09/07/2015

Bolsa chinesa perde o equivalente a 30% do PIB da China em três semanas

dragCom os olhos voltados à Grécia, que claudica entre a recorrência de Alex Tsipras e a inflexibilidade da troika, a imprensa e os economistas mundiais passam batidos por um tremor dez vezes maior na escala de Richter.

Trata-se da maior queda que a bolsa de valores da China já sofreu nos últimos 20 anos, culminando ontem (8) com um declive acumulado de 29% nas últimas três semanas.

Até ontem (8), 1300 empresas com ações negociadas na bolsa chinesa já acumulavam perdas de US$ 3 trilhões e suspenderam negociações. Para se ter ideia dessa grandeza, o PIB do Brasil em 2014 foi de US$ 1,7 trilhão, ou seja, em três semanas a bolsa chinesa acumulou perda similar àquilo que o Brasil produz de riqueza em um ano e nove meses.

Embora com economia superlativa (segundo maior PIB do planeta), o desaparecimento de US$ 3 trilhões em três semanas é um duro golpe no estômago do dragão, pois isso significa uma sangria de 30% no PIB chinês, que foi de US$ 10,3 trilhões em 2014.

A confusão é tamanha que o governo chinês, temendo uma septicemia, começou a comprar papéis, para não vê-los derreter, contaminando a economia interna que já dá sinas de fadiga.

Esse enxurrada é algo com o que o Brasil precisa se preocupar e acompanhar de perto, pois a nossa balança tem considerável teor de dependência da economia chinesa, e uma das coisas que devemos aguardar de imediato é a queda do preço do minério de ferro, ou seja, um soco no estômago do dragão atinge o nosso fígado.

Como a economia chinesa é fechada e controlada pelo governo, os analistas têm poucos dados para saber o que ocorre na China para tão severa retração da bolsa, mas é certo que não é possível culpar os especuladores internacionais, pois os investidores estrangeiros detêm apenas 2% das ações do país.

O meu palpite de economista de botequim é que a bolha chinesa, inflada desde 2007 com crescimento por decreto do PIB chinês, na base do cresce ou é fuzilado, começou a sofrer cansaço estrutural, não aguenta mais a pressão e caminha para estourar caso não parem de soprar.

É claro que o governo chinês não vai permitir o estouro e vai absorver a retração, mas se as escaramuças gregas não fazem banzeiro algum a não ser na própria Grécia, a absorção de US$ 3 trilhões de vento pelo governo chinês terá repercussão externa.

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