06/06/2016

Aos 96 anos, morre Jarbas Passarinho

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Morreu ontem, aos 96 anos, em Brasília, Jarbas Passarinho, em decorrência de problemas de saúde devido à idade avançada.

Nascido em Xapuri, Passarinho fez carreira no Exército onde, em 1962, alcançou o posto de tenente-coronel e foi destacado para chefiar o Comando Militar da Amazônia e a 8ª Região Militar, em Belém.

Em junho de 1964, o primeiro presidente militar, o general Castelo Branco, nomeou Jarbas Passarinho governador do Pará, para completar o mandato de Aurélio do Carmo, cassado em processo de impeachment, pela Assembleia Legislativa.

Quando deixou o governo do Pará, em 1966, Passarinho seguiu carreira nacional: elegeu-se senador por três mandatos, presidiu o Senado Federal, foi Ministro do Trabalho, Ministro da Educação e Ministro da Previdência Social. Em seu último cargo público, foi Ministro da Justiça no governo Fernando Collor.

É histórica a rixa havida entre Alacid Nunes, falecido em 2015 a dois meses de completar 91 anos, e Jarbas Passarinho. Ambos eram plenipotenciários do governo militar no Pará, mas adversários ferrenhos, dividiram a  política local entre os jarbistas e os alacidistas.

Essa rixa fez com que, em 1982, o então deputado federal Jader Barbalho, candidato a governador do Pará pelo PMDB, fosse apoiado pelo então governador Alacid Nunes, que queria derrotar Jarbas Passarinho, que lançou Oziel Carneiro para o governo.

Era presidente da República o general João Figueiredo, que na contenda local deu apoio a Jarbas Passarinho, senador de sua confiança, que à época presidia o Congresso Nacional e era candidato à reeleição.

Ao final de uma acirradíssima disputa, elegeu-se Jader Barbalho para governador do Pará. Jarbas Passarinho, que disputava o Senado, foi derrotado, não por falta de votos nominais, mas porque, em um arroubo de autoconfiança, lançou-se sozinho, pelo PDS, sem sublegenda, e o PMDB lançou Hélio Gueiros, João Menezes e Itair Silva, em três sublegendas.

Na legislação eleitoral de então, os votos adquiridos pelos candidatos das sublegendas se somavam e o partido que obtivesse mais votos conquistava a cadeira do Senado, sendo o Senador o candidato que, dentro das sublegendas, obtivesse mais votos.

Jarbas Passarinho (PDS), sozinho, obteve 445.628 votos e a soma dos votos obtidos por Hélio Gueiros, João Menezes e Itair Silva, todos do PMDB, foi de 474.300 votos. O PMDB, portanto, fez o Senador.

Dentre os três candidatos do PMDB, o mais votado, com 225.120 votos, foi Hélio Gueiros que, com praticamente a metade dos votos nominais auferidos por Passarinho, elegeu-se Senador da República.

A eleição de Jader Barbalho para o governo e Hélio Gueiros para o Senado inaugurou no Pará um quê de neobaratismo, pois ambos tinham raízes políticas fincadas na escola de Magalhães Barata, que foi nomeado interventor do Pará com o Golpe de 1930.

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Barata foi um dos produtos do Governo Provisório, instalado no Brasil com o Golpe de 1930, chefiado por Getúlio Vargas, cuja posse jogou a pá de cal na política do café com leite, na qual se alternavam como presidentes políticos de São Paulo e Minas Gerais, a chamada República Velha.

Em 1986, brigado com Jader Barbalho, que apoiara em 1982, Alacid Nunes lançou para o governo, o suplente de senador, João Menezes, e ele próprio se lançou ao Senado.

Para fazer frente à chapa de Alacid, Jader Barbalho lançou o então senador Hélio Gueiros para a sua sucessão e foi buscar o arquirrival de Alacid para fazer-lhe frente: coligou-se com o PDS e lançou, para o Senado, Jarbas Passarinho.

Pelo PMDB, Jader Barbalho lançou Almir Gabriel, Vicente Queiroz e Clovis Ferro Costa, em sublegendas. Como eram duas as vagas em disputa para o Senado, elegeram-se Jarbas Passarinho pelo PDS e Almir Gabriel pelo PMDB.

