06/07/2015

“Um cristão evangélico que toca bateria”. Assim Eduardo Cunha é definido pelo Washington Post

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Pintado o sete no comando da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi assunto do Washington Post, um dos maiores jornais dos EUA.

Em artigo intitulado “Does Brazil’s new speaker of the lower house want the government to fall?” (O novo presidente da Câmara de Deputados do Brasil quer a queda do governo?), o Post traça o perfil de Cunha: “um cristão evangélico que toca bateria e tem sido comparado a Frank Underwood, o ambicioso político de ‘House of Cards’, da série do Netflix”.

Em uma casa de parlamentares ciosos da manutenção dos mandatos, quando surge um “cristão evangélico” com apetite para ditar a pauta a sua conveniência, não é missão difícil tocar a bateria.

Um ambiente parlamentar submisso e um governo descompensado faz de brigadeiro o céu de Cunha que, astuciosamente, investe diuturnamente contra o governo para ganhar mídia gratuita, pois causar desconforto ao governo é manchete certa.

A mídia no Brasil se comporta como se comportava nos EUA na época da disputa Kenedy versus Nixon: Kenedy fazia orgias na Casa Branca e as manchetes anunciavam bailes familiares, mas se Nixon desse um abraço mais apertado na esposa, dele, alguém o acusaria de pervertido.

O Post conta como Eduardo Cunha atropelou o regimento, coisa inimaginável em uma democracia madura, na votação da reforma política, quando tomou a pauta do relator e resolveu levar os pontos diretamente ao plenário.

A mesma truculência ocorreu na semana passada, quando Cunha, derrotado na primeira votação sobre a redução da maioridade penal, apresentou o mesmo tema logo após ter providenciado o “convencimento” dos 5 votos que faltaram, o que poderá custar a imprestabilidade da votação, caso a ilegalidade do procedimento seja levada ao STF.

Ouvido pelo Post, o cientista político da Universidade de São Paulo, José Álvaro Moisés, opina que “a oposição não está cumprindo bem o seu papel, então esse espaço está sendo ocupado pelo PMDB”. O professor Moisés deixou de observar, inobstante, que o PMDB “também” é governo, evidenciando uma babel político-institucional, forçando-me, sempre, a constatar que a crise tem maior peso específico político que econômico.

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Observa Moisés, ao Post, que a pretensão do PMDB em “desafiar o PT nas eleições presidenciais de 2018”, coincide com uma fase afirmativa do Congresso Nacional, que quer participar da definição da agenda do país.

Isso seria salutar se a afirmação congressual se fizesse por pautas republicanas, mas ela se faz através das mais velhas práticas de chantagem institucional, portanto, o comportamento parlamentar não mudou: apenas aproveita um governo fraco para arrancar dele uma pauta tradicional.

O Post reporta a opinião do professor de história da UFMG, Rodrigo Motta, sobre Eduardo Cunha: “ele tem como única ideologia o poder e faz carreira aliado ao pensamento conservador do brasileiro”.

É verdade que Cunha guinou à extrema direita a pauta da Câmara Federal e a comanda com um totalitarismo inimaginável no parlamento de um país democrático, mas esse tipo de comportamento só viceja, desculpem-se as exceções, em um parlamento desqualificado politicamente e intelectualmente despreparado.

11 comentários:

  1. logo tudo se acalma, assim que ele tomar a iniciativa de cassar a Dilma e o seu PMDB alçar ao poder máximo do país, o senhor mesmo será o primeiro a elogia-lo.

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    1. Não precisa ele fazer todo esse malabarismo para eu elogiá-lo. Não precisa sequer ele ser do PMDB. Basta fazer algo que eu julgue digno de elogios. Eu o elogiei, por exemplo, quando ele venceu a eleição para a presidência da Câmara, pois isso é digno de elogios.

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  2. parabens ao EDUARDO CUNHA ,pla corage de enfrentar esse governo,que tem como meta sufocar o trabalhador que produz,e alem do mais tem coragem de dizer na cara ate de seus correligionarios como fez com o senador barbalho; verdades que ele nao gosta de ouvir.

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  3. Com os cabelos perdidos e brancos os que ainda se encontram, posso afirmar que com o passar dos tempos, nunca vi parlamentos tão medíocres como os atuais, tanto na Assembléia Legislativa do Pará, Câmara Municipal como também na Câmara Federal. A culpa é deles? Não. A culpa é da forma e do processamento eleitoral, onde se elegem somente, os “paladinos da justiça” turbinados pela mídia (bancada da bala), os que têm bastante dinheiro para gastar nas campanhas, os líderes do corporativismo de igrejas cristâs evangélicas (bancada fundamentalista). Frutos da falta de educação política, e disto se aproveitam os oportunistas de plantão. Lamentável o retrocesso em nossas casas legislativas. Demagogia penetrante e abusiva na democracia.

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  4. O melhor seria um presidente da Câmara submisso ao Executivo? Como os outros? Não entendo porque o Legislativo ter pauta independente e contrária a presidente pode ser ruim. Em qualquer pais sério, é assim que tem que ser.

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    1. Não. Um presidente de qualquer poder legislativo submisso, como tem sido a prática no Brasil, é o pior dos mundos e torna a democracia uma farsa. Os poderes precisam ser independentes, mas harmônicos e ambos precisam zelar pela República e não pela mera manutenção do poder para exercê-lo como lhe aprouver. Ter poder não é problema, é a solução. O problema é como você o usa.
      Não, o poder legislativo independente não precisa ter pauta contrária à presidente. Não existem pautas contrárias à qualquer coisa e a crítica à Eduardo Cunha não são pelas pautas em si, mas como ele às conduz.
      A crítica à Campos não é pela sua independência, mas em como ele a exerce e para que e para quem ele a exerce.

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  5. O Brasil adora déspotas Parsifal. Estamos acostumados com os déspotas do executivo e agora temos um déspota no legislativo. E o pessoal, pelo visto, ainda não percebeu o que você acaba de escrever. O Eduardo Cunha não faz o que faz por ideologia ou porque é contra o governo, mas para chantagear o governo. E as pautas dele não é porque ele acredita no que faz, mas porque o assegura na posição de protagonista, já que a imprensa incensa qualquer um que bater no governo.
    Eduardo Cunha é o que de pior tem o PMDB. Aliás, são sempre os piores que tem sucesso na política.

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  6. Fazer deboche de um governo capenga é pura covardia, a Dilma já morreu e vai abraçada com o Lula. Que provocou isso foi o PMDB, que deverá ser enterrado também.

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  7. "Um cristão evangélico". É isso aí, apenas uma prévia de uma Brasil que caminha a passos largos para uma maioria cristã evangélica que apesar de não ser mate praticante, já é alguma coisa. Quem dera que ao invés de bares, boates, inferninhos, tivesse mais igrejas evangélicas. Se não fosse por elas, esse país já tinha explodido, aí sim, seria uma terra sem lei. A igreja é quem mais tira assassinos, viciados, traficantes das ruas desse país. Uma igreja tem maior capacidade de reabilitação de um criminoso do que qualquer presídio. Se tivesse investimento para evangelização, em pouco tempo, reduziríamos a criminalidade. Pensem o que quiserem, mas o Evangelho transforma vidas e o mundo precisa se curvar se não quiser perecer. Avante cristãos. Vamos tomar as rédeas dessa nação.

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    1. o que transfarma a vida das pessoas e de uma nação é a educação! religião é um ópio...

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    2. " Se tivesse investimento para evangelização..." Oi? Como assim? E toda a grana que abastece as polpudas contas bancárias dos pastores multimilionários? É intocável?

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