14/03/2016

O governo nas cordas

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Como sempre em eventos do tipo que ocorreram ontem (13) em todo o Brasil, quando milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo, a guerra de números é um pêndulo que vai aos extremos do Leste e do Oeste.

Os organizadores do movimento afirmaram que cerca de 6 milhões de pessoas compareceram; as polícias militares dos estados opinaram que foram cerca de 3,3 milhões em “pelo menos” 250 cidades.

Aceitos quaisquer dos dois números a quantidade é superlativa e revela, mesmo pelo menor, a maior manifestação que o Brasil já viu contra um governo, o que torna lícito afirmar que o a presidente Dilma Rousseff, o lulo-petismo e quem mais lhe faz procissão está na corda e precisa responder à altura o desafio que o domingo lhes propôs.

A questão é que a proposição não é um adjetivo, mas um substantivo: que o atual governo desocupe o Planalto, o que que, obviamente, estabelece um impasse, já que o inquilino tem contrato até 2018.

A forma, portanto, de tentar solucionar o impasse vem na letra daquela modinha do Fagner, “Revelação”, na base do “sentimento ilhado, morto, amordaçado, volta a incomodar”.

O impeachment da presidente Dilma, que o governo conseguiu ilhar e amordaçar no final de 2015, volta a incomodar, pois a oposição se fortaleceu com o grito das ruas, que, aliás, apesar do tamanho da montanha, devido ao excesso de chá de erva cidreira que todos devem ter tomado antes de sair de casa, não foi de assustar.

Os políticos brasileiros precisam levar um susto bem maior para saírem da confortável moita na qual fizeram morada. Sustenta-se a asserção no fato de terem levado uma enorme sacudida com aquele “Levante de Junho”, quando o barulho, embora de menor número, foi de muitos mais altos decibéis, e passados dois anos, no quartel de Abrantes nem fez poeira.

Apesar dos números das ruas, a oposição continua longe do número suficiente de deputados para aprovar o impeachment e o governo continua com o número suficiente para rejeitá-lo.

Vamos aguardar o dia 18.03, quando Lula deverá comandar a passeata de apoio ao governo. De pronto, o governo jamais conseguirá a seu favor, superar, sequer igualar, o número de manifestantes que teve contra si, mas se der corpo ao evento, poderá recuperar tutano para ir escapando.

9 comentários:

  1. O senhor fala dos políticos na terceira pessoa, aliás quero parabenizar o Senador Jader Barbalho pela citação do nome dele como beneficiário de propina, pois no Brasil político com prestígio tem que estar envolvido em maracutaia.

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  2. o bom disso td é que os políticos de oposição achavam que iam deitar em berço esplendido e tirar proveito , mas foram vaiados,

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  3. Bom dia Parsifal...quase sempre concordo e não ponho em dúvidas as tuas análises, porém, acho que podes te surpreender com o que ocorrerá no dia 18 em número de manifestantes, desta vez quero esperar, ver e concordar...aguardemos, pois! Se tiveres como dar uma pausa me convida ao café> Abraços

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  4. Na verdade esta guerra de protestos virou uma palhaçada, ou melhor, um reality show com direito a consulta popular para ver quem fica e quem sai da “casa”. Se a moda do impeachment sem crime e baseado somente pela insatisfação popular com uma crise econômica, nenhum futuro presidente do Brasil conseguirá terminar o mandato, pois na primeira crise (que são normais e cíclicas) na vida das pessoas e nos governos de todo o mundo a oposição (desta vez de esquerda) convocará protestos para derrubar o presidente seja ele quem for. O mais absurdo no impeachment da Dilma é que com a desculpa de combater a corrupção querem tirar uma presidente eleita e sem ter cometido nenhum crime, tendo como opção políticos eles sim, denunciados por corrupção como Temer, Aécio, Renan e Cunha.
    Pelas vaias do PSDB e o apoio das manifestações ao justiceiro Moro e ao Fascista Bolsonaro, e pelo andar da carruagem é possível que a extrema direita e os fascistas convençam às massas que eles são a solução para acabar com os corruptos e com todos os problemas do Brasil.
    A pretexto de acabar com a corrupção e resolver os problemas econômicos estão cavando a sepultura da democracia no Brasil.
    A pretexto de curar a doença da corrupção estão matando a democracia. Os loucos alucinados e cegos pela ambição do poder não percebem o monstro que estão alimentando e que em breve pode ficar tão forte e agressivo que não mais poderá ser contido. O verdadeiro objetivo do impeachment é matar a Lava Jato e impedir que ela atinja todo o legislativo, isso é tão óbvio que somente a massa exaltada e insuflada pelo ódio não consegue perceber. Concordo com o Virgílio, vamos esperar o dia 18 a reação da esquerda e ver se a oposição em sua estratégia suicida, como disse Mané Garrincha: "combinou com os russos”.
    E outra coisa, é bom não esquecer que os militares não estão mortos e que se a coisa esquentar terão a desculpa perfeita para um golpe e a volta da ditadura.
    A única saída é o diálogo e o respeito à Lei, aos princípios democráticos e ao resultado das eleições, na democracia só o voto livre da maioria dá legitimidade a um governo.

