06/08/2015

O encouraçado Potemkin

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A Câmara Federal desvirginou a madrugada de hoje (6) aprovando nas suas primeiras horas o primeiro item da “pauta bomba”: a PEC 443/09, que “vincula os salários da Advocacia-Geral da União (AGU) a até 90,25% do subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal”.

Segundo o Ministério do Planejamento, o impacto da vendeta no Tesouro será de aproximados R$ 2,5 bilhões, pois o substitutivo aprova um efeito cascata que faz do Brasil uma espécie de Grécia dos trópicos, estendendo o benefício para delegados de Polícia Federal e Polícia Civil, procuradores estaduais e do Distrito Federal e Procuradorias Municipais de capitais e de cidades com mais de 500 mil habitantes. Uma lambança pouco antes vista, até pela sua inconstitucionalidade ao legislar para áreas reservadas a outros entes da Federação.

A Câmara Federal, não conhecendo o termo responsabilidade fiscal, deu de ombros aos apelos do vice-presidente Temer para que a PEC não fosse votada diante da “grave crise” que assola o país, expressão usada pela primeira vez por alguém de dentro do governo, o que já é um bom começo para sair dela, pois só se consegue equacionar um problema quando se reconhece, sem reservas, que ele existe.

Influenciou na aprovação da rave o motim que se formou durante a tarde de ontem (5), com o PDT e o PTB anunciando a saída do governo, o que já era um aviso de que as respectivas bancadas seguiriam as orientações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que maneja a Casa como um aríete contra os arcos do Palácio do Planalto e contou, na votação, com 44 votos da bancada do próprio PT.

Como a votação é em dois turnos, o estrago poderá ser remediado na segunda votação, ou ela poderá não ocorrer, pois é sabido que Eduardo Cunha quis mandar uma carta aberta ao Planalto: “eu tenho o controle aqui. Ou vocês dançam a minha música ou salve-se quem puder”.

Quem sabe, agora que o governo reconhece a gravidade da situação, não conseguirá encontrar um disco diferente. O problema é que do outro lado da praça mora aquele oficial do Encouraçado Potemkin, que quando o navio caminhava para a calmaria, pegou um rifle e matou um marinheiro, começando de novo a confusão, pois confusão, para algumas almas, é um método e não uma excepcionalidade.

Um comentário:

  1. Parsifal;

    O Cid Gomes então estava certíssimo.

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