17/07/2015

Estado do Pará despendeu R$ 1,2 bilhão nos últimos quatro anos com custódia de presos

Shot 018

Aos que não acessam a caixa de comentários, que eu sempre digo que é a melhor parte do blog, abaixo, um comentário anônimo sobre o sistema penitenciário paraense:

No Pará em 2012: 81% eram pretos e pardos; e 91% apenas com ensino fundamental incompleto. Certamente um dos piores perfis carcerários do país, que reflete apenas a realidade de uma sociedade com baixos indicadores sociais e com uma taxa de informalidade que beira a 73% da economia.

Como essa massa toda sobrevive, senão atuando na ilegalidade?! Aí fica a pergunta, qual o custo de um preso à sociedade paraense?

Segundo um funcionário do sistema de persecução penal o valor gira em torno de R$ 2.150,00/mês. Então fica fácil dizer que o maior investimento que o Pará tem feito nos últimos anos é na custódia de presos.

Multiplica R$ 2.150,00 (custo/mês) x 14.000 (número de presos) x 4 anos de um PPA = 1 bilhão, duzentos e quatro milhões de reais. Uma pergunta deputado, essas comissões todas da ALEPA, em especial a de segurança pública, algum dia fizeram os cálculos de gestão da segurança pública e defesa social ou só alardeiam alguma coisa quando veem oportunidade política? Amadorismo puro!

Em todo o Brasil, o custo médio mensal por preso nos presídios estaduais, onde está a maioria dos apenados, em 2014, foi de R$ 1.750,00. Já com o sistema de ensino médio o custo ao mês por aluno foi de R$ 191,67, ou seja, gastamos com presos 800% a mais do que investimos em educação básica.

Qual é a foto? O Brasil investe muito pouco na educação básica e o gasto com o sistema prisional é absolutamente ineficaz.

Somos uns boçais.

9 comentários:

  1. os estados deveriam aceitar presidios privados. Também deveriam reivindicar a construção de mais presidios federais. Todo os presos por crimes relativos a drogas deveriam ir para presidios federais, eu penso.
    O governo federal tem mais recursos que os estaduais, então precisa ficar com amis onus.

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  2. em relação a "confissão" feita no final, peço a gentileza de me excluir... rs rs

    a conclusão de que investimos 800% a mais com os presos do que com a educação basica não está correta, na verdade um preso custa 800% a mais do que um aluno, porém o numero de alunos é muitas vezes maior do que o numero de presos, eu suponho.

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    1. O "nós" é Brasil, que em sendo uma das 10 maiores economias do mundo, e uma democracia em consolidação, permite a persistência de um quadro desse.
      Sim, de fato não está bem explicado. Faltou o "por indivíduo" no final.
      Claro que há muito mais alunos na educação básica do que presos, mas a comparação por unidade é válida para demonstrar o axioma do último parágrafo. Se o preço por preso estivesse sendo investido de forma eficaz, no mínimo os presídios poderiam ser escolas de ótima formação profissional, para que os apenados saíssem de lá, muito bem, formados e, a contrário senso, se a educação no Pará tivesse, nos últimos quatro anos, acrescido R$ 1,2 bilhão em investimento, os alunos teriam muito melhor condição de ensino.

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    2. alguns colegas de minha escola eram delinquentes e continuaram delinquentes, e era uma boa escola. Se bastasse ter boa escola com formação para evitar a delinquencia, não haveria o juiz Nicolau, não haveria advogados corruptos no congresso, etc.

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    3. Por favor, mostre-me onde está escrito aqui, ou em qualquer outra parte do blog, ou em qualquer revista ou jornal, que basta ter "boa escola com formação para evitar a delinquência".
      Como eu já lhe disse, boa escola não é garantia e sim alternativa. Boa formação é um conjunto de alternativas que a nação custeia através de impostos e a República deve oferecer através de serviços.
      Formação básica não deve ser excludente e se fosse você não estaria escrevendo aqui. Só o faz, porque a teve.

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    4. está escrito acima: "boa escola não é garantia e sim alternativa"

      então o senhor afirma que boa escola é alternativa. Apenas com base nisso, concluo que o senhor pensa que a boa escola substitui a necessidade de cadeias, é uma alternativa ás cadeias, ou por outra, precisariamos menos cadeias se houvesse mais boas escolas. Na verdade, esta frase "não é... e sim..." é estranha.
      O restante do seu ultimo post é dificil de entender.

      houve outro post mais claro no passado.

      fiz o ensino basico em colegio particular ligado a entidade religiosa, as vezes com ajuda de bolsa de estudo. As lesões nas aulas de educação fisica também são um fator para eu pensar que a frequencia não deveria ser obrigatoria, embora eu nunca tivesse pedido para não ir a escola. Sou contra o excesso de imposições, como no caso da proibição de lampadas incandescentes, a liberdade tem algum valor. Isto é coisa de politicos muito cheios de razão.