    O que vejo até o momento é o PMDB, PSDB e PT afundando em um abraço de afogados.

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    1. Impeachment é instrumento constitucional cujo peso jurídico termina na admissibilidade. Após isso, de jurídico só resta a forma, passando o mérito a ser totalmente político. Se o mandatário não tem sustentação congressual ele cai e é essa a natureza jurídica do instituto, antes porque, mandatário sem sustentação congressual não governa, nem que ele tenha sustentação popular, da mesma forma que, mesmo sem sustentação popular, consegue governar se tiver base congressual.
      Não comungo da sugestão de que manifestações populares, mesmo sob a pecha da indução (e não há combustão espontânea fora da química pura), signifiquem ameaça à democracia. Se não cambam às desinteligências de massa, à esquerda, à direita, ou ao centro, elas são exercício da democracia. Não posso arriscar a ideia de que a legitimidade expressiva está apenas com aqueles que comungam da mesma opinião que a minha, pois a diversidade ideológica, e a livre expressão dela, é o próprio vetor do pensamento democrático.
      O PSDB, o PT e o PMDB, em qualquer ordem de fatores, estão abraçados em um núcleo em torno do qual estão atracados 99% das demais tribos partidárias nacionais, e esse formigueiro deriva na maré há um bom tempo. A questão é que, a cada eleição, eles se conseguem segurar em alguma ribanceira e refundam o reino. Precisamos todos morrer em um desses rebojos, antes de alcançar o barranco, e para isso acontecer a enxurrada tem que ser muito grande mesmo.

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    2. ''Se o mandatário não tem sustentação congressual ele cai e é essa a natureza jurídica do instituto, antes porque, mandatário sem sustentação congressual não governa''. Eis que temos um interessante paradoxo, para governar o executivo precisa fazer concessões ao legislativo como por exemplo nomeação para cargos públicos, controle de estatais e ministérios o que favorece e propicia a corrupção, já que a desonestidade é marca registrada da maioria dos congressistas nacionais.
      Assim não resolve eleger um presidente honesto quando ele é obrigado a negociar e fazer concessões aos políticos desonestos que infelizmente são maioria e controlam o congresso. O ilustre ex-deputado e ex-prefeito sabe muito bem o que eu estou dizendo quando me refiro a concessões ao legislativo, ou estarei eu enganado?
      Então se o executivo faz concessões pela governabilidade os justiceiros mandam prender, se não faz é retirado do cargo, já que a vontade, o humor e os interesses mesmo que escusos do legislativo são mais importantes que o voto do cidadão.
      No entanto em nome da honestidade e sem disposição para seguir a manada e os 99% das tribos partidárias (eu trocaria o termo''tribo'' por quadrilhas partidárias, mas...), devemos reconhecer que os ilustres parlamentares do PMDB, PSDB e agregados não estão preocupados com o interesse público e muito menos com a opinião da população (ainda mais no meio do mandato), até porque a opinião pública pode ser facilmente influenciada quando se tem o controle e/ou a cumplicidade da grande imprensa.
      A preocupação e a urgência dos deputados e senadores quanto ao impeachment se deve a motivos menos nobres, como por exemplo, conter a Lava Jato já que 99% dos deputados e senadores atualmente não conseguem dormir tranquilos por não saberem quando receberão a visita da Polícia Federal e quando serão hospedados compulsoriamente (acompanhados de cônjuges e filhos) nas masmorras do Moro até que confessem, uma tática que faria inveja aos administradores de Guantánamo e aos juízes do tráfico, pois é a tortura sob o manto da justiça.
      Mas creio que o tempo é a grande arma da justiça e a verdade virá à tona mais cedo ou mais tarde, a turba vai acabar percebendo que a pretexto de combater a corrupção se está justamente protegendo os corruptos e enterrando a Lava Jato, que não sobrevive um mês sob um governo controlado pelo PMBD/PSDB.
      Quando o povo que já sentiu o ''gosto de sangue'' perceber o engano (pela reação dos manifestantes contra o PSDB podemos imaginar o que virá), vai reagir e então teremos mais uma crise (se é que esta crise com a queda do governo iria acabar), a não ser que a direita resolva usar seus velhos e tradicionais métodos: censura, cassetete, tortura e prisão. Mesmo assim creio que não será tão fácil como quer alguns.
      De qualquer forma, ainda é cedo para cantar vitória ou chorar derrotas, pois o jogo só é decidido quando termina e ainda estamos no primeiro tempo, aguardemos o dia 18 e os próximos lances.
      A propósito e aproveitando o comentário, que não é direcionado ao ilustre blogueiro, devo lembrar que: A tentativa de desqualificar o oponente não contribui para um debate positivo e de alto nível que se espera de pessoas inteligentes e educadas, apenas demonstra falta de argumento convincente e intolerância para com ideias e posicionamentos contrários.

