colosso: Bechet, nos anos 20, fez o solo sabendo que Allen o pautaria em 2010.

Furtaram a cena (não se pode dizer que roubaram porque roubo é quando se comete o fato com espetaculosidade), com uma terna delicadeza, Marion Cotillard, em movimento mais longo, e rapidamente, mas, não menos cativante, Léa Seydoux. E a Carla Bruni não fez feio em uma ponta.

Se você quiser ver como Woody Allen introduz no filme gente como Ernest Heminghay, Zelda e Scott Ftizgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Cole Porter, Henri Matisse, Luis Buñel, Salvador Dalí, Degas e Toulouse Lautrec, por favor, vá ao cinema.

Enquanto isto, fique com Bechet soletrando “Si tu vois ma mère”:

 

Comentários

  1. Ainda não vi o filme, mas dá vontade de ver do jeito que voce fala. A música é linda.

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  2. Não se pode perder um filme do Woody Allen. Genial. Agora eu esperava bem mais de "meia-noite em Paris." Ele já fez melhores.

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  3. Woody Allen é um chato que a mídia americana tornou grande. Não suporto mais de 10 minutos dos filmes dele. E também não vou na corda dos críticos internacionais, que devem levar uns bons trocados do chato, para sair por ai dizendo que ele é bom só para tirar uma de inteligente, antenado em cinema. Eu não. Chato é chato e quem gosta de chato deve ser mais chato ainda.

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  4. Eu não sabia que eu era tão chato assim: eu adoro os filmes do Woody Allen. Mas, acho que eu não posso ser referência porque eu gosto até daqueles filmes do Tarzan que ainda são em preto e branco.

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  5. Cá para nós, deputado, o filme é bacaninha, mas não faz jus à imponência do título.
    Depois me alertaram: não espere tanto, afinal, é um Woody Allen.

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  6. Parsifal, faltou dizer que Owen Wilson representou Woody Allen como ninguém (trejeitos e etc e tal) e que o filme visa finalmente homenagear parte de sua história com Mia Farrow, representada pela atriz francesa Léa Seydoux (escolhida a dedo não somente pelo enorme talento), sobretudo no diálogo final (Paris sur la pluie), clichê sim, banal peut-être, mais faisant partie de l'histoire du couple.

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  7. Parsifal, faltou dizer que Owen Wilson interpretou Woody Allen como ninguém (trejeitos etc e tal) e que o filme visa finalmente homenagear parte de sua história com Mia Farrow (representada pela atriz francesa Léa Seydoux, cuja semelhança salta aos olhos, foi escolhida a dedo, não apenas pelo enorme talento), o tal diálogo final (Paris sur la pluie), clichê sim, mais faisant partie de l'histoire du couple.

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  8. Olá Rodolpho,

    Eu não notei esta espécie de transubstanciação do final. Acho que só tinha olhos para a Léa, que está uma gracinha no filme.

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  9. Fui ao cinema sem saber o que ia assistir. As locações iniciais e o solo “Si tu vois ma mère” me envolveram de tal forma que adorei o filme. Só não gostei das poltronas que me desconcentravam bastante.
    Li o seu comentario depois. Valeu.

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