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Espanando o medo

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Quando se queima o chão do Sul do Pará, o céu se esburaca e as aerovias parecem as péssimas estradas lá de baixo: as aeronaves saltam bêbadas, de banda e de lado, pra cima e pra baixo, em um carimbó desapropriado à maioria dos estômagos e corações.

O denso fumo que ascende das queimadas limita a visão a palmos poucos: assim o nosso saltitante “Embraer Sertanejo” singra os ares rumo a Floresta do Araguaia, enquanto eu, sofregamente, tento adestrar o notebook ao colo e acertar o alvo das teclas.

Não me avexo muito com isto. Quando menino, na nossa fazenda, eu me divertia montando em novilhos no pelo. Mas, ao olhar para baixo, ensimesmado, troçando de mim mesmo, pondero aos meus botões que a diferença, no caso, é a altura da queda: ora pois, não é o escárnio de si mesmo o espano do medo?

Escrito em 25.09.10

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