14/09/2015

Brasil é uma das piores economias dos países com nota BB+ da Standard & Poor's

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Há aquele esposo que se encantou com um sofá, comprando-o. Tempos depois flagrou a esposa o traindo no sofá: culpou o móvel e o vendeu.

Alguns agem igual no caso do rebaixamento da nota de crédito do Brasil, culpando a Standard & Poor's pela retirada do investiment grade (IV), mas da mesma forma que o esposo na loja, elogiaram a agência quando ela concedeu, em 2008, a nota de crédito agora retirada.

Agências de avaliação de risco são como aparelhos de GPS: colocamos o endereço e seguimos a rota indicada. Só atentamos que uma manobra nos leva à contramão quando já estamos convertendo ao erro, quando corrigimos e continuamos a viagem.

Investidores usam agências de avaliação de risco como GPS e um dos aparelhos mais comprados pelos condutores é da marca S&P, portanto, esteja o mapa dela atualizado ou defasado, os condutores seguirão as direções.

A perda do IV do Brasil foi uma crônica anunciada pela S&P ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quando ele conseguiu contê-la há quatro meses, prometendo o trote do ajuste fiscal.

Foi a essa ocorrência que Lula se referiu na sua fala em Buenos Aires, quando disse que a perda do IV “não significava nada”, apenas que “a gente não pode fazer o que eles querem”.

E o que “eles” queriam para manter o IV do Brasil? O ajuste fiscal que o ministro da Fazenda empreita, mas é sabotado pelo síndico, que é sabotado pelo condomínio, sob a justificativa de que se o síndico prometeu ordenhar pedra, tem que tirar leite dela. Nada mais lúdico.

Os números da economia brasileira são os piores dentre os quatro países emergentes que receberam nota igual (BB+) da S&P, como mostra o quadro abaixo:

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A nossa dívida pública, 66,2% do PIB, para uma economia em recessão, é preocupante. Acima do Brasil apenas a Hungria, que deve 75,5% do seu PIB, mas que, desde 2014, pressionou a sua dívida para baixo e o Brasil, ao contrário, deixou-a subir.

As contas públicas são a nossa maior dor de barriga. Apresentamos uma previsão orçamentária de déficit de R$ 30,5 bilhões (e ela é maior) para 2016. A perspectiva é fechar 2015 com déficit de -5,3%, o que, observando o quadro, é o pior resultado entre os cinco do clube. Notem que a Hungria, que iniciou o seu ajuste fiscal em 2012, saiu de um déficit de -9,2% em 2006 para -2,6% em 2014, mantendo-o praticamente similar nos meados de 2015.

No clube dos BB+, o Brasil tem o segundo pior crescimento econômico em 2015 (projeção negativa de -1,8%), atrás apenas da Rússia (-3,7%) e considere-se que a Rússia vive uma guerra territorial com a Ucrânia.

Declarou o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini, que ainda mantém o Brasil com grau de investimento, que “temos taxas de juros elevadas, resultado primário fraco, aumento da inflação, crescimento em queda, problemas com corrupção, déficit do orçamento, cenário político conturbado e as perspectivas são ruins para 2016”, portanto, embora eu continue achando que a S&P deveria ter aguardado até o final do ano (para ver se criamos juízo), não é tecnicamente descabido o rebaixamento.

É puberdade procurar diversionismos para transformar a S&P em uma sigla pejorativa. Inobstante, a leitura do BB+ não deve ser a tradução do óbice, mas um sinal de alerta.

O Brasil reúne todas as condições para alavancar a retomada do crescimento, desde que faça o ajuste fiscal. Gastar mais do que arrecada, mormente em uma economia recessiva, é miopia política e astigmatismo econômico primário.

12 comentários:

  1. sim, o sindico prometeu ordenhar pedra e assim ganhou os votos.
    quando fica claro que não vai conseguir, deve renunciar.

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  2. No curto prazo, o rebaixamento dos títulos brasileiros poderá provocar elevação do câmbio, pressão por maior alta dos juros, queda nas bolsas e redução do crédito. Mas é preciso relativizar decisões de agências comprovadamente comprometidas com os interesses especulativos de grandes investidores internacionais...