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    5. A sua conclusão é totalmente equivocada. Alternar não é substituir e pressupõe que as duas coisas são necessárias, pois se você tiver apenas uma delas essa unidade não mais pode ser uma alternativa e sim uma imposição ao nada.
      Você deve ter faltado muito nas aulas de interpretação de textos: devia estar lesionado pelas aulas de educação física.
      Eu fiz todo o básico em colégio público, onde não precisava ter bolsa de estudos.
      Liberdade não "tem algum valor". Liberdade tem todo o valor.
      A retirada das incandescentes não é "coisa de políticos muito cheios de razão" e sim uma decisão da ABNT, elaborada por técnicos que estudaram o consumo de energia e a repercussão disso na economia do país e concluíram que as lâmpadas fluorescentes compactas consomem 80% menos energia que as incandescentes, ou seja, é bom para o nosso sistema de geração de energia, que fica menos carregado e para o bolso do consumidor, que paga menos energia. Coisa de técnicos cheios de razão, que estudam demais e ficam se preocupando com a eficientização energética do Brasil.

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  3. a isto é tem uma reportagem sobre desvios na educação, só que no ponto em que a reportagem termina é onde deveria começar...
    http://www.istoe.com.br/reportagens/428067_EDUCACAO+SAQUEADA?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

    talvez o governo deveria ajudar mais o ensino prestado por colégios ligados a entidades religiosas.

    a convivencia com serpentes pode fazer com que elas pareçam boazinhas, talvez seja isso que faz muitos que militam na area penal serem tão generosos com os delinquentes, mas eu penso que mais da metade dos que pedem para investir mais em educação para investir menos em segurança não estão falando com sinceridade.

    nas escolas aparentemente acontecem coisas que as pollyanas não querem que sejam divulgadas, por exemplo brigas de faca, inclusive entre mulheres/meninas. Eu só leio esse tipo de coisas em jornais locais, mas deve acontecer em todo o país. As escolas precisam ter uma cota para professores do sexo masculino, tem professoras demais. Se considerar o que leio e o que passei na escola é preciso tirar a obrigatoriedade de os pais mandar seus filhos para a escola, não se pode obrigar alguém a mandar seu filho para um lugar em que ele vai ser maltratado e sofrer violencia, na minha opinião apenas 4 anos deveriam ser obrigatorios, já seria muito. Depois que o aluno aprendeu a ler e escrever, muita coisa pode ser aprendida com meios eletronicos.

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    1. Você tem uma leitura equivocada de quem milita na área penal. Os que nela militam, como eu militei por 20 anos, têm certeza de que delinquentes não são e não parecem bonzinhos. Eles são mais perigosos que serpentes venenosas, pois são dotados de inteligência e instinto, enquanto as serpentes só têm instintos.
      O que os criminalistas querem é dotar o sistema penitenciário de pedagogia e eficácia suficientes para tentar tirar o veneno das serpentes, ao invés de torná-los mais venenosos como o que ocorre hoje, póis serpentes podem ser mortas, mas gente não.
      Ninguém sugere tirar dinheiro de segurança pública para investir em educação. O que se sugere, na comparação de dados e valores, é que se invista mais em educação básica e se despenda com maior eficiência os investimentos em segurança.
      Desconfie quando o mundo inteiro pensa diferente de você: há chances de você estar certo e o mundo errado, mas as chances maiores são de você estar equivocado. Em todos os países do planeta Terra é obrigatório o ensino básico que, no Brasil, tem um mínimo de 8 anos como é na maioria dos países de primeiro mundo. Com apenas 4 anos de ensino básico, você não teria condições de entender o que consegue ler eletronicamente e com apenas 4 anos de ensino básico ninguém conseguiria desenvolver ciência e tecnologia suficiente para ter os equipamentos eletrônicos que fornecem informação hoje em dia. O mundo é ciência e tecnologia e exige cada vez mais da inteligência, que só se faz através de educação, básica, média, superior e pós superior. Aprender não se resume a ir à escola, tão pouco a aprender a ler e escrever.
      Só os gênios, que são exceção, conseguem sem isso e não devemos raciocinar pela exceção e sim pela regra.
      A violência escolar é o reflexo da violência das ruas e são exceções que devem ser combatidas e não motivos para não enviar alunos às escolas, pois a escola é um fato social como a moradia.
      Belém é uma das cidades mais violentas do mundo, mas moramos aqui. Temos que tentar mudá-la e não mudarmos dela.

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