06/11/2015

Eduardo Cunha: de exportador de carne e especulador, a presidente da Câmara Federal

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O presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já tem defesa preparada para contestar a acusação que lhe faz o Conselho de Ética, sobre ter mentido à CPMI da Petrobras, quebrando decoro parlamentar, quando negou ter contas bancárias no exterior.

Preliminarmente alegará que apesar de ter o dinheiro, as contas não são de sua titularidade, mas de trusts, que são empresas em nome de terceiros, e se não estão em seu nome não precisava declarar e nem admitir.

No mérito, Cunha vai declarar que os milhões de dólares depositados em nome dessas trusts, foram obtidos com a venda de carne bovina para países africanos no final da década de 80 e com rendimentos auferidos das suas operações como scalper, na década de 90. O termo scalper é um anglicismo para especulador do mercado financeiro.

Sobre a prova apresentada pelo lobista João Henriques, de que depositou 1,3 milhão de francos suíços na conta de uma das trusts, a Orion, Cunha alegará que tomou conhecimento do depósito, mas não sabia o que era e nem de onde vinha e só muito tempo depois ficou sabendo que o pagamento seria a quitação de uma dívida do ex-deputado Fernando Diniz, já falecido. Esse pessoal despojado é assim mesmo: recebe um depósito de 1,3 milhão de francos suíços e nem liga.

Aí estão, portanto, além da teratológica defesa, duas atividades até então desconhecidas de Eduardo Cunha: exportador de carne (ainda bem que ele saiu do ramo ou a Friboi jamais existiria) e scalper.

Constata-se, portanto, que depois que Cunha cansou de ganhar dinheiro com as duas atividades, entrou na política e confiou os dólares ganhados às trusts. A questão aí é que a procuradoria suíça entregou dados à procuradoria-geral da República provando que as trusts têm como beneficiário direto o próprio Cunha.

Francamente, eu acho que seria melhor se ele ficasse calado e convencesse seus pares que nem sempre quem cala consente.

9 comentários:

  1. Francisco Márcio06/11/2015 08:57

    A psicologia humana pouco foge à regra: primeiro nega, depois, desqualifica-se a acusação, no final, vêm as desculpas ( esfarrapadas, geralmente ).

    Mas algo me intriga: V.Exa. desancando com um dos caciques do seu partido, o PMDB. È intriga pessoal com Eduardo Cunha? Talvez, seu chefe não lhe puxe a orelha, mas o Priante ( já não basta o cargo na CDP? )...

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    1. O único homem que que puxava a minha orelha, e doía muito, está morto já a algum tempo, e como eu sinto saudades daquelas puxadas de orelhas.
      Hoje, apenas cinco mulheres puxam a minha orelha: a Dona Ann, a minha mãe e as três filhas. Já é mais do que o suficiente. E nenhuma delas, assim como eu, gostam do Eduardo Cunha. Eu não sei porque, mas eu não gosto dele.

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  2. Interessante, normalmente o espírito empreendedor e a grande capacidade administrativa desses ********, mesmo que eles não possam se dedicar diretamente ao empreendimento, surgem depois de eles ou algum parente próximo ocupar um cargo público,. Vejam o exemplo dos filhos do grande palestrante Lula, do consultor Palloci, entre outros.

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  3. Não podemos esquecer que a filha dele usava um cartão de credito vinculado à conta na Suiça.

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  4. Se ele perder o mandato e cair nas mãos do Sergio Moro será o segundo político a fazer delação premiada.

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  5. essa representaçao no conselho nao vai dar em nada,ja esta tudo acertado entre pmdb e pt.alias como um parlapatao o deputado ze geraldo do pt pará ja deu a senha,rasgando a revista veja na tribuna da camara federal.

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  6. Grande parte dos políticos, com mandato, ou não, acham, e com certa razão, que o distinto público que lhes paga o fausto é um amontoado de néscios. Fazem Leis aos borbotões, quase sempre projetando que amanhã podem se abrigar em brechas e chicanas jurídicas criadas de caso pensado. O Maluf continua jurando que a grana em Jersey não é sua, apesar de o MP de lá ter enviado parte dela ao Brasil. E as pessoas votam no Maluf, dando-lhe a capa do foro privilegiado. Flexa Ribeiro e Jader Barbalho saíram de suas casas algemados por rolos envolvendo dinheiro e falcatruas de origens diversas e os paraenses votam neles. O STF julga e condena Ivo Cassol, senador de Rondônia, mas o Senado há dois anos não toma vergonha na cara e faz o que deveria já ter feito. Aliás, achar que o Congresso vai tomar vergonha na cara, é otimismo pra mais de metro. Casas presididas por Renan e Eduardo, são, como diz um conhecido colunista, a Casa do Espanto. Se o Congresso Nacional não toma vergonha na cara, cabe aos eleitores vestirem a carapuça e eliminar esses vermes. Aliás, esperar que um país presidido pela Dilma e pilotado pelo Lula, em cuja linha de sucessão tem Eduardo e Renan com possibilidades legais - isso mesmo, legais - de assentarem seus sujos traseiros na cadeira mais importante do Planalto, só poderia dar no que tem dado. Não custa lembrar que o Ciro Gomes, que também não é exatamente um Santo, disse que o PMDB é um ajuntamento de assaltantes. Não consta que o Partido tenha tomado alguma medida jurídica, ou coisa que o valha, para uma interpelação. Desde sempre sabemos que quem cala, consente. Ufa!

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    1. Francisco Márcio07/11/2015 12:08

      Palavras irretocáveis do anônimo, 07:24. Parabéns!

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    2. Verdade, só acrescentaria os politicos do PSDB, mormente os do Pará no mar de lama que nos encontramos.

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