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  3. A retirada do grau de investimento dos papéis da dívida brasileira pela agência Standard and Poor´s, uma entre as três grandes agências que calculam riscos de investimentos, vem sendo acolhida, pela grande mídia oposicionista, como uma espécie de apocalipse econômico. Uma demonstração da suposta incompetência da gestão econômica dos governos do PT.

    Ora, em primeiro lugar, é preciso destacar que o grau de investimento foi obtido, em abril de 2008, graças à gestão econômica competente dos governos do PT. Durante os anos em que governaram os que hoje nos acusam de má gestão, o Brasil nem sequer chegou perto desse grau concedido pelas agências.

    Ao contrário, no final do período neoliberal, o risco país estava em estratosféricos 2.500 pontos e nossos papéis tinham classificação B+, quatro degraus abaixo do grau de investimento. Na época, nossos títulos eram pouco mais que lixo. E não o eram por causa do “efeito PT”, como dizem os críticos, pois, durante toda a gestão tucana, os títulos da nossa dívida jamais estiveram próximos do grau de investimento obtido nos governos do PT.

    Em segundo, é necessário considerar que a agência referida muitas vezes não fez julgamentos isentos e precisos. Na realidade, a agência em questão tem um histórico de erros grosseiros. Em fevereiro deste ano, a Standard and Poor´s foi obrigada, pela justiça dos EUA, a pagar multa e indenizações no valor de US$ 1,5 bilhão ao Departamento de Justiça norte-americano e a 19 estados daquele país, por sua ação desastrada no movimento especulativo que deflagrou a atual grande crise mundial.

    Com efeito, pouco antes do estouro da bolha especulativa, a Standard and Poor´s, ignorando as evidências, classificava papéis do mercado subprime, inclusive os do Lehmann Brothers, como de baixo risco.

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    1. E tem mais:No julgamento, a agência foi forçada a admitir que as suas “análises” desses títulos foram afetadas por suas “preocupações comerciais”. O Attorney General Eric Holderfoi, entretanto, foi mais direto. Afirmou: “embora essa estratégia da S&P tenha evitado desapontar seus clientes, ela causou graves danos à economia, contribuindo para a deflagração da pior crise financeira desde a Grande Depressão”.

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  4. A Presidente Dilma, que governa outro planega vai dizer que a culpa é da crise insternacional, o líder do PT, SIMBÁ, vai dizer que a culpa é da CIA, e o Ex Presidente LULA, vai dizer que isso não significa nada, e o Levy, vai dizer que o brasileiro irá adorar pagar mais impostos, pois, quer que o Brasil saia desta situação.

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  5. Eu só queria enteder. O rebaixamento da Nota Eletrobráz.
    Moro em Tucuruí. O lago da Usina Hidrétrica está cheio. O rio não secou. O rio não cobra nada para mover as Turbinas.
    Se a empresa tem água estocada. Tem recursos para pagar suas dívidas.

    Outra coisa. Na lista das empresas rebaixadas, Temos a AMBEV, cujos 03 sócios estão entre os 10 bilionários.
    A rede Globo rebaixada os donos acho que 04 também estão na lista de mau pagadores da agencia S&P.

    Tem outra que o Proprietário acho que é o 9 em ordem decrescente dos bilionários do Brasil

    Conclusão: Se o lago está cheio os recursos hidrícos são dinheiro vivo
    Os outros são bilionários

    Então eles são mau pagadores, MESMO SENDO BILIONÁRIOS.
    Nesse caso São caloteitos Então?

    José Wellington


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    1. Você está fazendo, no caso da Eletrobras, apenas as contas das receitas, esquecendo a coluna das despesas onde entra um déficit do sistema energético nacional que está calculado em cerca de RS 40 bilhões e o governo tem resistido sistematicamente em realinhar as tarifas para cobrir e o que, de fato, nessa ocasião, é complicado politicamente.
      Quanto às outras empresas, os bilionários nem sempre são bons pagadores e algumas vezes são bilionários porque se aproveitam, por exemplo, do intricado sistema tributário e previdenciário nacional para judicializar bilionários encargos que, se liquidados, atingiriam os caixas e fluxos da empresa de forma negativa.
      Não sei se esse é o caso da Ambev, mas sei que a Globo deve, e judicializou, cerca de R$ 5 bilhões. Há cerca de R$ 200 bilhões judicializados em indébitos de impostos e encargos previdenciários no Brasil, devidos por empresas.
      Não é correto dizer que são caloteiros, no caso de impostos, e as notas das agências de risco também não dizem que são maus pagadores, dizem apenas o grau de risco em investir na empresa.

