11/05/2015

Lex talionis

Não é só no Brasil que as pesquisas eleitorais fazem mais água do que permitem as goteiras das margens de erro.

Aquelas divulgadas no decorrer das eleições britânicas indicavam que seria a mais apertada disputa entre os conservadores e trabalhistas de todos os tempos e que nenhum faria maioria suficiente para formar um gabinete.

Até as pesquisas de boca de urna ratificaram as anteriores. Mas quando a apuração avançou, constatou-se que os conservadores fizeram a maioria absoluta das 650 cadeiras do Parlamento e David Cameron continuará morando no 10 da Downing Street, a residência do Primeiro Lorde do Tesouro, nome oficial do cargo de primeiro-ministro.

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E por incrível que possa parecer para nosotros, o principal discurso de Cameron foi a rigidez econômica, apertando ainda mais o arrocho fiscal ao qual a Inglaterra vem sendo submetida pelos conservadores: a Doutrina Thatcher.

O Partido Trabalhista não só perdeu a eleição como viu o seu número de cadeiras diminuir em 25 assentos, o que levou o líder, Ed Milliband, que concorria com Cameron, a renunciar à liderança diante da derrota.

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O jornal britânico “Independent” acusa que "praticamente todos os levantamentos nas últimas semanas estavam errados", e pergunta o porquê.

O presidente do YouGov, um dos mais tradicionais institutos de pesquisa da Inglaterra, culpa o eleitor: "O que parece ter dado errado é que as pessoas disseram uma coisa e fizeram alguma coisa diferente nas urnas".

Alberto Nardelli, do “Guardian”, segue a mesma lógica: "simplesmente, pode ser que as pessoas mentiram aos pesquisadores, tinham vergonha ou que, genuinamente, mudaram de opinião no dia da eleição".

De repente, os eleitores resolveram se valer da Lex talionis, a Lei de talião, lavrada nos idos de 1780 a.C no Código de Hamurabi, regendo que quem faz recebe em dose idêntica (talis=tal), de onde também surgiu o termo retaliar.

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Ou seja, como os políticos sempre dizem uma coisa e fazem outra, os eleitores resolveram, idem, agir da mesma forma.

3 comentários:

  1. Muito bom esse texto com frases cheias de humor...gostei muito

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  2. Talvez seja isso, mas pode ser que seja aquela velha estória do querer mudança e lembrar que tem um preço. A exemplo do referendo sobre a independência da Escócia da Grã-Bretanha, a maior parte da população queria ser independente, aliás isso é centenário, mas não queriam perder as vantagens, principalmente econômicas. Decidiram permanecer, pois é muito pior quando dói no bolso.

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  3. Edir Veiga fazendo escola nas oropas kkkkkk

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