17/07/2015

Um presidente na prisão

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O presidente Barack Obama, iniciando o plano de reforma do sistema prisional norte-americano, que tem a maior população carcerária do mundo (2,3 milhões de detentos), fez história ontem (16) ao se tornar o primeiro presidente dos EUA a visitar uma prisão.

Na prisão federal de El Reno, em Oklahoma, Obama, que vem defendendo o direito dos apenados de reingressarem na sociedade e no mercado de trabalho, criticou o sistema que “não recupera o cidadão”.

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Em um discurso corajoso e carregado de simbolismo, Obama disse que “conheceu jovens presidiários que tinham cometido erros parecidos com os que ele mesmo cometeu na juventude, com a diferença de que os presos não tiveram recursos para sobreviverem a seus enganos”.

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Na véspera da visita a Oklahoma, na Casa Branca, o presidente já tinha dito que “para muitos crimes não violentos relacionados a drogas as sentenças são completamente desproporcionais" e, ao emitir juízo sociológico sobre as penas opinou que “os presos também são americanos e não devem ser sujeitados a tratamento desumano”.

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A postura de Obama, que contou com a adesão do ex-presidente Clinton e da sua esposa Hillary Clinton, pré-candidata dos democratas à presidência dos EUA, inaugura o programa do partido na reforma do sistema prisional norte-americano, baseado em experiências de países da Europa que conseguiram baixar a criminalidade através de programas que diminuem e até extinguem a pena de reclusão.

Assim como no Brasil, a reclusão nos EUA tem um perfil fortemente excludente: 60% dos presos nos EUA têm origem hispânica e africana.

No Brasil, cerca de 60% dos presos são jovens pobres entre 18 e 29, ou seja, sem políticas criminais e penitenciárias consequentes, estamos jogando um significativo percentual da juventude no lodo, pois se os EUA, que têm um sistema penitenciário bem menos perverso que o nosso, conclui que é preciso modificá-lo para que ele seja reinclusivo, estamos nós, então, na pré-história do encarceramento, quando as prisões apenas realimentam o crime.

8 comentários:

  1. No Pará em 2012: 81% eram pretos e pardos; e 91% apenas com ensino fundamental incompleto. Certamente um dos piores perfis carcerários do país, que reflete apenas a realidade de uma sociedade com baixos indicadores sociais e com uma taxa de informalidade que beira a 73% da economia. Como essa massa toda sobrevive, senão atuando na ilegalidade?! Aí fica a pergunta, qual o custo de um preso à sociedade paraense. Segundo um funcionário do sistema de persecução penal o valor gira em torno de R$ 2.150,00/mês. Então fica fácil dizer que o maior investimento que o Pará tem feito nos últimos anos é na custódia de presos. Multiplica R$ 2.150,00 (custo/mês) x 14.000 (número de presos) x 4 anos de um PPA = 1 bilhão, duzentos e quatro milhões de reais. Uma pergunta deputado, essas comissões todas da ALEPA, em especial a de segurança pública, algum dia fizeram os cálculos de gestão da segurança pública e defesa social ou só alardam alguma coisa quando vêem oportunidade política? Amadorismo puro!

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    1. Esta é a tragédia contra a qual eu me bato há 20 anos: a caríssima retroalimentação do crime, através do sistema penitenciário. Infelizmente o único eco que tenho encontrado é que precisam ser construídas mais penitenciárias e "colocar todo mundo na cadeia". Alguns preferem que se cortem as mãos, os pés e a cabeça do delinquente.

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    2. Essa massa sobrevive da mesma forma que as outras 99% das pessoas sem instrução no estado: trabalhando de forma honesta.

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    3. e boa educação é um objetivo bom, é moralmente defensavel, mas vender a educação como um antidoto para a criminalidade é charlatanismo. Essa é a minha opinião, como o assunto é importante preciso ser claro.
      A maioria da população brasileira é pobre e morna, então é normal que na cadeia também sejam maioria, embora eu não ponho a mão no fogo pela justiça brasileira.
      O pobre também comete muitos delitos porque não tem bens que lhe possam ser tirados, quem tem bens já toma mais cuidado para não fazer nada que possa gerar processos. Em vilas de pobres o que não falta é gente "valente", não é verdade?
      É preciso afrontar a cultura do valente, do malandro, da violencia.

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    4. A educação não é um antidoto à criminalidade, apenas uma alternativa. É má educação, por exemplo, taxar de charlatão que tem uma opinião que não coincide com a sua. Você achar que "vender" educação como antídoto é charlatanismo e eu discordar de você, não me autoriza chamar você de charlatão, pois opiniões não são mercadorias falsas ou verdadeiras: são pontos de vista.

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  2. A classe média branca brasileira - que diz "bandido bom é bandido morto", "direitos humanos para homens direitos", que eleva os EUA o melhor lugar para morar - fica confusa com essa notícia.

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    1. conheço duas pessoas que acham que os bandidos deveriam ser mortos. Um gosta de dizer: abram as portas das cadeias, deixem fugir, e dái metralhem todos.
      Os dois são morenos. Então eu acho que isso é coisa da classe media morena...

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  3. posso matricular meu filho num presidio americano?? bem melhor que a escola dele aqui por essas bandas...

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