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    3. Não há paradoxo, mas deturpação de forma do presidencialismo de coalizão, que nada mais é do que o Parlamentarismo monolateral, pois ambos se valem de coligações pré e pós eleitorais para montar o governo e se não conseguem montar, ou manter, as coalizões, caem, como efeito do mecanismo democrático da inter-relação dos poderes.
      A América Latina, com uma ou duas exceções, avacalhou com o instituto e aí o problema não é o instituto e seus mecanismos, mas quem os exerce de forma deturpada, usando os mecanismos do poder como propriedade sua: o patrimonialismo.
      Mas vamos arrumar isso. Já estivermos piores. Já melhoramos uns 10% desde a primeira República.

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  5. Ainda bem que Sergio Moro não lê o Jornal O Liberal.
    Desta forma o Senador Jader Barbalho já estaria em maus lençóis...

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  6. A Folha de Tucuruí não é exatamente um modelo de democracia, essa ilustre senhora que não contempla com suas luzes os labirintos escuros desse risível folhetim. Dizer que ao se buscar meios de acabar com a corrupção está-se cavando a sepultura da democracia é grotesco e evidencia o caráter de absoluta ignorância, ou proposital indigência política. A Folha não leva em conta - seu editor, ou dono, sei lá - deve morar num outro mundo, e por desonestidade intelectual acha que estamos vivendo dias de fausto, e que o governo não é responsável pela zorra que está acontecendo. Eu votei na Dilma, senhores. Votei e me senti enganado logo nos primeiros dias do seu segundo mandato. A Dilma mentiu pra mim. Mentiu quando mostrou números da economia que não correspondiam à realidade, mentiu quando disse que as contas de energia não sofreriam aumentos, mentiu sobre os preços do combustíveis, mentiu sobre a real situação da economia e varreu para debaixo dos tapetes do Planalto a bandalheira que grassava nas entranhas do seu desgoverno. A peçonha do PT contaminou-se a si mesma. Essa coisa de proteger bandidos de estimação é bem apropriada a essa tal de esquerda caviar. Eles aprenderam a degustar Romaneé Conti e lambuzaram suas barbas no fausto de seus status de novos ricos. Onde está essa tal extrema direita, cara pálida? No Brasil tem disso? Engraçado que não faz tanto tempo assim, o outrora virtuoso PT foi às ruas esbravejar o " fora Collor ". Color deveria mesmo sair, sim, mas quando o PT subiu a rampa do Planalto, colocou sob suas asas o que havia de pior na política brasileira, segundo o que o próprio Lula defenestrava. Ou é mentira, que Lula buscou Collor, Sarney, Renan, Jucá e assemelhados e colocou-os na zona dos seus governos, Folha de Tucuruí? E essa convivência fraterna de pequenos e grandes canalhas tem lá o seu preço, e o preço está sendo cobrado. Quando lá atrás o Collor renunciou, o PT fez festa. Acontece que dá calafrios a quem tem um pouco de vergonha na cara, ver o PT rodeado da canalha que ele combatia. O PT de hoje, diz que apear a Dilma do poder está errado, que é um golpe, essas coisas. A Dilma demitiu-se a si mesma ao não ser capaz de conduzir seu governo a bom termo. A Dilma falhou redondamente, senhores. Nem precisou da incompetência da oposição para afundar a todos nós. A observância da Lei que o PT evoca hoje, e as Leis devem mesmo ser obedecidas, não faz do Sérgio Moro um justiceiro. Note-se que a esmagadora, esmagadora, repito, decisões do Juiz Moro, que por suprema ironia é titular da 13a - alguma lembrança do número? - Vara da Justiça Federal de Curitiba, são confirmadas pelas instâncias superiores da Justiça. NO Mensalão os caras, Dirceu, inclusive, foram condenados por corrupção e isso não é invencionice da mídia golpista, Folha de Tucuruí. Os bandidos de estimação devem ser tratados como bandidos, sem matizes partidárias. A Lei deve ser igual para todos, e ninguém está acima dela. Aí, quando se anuncia bandidagens no governo ou mesmo na Petrobras, é tentativa de golpe da mídia. E quando a Folha desce a borduna no Sancler, que nem conheço, o que é? É tentativa de golpe também? Me façam o favor, senhores! Parem de tentar querer enganar as pessoas. Só os néscio acreditam em vcs. Essa via do diálogo o PT não usou com o Collor, por exemplo. A quem querem enganar? Depois que a lama chegou a seus ilustres traseiros aboletados no conforto das salas climatizadas do Planalto, querem agora a tolerância das pessoas, coisa que esses nobres senhores não contemplavam a seus semelhantes. Dá náuseas ler coisas assim. Ah!, me lembrei de outra coisa. A Folha de Tucuruí não é nenhum exemplo de democracia. É só algum leitor fazer algum comentário que desagrade a seu afetado dono, que nem uma mísera linha é publicada. Democracia da boca pra fora não lhes confere credibilidade, senhores. Tomem tento!

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