13/02/2016

Há muito tempo, milhares de microcéfalos nascem por ano no Brasil e o zika não é a principal causa

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O biólogo Fernando de Castro Reinach é doutorado pela Cornell University Medical College, de Nova York, pos-doutorado pelo Ludwig Institute of Cancer Research, na área de biologia e anatomia celular, livre docente do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e professor Titular do Departamento de Histologia e Embriologia da Universidade de São Paulo.

A apresentação é suficiente para que se leia com atenção um artigo por ele publicado no Estadão no dia 06.02, sobre um dos assuntos da voga, o zika vírus, demonstrando que, embora não se deva destituir a evidência com a qual o termo é tratado pela imprensa e pelo governo, a forma como é exposto pode não estar provida do rigor científico adequado, o que, talvez, desvelasse como desleixamos providências preventivas e sonegamos informações de saúde pública.

Alega Reinach, e isso já foi dito por vários experts no assunto, que a microcefalia sempre existiu no Brasil e os eventos, milhares ao ano, nunca foram notificados, pois não eram de anotação compulsória (!), e somente agora, com a hipótese, ainda não comprovada cientificamente, de que uma das causas desta condição neurológica é a infecção pelo zika, é que os governos declararam guerra ao aedes aegypti, cujas notificações “de culpa” não chegam a 10% dos casos de microcefalia existentes no Brasil.

Conclui-se do artigo, portanto, que é fato a necessidade de combater o aedes aegypti, antes porque o mosquito é um agente nocivo de outros males, mas o Brasil deveria despender parte desse foco para combater a microcefalia, assim como estabelecer políticas de saúde referentes aos seus portadores, que são dezenas de milhares.

O que vemos agora são autoridades desfilando Brasil afora, fantasiados de expedicionários da guerra ao aedes aegypti. Mas essa tarefa passará, todos voltarão aos seus gabinetes, o aedes aegypti voltará a sua (in)significância e os microcéfalos, do zika e doutras causas, continuarão anônimos, sem eira e nem beira, a serem gerados como dantes, nesse quartel de Abrantes.

Para ler o artigo do Doutor Reinach clique aqui.

11 comentários:

  1. Em se tratando de epidemia de Zika vírus, tudo é novíssimo e para muita coisa que as autoridades precisarão fazer neste país, infelizmente nada terão para consultar, pois estão diante do desconhecido pela ciência (e pelo Dr. Reinach). Assim sendo, a ocorrência de milhares de casos de recém nascidos com microcefalia gerados por mães infectadas com este vírus, deve ser motivo de grande atenção, sim.

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    1. O zika não é “novo” e nem desconhecido pela ciência. Foi registrado e catalogado há 69 anos, na floresta de Zika (daí o seu nome), em Uganda. Desde 1954 sabe-se que ele pode infectar seres humanos através do mosquito Aedes aegypti.
      A microcefalia, que existe no Brasil e no mundo, catalogada desde antes de 1954, tem 15 causas catalogadas, inclusive desnutrição materna no período de gestação e cerca de 19 mil casos de microcefalia ocorrem no Brasil, por ano, há décadas.
      O Aedes aegypti deve ser combatido porque transmite a dengue e a febre chikungunya, além do zika, mas não “apenas” a microcefalia causada pelo zika que deve “ser motivo de grande atenção” e sim a microcefalia causada por quaisquer das 15 causas já apontadas há mais de 30 anos, que são 80% das ocorrências.

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  2. sábado, 13 de fevereiro de 2016
    ESCOLTA DE MINISTRO EXPÕE A FRAGILIDADE DA GUARDA PORTUÁRIA
    Guardas portuários fizeram a escolta do ministro, desarmados
    A visita do ministro Helder Barbalho, da Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR) realizada em Santarém-PA, no dia 23 de janeiro, expôs a fragilidade da Guarda Portuária.
    Geralmente, em todos os portos administrados pelas companhias Docas, quando da visita do ministro dos portos, quem faz a sua escolta e a segurança, é a Guarda Portuária, sendo que em Santarém, não foi diferente. Os guardas portuários acompanharam a visita do ministro.
    Porte de Arma
    No Pará, os guardas portuários que trabalham nos portos administrados pela Companhia Docas do Pará (CDP), colocam em risco a própria vida, pois parte do efetivo trabalha desarmado.
    Segundo o que foi apurado pelo Portal Segurança Portuária Em Foco, os guardas antigos estão, na sua maioria, com o porte vencido, e os mais novos sequer fizeram o exame da Polícia Federal. Outros estão aptos, e estão trabalhando mesmo sem ainda estarem de posse da credencial do porte de arma.
    Realidade nacional
    Infelizmente, a situação vivida no Pará é uma realidade nacional. Em vários portos os guardas portuários estão trabalhando desarmados ou armados, mas com o porte de arma vencido. Existem ainda casos em que, mesmo com o porte e com o armamento, a administração portuária prefere deixar os seus guardas trabalhando desarmados.
    Tragédia anunciada
    Aos integrantes da Guarda Portuária resta rezar para não serem alvejados, ou mesmo, não atirarem em alguém, estando com o porte de arma vencido. Nesse caso, resta saber se caso uma tragédia venha a acontecer, os gestores serão responsabilizados.
    CDP
    Procurado por esse Portal o presidente da CDP, Parsifal Pontes, disse que acompanhou a visita do ministro a Santarém, mas não se atentou para o fato de os guardas portuários, estarem ou não desarmados, e se estavam ali como uma escolta, pois os viu como uma cordial recepção ao ministro, apenas. Todavia, irá procurar saber as reais condições referentes ao porte de arma da Guarda.
    Essa é mais uma herança, deixada por administrações anteriores da CDP, para ser administrada e solucionada pelo atual presidente.
    - See more at: http://www.segurancaportuariaemfoco.com.br/2016/02/escolta-de-ministro-expoe-fragilidade.html#sthash.Cj6f4Tp6.dpuf

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  3. Acho que não consegui me fazer entendido. Os vírus estão entre as primeiras manifestações de vida no planeta; todas as informações citadas por você são verdadeiras; como também são as estatísticas apontadas pelo Dr. Reinach. O que não é possível é o Dr. Reinach estabelecer como contraponto ao trabalho das autoridades da saúde apenas as estatísticas americanas sobre microcefalia.

