03/08/2015

O pleonasmo nominal e prisional da Pixuleco

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A PF partiu para o chulo e batizou o 17° capítulo da operação Lava Jato de “Pixuleco”, no qual foi decretada a prisão de José Dirceu, seu irmão e sócio, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e seu ex-assessor Roberto Marques, hoje (3) pela manhã.

Dirceu é acusado de ter recebido, entre 2004 e 2013, “aproximadamente R$ 96 mil por mês, fruto de recursos desviados da Petrobras”. Em sendo verdadeiras as acusações, José Dirceu teria recebido um total histórico de R$ 11,5 milhões durante o período apontado.

“Pixulé”, na gíria da malandragem, designa o dinheiro miúdo. Quando o malandro angaria pouco, diz que só ganhou pixulé.

O sufixo “eco” empresta às palavras um significado diminutivo: cacarecos, por exemplo, são pequenos cacos, coisas de pouco valor; “amoreco” é um tratamento alternativo para “amorzinho”. Pixuleco, portanto, é um pleonasmo de estilo, pois torna menor o que já é pequeno.

Segundo o despacho do juiz Sérgio Moro, as vantagens recebidas por Dirceu, advindas da Petrobras, alcançam a cifra já referida de R$ 11,5 milhões, o que não é pixulé e nem pixuleco. 

Das duas uma, ou as duas: o delegado que denomina as operações está de férias, ou a PF resolveu fazer troça com José Dirceu.

Há outro pleonasmo na Pixuleco, que é o próprio decreto de prisão de José Dirceu, pois ele já cumpre regime de prisão domiciliar em virtude de condenação anterior, portanto, a priori, há desnecessidade processual do decreto, bastando que o juiz Moro requeresse ao STF a sua apresentação à carceragem do Paraná. Mas na Lava Jato, necessidade processual virou o que o juiz Sérgio Moro decreta e pronto.

Afastadas as ponderações jurídicas, resta a análise linguística do decreto de prisão de quem já está preso que, ao gosto do freguês, pode ser um pleonasmo vicioso ou de estilo.

Em se tratando de Sérgio Moro, opino que seja um pleonasmo de estilo: faz parte do show dele.

5 comentários:

  1. nao seja tolo,voce acha que um juiz iria decretar o recolhimento de um reu deste gabarito sem esta bem fundamentado em suas razoes.

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  2. Deputado, já pensou se o Juiz Moro viese atuar no Pará? Era politico se mandando a tres por dois. Eu queria ver isto.

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  3. Um show que 99% do Brasil aplaude de pé. Que bom seria de tivéssemos mais "artistas" com esse "talento".

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  4. existe uma maneira eficiente e perfeitamente aceitavel de evitar que apareçam pessoas como o sr. Moro: é não roubar e não deixar que roubem na administração publica.
    Minha mãe quando viu a noticia da tv veio dizendo: estão levando para a cadeia porque ele continuava rou--ndo, foi o que ela concluiu do noticiario da tv.
    Os juristas, juizes. operadores de direito, muitos legisladores, não entendem nada de segurança, e até não tem compromissos com a segurança publica. Quando alguém é preso, geralmente é logo esquecido, não faz parte das tradições mostrar o presidiario sofrendo e lamentando seu sofrimento, o que seria bom para convencer outros a não fazerem o mesmo. Há até a filosofia de não constranger o punido, eu penso que seria positivo haver todo o tipo de constrangimento. O cara pediu para não deixarem sua filha menor saber da prisão, tinham que mandar um sujeito bem grosso avisar a menina, sem eufemismos e sem meias palavras.
    Lembro do juiz Nicolau, foi preso e caiu no esquecimneto, se continua preso ou não ninguém sabe.
    Parece que o sr. josé dirceu não estava realmente preso (na acepção popular), pois estava em casa, e agora vai realmente para a cadeia.

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