Naquele ano, Jader Barbalho firmou-se como o maior líder político paraense depois de Barata, pois além de eleger o seu sucessor, Hélio Gueiros, sob o seu comando elegeram-se os dois senadores, 15 dos 17 deputados federais e 26 dos 41 deputados estaduais.

Mas está bom de história, pois o assunto é a morte de Jarbas Passarinho. Como sou contador de histórias, oportunamente contarei da oposição que eu fazia a Passarinho, e de como passei a privar do seu relacionamento, quando ele, apoiado pelo PMDB, disputou o governo do Pará, em 1994.

Minhas sinceras condolências à família de Jarbas Passarinho, especialmente ao seu sobrinho, meu amigo Ronaldo Passarinho, que mantinha com Jarbas um relacionamento filial.

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16 comentários:

  1. presidente a cdp,se enquadra nesta http://noticias.r7.com/brasil/camara-aprova-a-criacao-de-14419-cargos-novos-no-funcionalismo-federal-03062016 Câmara aprova a criação de 14.419 cargos novos no funcionalismo federal
    Projeto sobre reajuste também prevê aumento no quadro dos concursados,grato

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    1. Não, a medida é apenas para administração direta.

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  2. Às favas o AI-5? Então tá!

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  3. A morte é uma forma de perdoar os erros da vida

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  4. Enquanto Jarbas Passarinho era ministro da Educação do governo Militar, eu era estudante em São Paulo. Fui assistir uma palestra do Ministro na Universidade Makenzie, Passarinho foi brilhante, no final da palestra, abriu o debate, para uma plateia de Estudantes sedentos de briga. Saiu-se muito bem, levou todos na conversa. . .

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  5. Que a alma desse **** queime no inferno!!

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  6. Era oposição ao Passarinho e depois passou a privar da amizade dele. História semelhante ao seu relacionamento com Jader. Jarbas estava perdendo o poder e o Jader estava ganhando. Agora o Jader está envelhecendo e a bola da vez é o Helder, este não houve necessidade de ser primeiro uma oposição

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    1. Segundo James Russell Lowell, "só os tolos e os mortos jamais mudam de opinião".

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    2. Sem citar ninguém diria que mudar de opinião da formas acontecidas, significa esperteza

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    3. Sem citar ninguém diria que prefiro a estrita opinião de James Russell Lowell, afinal, pelo menos eu tenho as melhores referências dele.

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  7. Parfisal,
    Em 1964, Jarbas esteve em Tucurui. Discursou em um palanque armadado perto da matriz de S. José , estrategicamente (Por causa do sol escaldante de quase meio dia) , o palanque foi armado debaixo da Mangueira que existia na praça que lhe leva o nome (Jarbas Passarinho).Diria que toda a população da cidade estava lá na praça e arredores , inclusive os estudantes da escola primária do grupo escolar da Estrada de ferro (Dr. Arquimedes P. Lima),do qual eu fazia parte. A sonorização do discurso ficou a cargo da serviço de alto falantes da "Estrela do Sul, a voz de cristal", de propriedade de seu Mané Seco.

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    1. Sim, todos os grandes acontecimentos de Tucuruí eram na praça Jarbas Passarinho, que naquela época, era a Praça São José, por causa da Matriz que lá ficava. Quem mudou o nome para Jarbas Passarinho, depois de calça-la, colocar bancos, iluminar e fazer um coreto no meio, foi o então prefeito, Raimundo Ribeiro de Souza, o Seu Diquinho.
      Eu também estudei no Arquimedes Pereira Lima. E o Mané Seco tinha um alto-falante no cume de um poste bem em frente de casa, na dita praça.
      Meu amigo, agora você me apertou o coração...

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  8. Parsifal, obrigado pelo registro isento da morte do meu tio Jarbas. Homens como ele receberão o justo julgamento por Historiadores isentos. Os depoimentos de seus adversários políticos, sem o ódio imbecilizado dos que recebem lavagem cerebral todos os dias, são a maior prova de suas inatacáveis qualidades.

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    1. Um abraço, meu amigo. E mais uma vez, meus sentimentos.

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    2. Estou concluindo curso de História , e pretendo ser um destes Historadores Deputado Ronaldo.
      O governador Jarbas Passarinho sempre teve o respeito até dos opositores, e sempre foi considerado a reserva moral do Brasil.
      Meus sentimentos

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  9. Bela e simples aula de história...

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