    Por quê? Epidemiologicamente falando, o Zika vírus nunca havia representado uma ameaça de proporção continental/mundial. Todas as alterações biológicas que ele está produzindo nesta grande epidemia são importantes; não tem cabimento desconsiderar os casos de microcefalia só porque no entender do Dr. Reinach esta anomalia pode ocorrer por 'n' fatores. Não se faz epidemiologia sem reunir e investigar todos os elementos relacionados ao evento. É o básico.

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    1. A comparação com as estatísticas dos EUA é referente e demonstra o lapso de notificação no Brasil, antes porque os estudos afins têm opinado que a média é continental. No Brasil, o que ocorre é um aumento que tange o ponto para fora da curva. E dadas aquelas quantidades, o Brasil nunca teve uma política de saúde voltada à condição, que sequer tinha notificação obrigatória. É esse o ponto do artigo.
      Assentam-se as assertivas não apenas na similaridade estatística extensiva. O Ministério da Saúde, após tornar a notificação obrigatória desde que constatou a presença do zika por aqui (outubro de 2015), relata que foram anotados 5.067 casos (até 06.02.16), o que remete a uma quantidade diretamente proporcional de 13 mil casos em 12 meses, o que corrobora a comparação com a média estadunidense.
      Dados do último boletim do Ministério da Saúde ratificam as assertivas do artigo referido: “dos 467 casos de microcefalia confirmados até o início de fevereiro, apenas 41 “possuem a confirmação da correlação com o zika”, ou seja, a referência percentual das ocorrências com o zika são, grosso modo, 10%.
      O ponto não é destituir o combate ao vírus: ele se tornou uma ameaça e precisa ser cercado. Mas eis que o discurso se está fazendo pela consequência, a microcefalia. Então, já que, depois de anos de negligência, descobrimos que ela existe, vamos transformar em questão de saúde pública apenas 10% dela? Isso é, no mínimo, falta de visão angular.
      E não está, em momento algum, desconsiderada a microcefalia porque ela “pode ocorrer por 'n' fatores”. É exatamente o contrário: devemos considerar a microcefalia por todos os fatores e não somente pela menor causa dela.

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  4. Vou aproveitar as suas conclusões sobre a falta de documentação estatística sobre microcefalia no Brasil (agora sim de qualquer origem) e, sem querer puxar a brasa para a minha sardinha (eu poderia me queimar antes desta), concordar integralmente com você. A evolução do sistema de saúde no Brasil - notadamente na era SUS, inverteu os papéis, ao redefinir o conceito de saúde pública como um direito universal, e priorizar a oferta de saúde assistencial, outrora um serviço secundário atrelado aos institutos previdenciários.

    Acontece que, depois de tantos e tantos esquemas e escândalos de desvios de dinheiro público em convênios que beneficiam muito mais os provedores que o público usuário, podemos sim perceber muitas deficiências no trato das questões sanitárias de interesse público: o que indica pouco investimento nesta área. Muito se creditou aos grandes projetos de saneamento básico, mas os problemas sobrevivem, porque são causados por seres vivos que desde o aparecimento neste planeta, lutam para se adaptar também. Todos querem (ou estão programados) para sobreviver.

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  5. No Brasil político como tudo virou marquetagem..tudo é marquetagem, inclusive a doença e a morte.

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  6. Não sei quem está com a razão quanto a questão da microencefalia, mas meu palpite é que o nobre politico Parsifal não está reconhecendo a importancia de um problema. Este virus tem constituição
    parecida com a mielina, então adultos atacados pelo virus podem ter a sindrome de não sei quem-barr, os anticorpos da vitima confundem a mielina com virus e a destroem, a vitima fica sem poder se movimentar, e isso pode causar o óbito. Além disso, ainda tem a tal dengue.
    Agora até pode ser que queiram usar o combate com fins eleitoreiros ou para fazer uma cortina de fumaça e fazer a imprensa esquecer as ladroeira.
    Continuo ansioso por ver um combate ecologico.
    Penso que tal como no caso do oligopolio bancario, o nobre politico não está enxergando direito a importancia do problema.

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    1. Eu devo estar escrevendo em sânscrito e você lendo em mesopotâmico, pois não está escrito em nenhum texto que eu não considero o problema importante. O combate ao aedes aegypti é primordial e isso está escrito (embora em sânscrito) em todos os textos.

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    2. texto em sanscrito: . Mas essa tarefa passará, todos voltarão aos seus gabinetes, o aedes aegypti voltará a sua (in)significância

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  7. Agora entendo pq o sindicato vetou o nome do presidente da CDP no Consad.
    Esses sindicalistas não são nada besta. Firmaram ACT para ganhar pelo maior salário, bastando para tanto laborarem quatro meses no cargo ou função que lhes dá a média de como liberados receberem pelo maior ganho desses últimos 4 meses.
    Assim, ficam quatro meses em cargo comissionado e depois pedem para ser liberados, como agora o 4 liberado do sindicato fez.
    É Parsifal, me desculpe, mais é muita sacanagem na CDP.

    Abadessa

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