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  6. Agência de classificação de risco Standard & Poor's precisa rebaixar a nota do Brasil mais quatro vezes para que se chegue ao nível de classificação da época do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando a nota máxima obtida foi 'BB-', em janeiro de 2001, para depois, em julho de 2002, ser rebaixada a 'B+'

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  7. eu suponho que em 2008 e 2009 quando a recessao se instalou com rapidez, os estados unidos não praticaram essa politica do nao gastar mais do que se arrecada. Ou souberam melhor como criar dinheiro (fed).

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    1. Você supôs equivocadamente. Os EUA, e nenhum país do Euro, na crise de 2008, tanto quanto mostram os seus respectivos balanços e orçamentos, não os fecharam com déficit, por isso mantiveram as receitas equivalentes às despesas, e é correto afirmar que eles, pela política de transparência que praticam nas contas públicas, não praticaram contabilidade criativa e nem deram pedaladas para esconder inconsistências.
      A crise dos EUA não foi gerada diretamente pelo governo, mas pela economia privada, com a derrocada dos derivativos. O governo foi obrigado a entrar, comprando títulos, para reequilibrar o prejuízo.
      Os títulos foram comprados com as reservas do tesouro, para irrigar a economia, ou através do aumento da dívida pública, através da emissão de títulos públicos para venda, pois país que tem um mínimo de juízo não emite moeda sem lastro.
      Nessa particularidade o Brasil tem muito juízo, pois a última vez que emitiu moeda sem lastro foi na chamada política de encilhamento, no governo provisório do marechal Deodoro da Fonseca, cujo ministro da Fazenda era Rui Barbosa, que, pelo visto, entendia muito de direito, mas coisa nenhuma de economia e achou que o Banco Central resolveria problemas financeiros do país simplesmente imprimindo dinheiro. Se fosse assim bastaria não deixarmos faltar energia na Casa da Moeda e fazer as impressoras rodarem 24hs.
      O Brasil até poderia lançar mão das suas reservas para irrigar a economia, mas isso nos deixaria desprevenidos frente a um ataque especulativo.
      Mas o nosso problema mesmo é a crise política, que ata o governo, deixando-o sem margem de manobra, mormente quando acusamos um déficit nas contas públicas (o que é diferente da dívida pública). Além do mais, o Congresso, e certas alas do próprio governo, sabotam uma reforma fiscal consequente, obrigando o governo a usar remendos que sequer paliativos se estão mostrando.
      Se resolvermos o problema político a crise econômica estará resolvida.

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    2. a emissão de titulos publicos é uma forma de emitir moeda.

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    3. Negativo. Não há a menor possibilidade de comparação, pois as duas coisas são absolutamente distintas.
      As emissões de títulos públicos são feitas pelo Tesouro Nacional e vendidos no mercado, para captar recursos que financiam obras e serviços do governo federal.
      Os títulos são comprados por pessoas físicas ou jurídicas, que neles investem, e os pagam com o seu próprio dinheiro.
      Hoje em dia há inclusive a possibilidade de eu ou você, diretamente, comprarmos títulos do tesouro a partir da implantação do Tesouro Direto.
      Na verdade, a compra de títulos é como se você estivesse emprestando dinheiro a juros par o governo, e o lançamento de títulos públicos aumenta a dívida pública, pois o governo está tomando dinheiro emprestado exatamente porque não pode emitir moeda sem o respectivo lastro. O governo é proibido de captar moeda através de emissão.
      A emissão de moeda é prerrogativa exclusiva do Banco Central e a moeda não é vendida no mercado, mas um meio circulante que lastreia o PIB, representando a produção latu sensu. A emissão de moeda não aumenta a dívida pública, pois o governo não está tomando nada emprestado de ninguém, apenas refletindo monetariamente a base da riqueza nacional do país.

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