08/05/2015

Juntos e misturados

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Só para ficar entre os dois protagonistas do maniqueísta antagonismo que sequestrou a política nacional, as prestações de contas eleitorais da eleição presidencial de 2014 do PT e o do PSDB revelam que os dois foram os destinatários da maior parte das doações das empreiteiras investigadas na operação Lava Jato.

Os dois partidos, juntos, receberam do "clube", por suposto presidido pelo diretor-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, R$ 78 milhões, por dentro. Será que houve algum por fora?

No caso do PT, 30% das doações feitas ao diretório nacional vieram do “clube”; no caso do PSDB, as mesmas fontes doaram 42% do total arrecadado pelo diretório nacional.

Em termos absolutos, todavia, embora com percentual menor, o PT recebeu mais porque o total arrecadado foi maior: a UTC, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS, Engevix e Odebrecht, juntas, depositaram R$ 55,6 milhões na conta do partido, de um total arrecadado de R$ 191,5 milhões.

O PSDB, demonstrando que mesmo fora do governo consegue descontar as suas duplicatas, recebeu do “clube” R$ 22,3 milhões de um total de R$ 52,1 milhões arrecadados pelo diretório nacional.

Os tucanos e simpatizantes, com o cinismo que lhes é peculiar – entendam esse cinismo não como um substantivo, mas como um assincronismo – podem dizer que os milhões doados ao PT foram propina legalizada, saída da algibeira da Petrobras e que a parte que coube ao PSDB foi mera liberalidade dos empreiteiros, saída dos seus próprios embornais.

Isso me remete a minha infância. O meu pai tinha um armazém e o caixa era uma gaveta larga, dividida internamente em quantos compartimentos fossem os produtos comercializados. Se ele vendia um saco de trigo, o dinheiro ia para o compartimento do trigo e assim com os demais produtos. E ai de mim se misturasse os alhos com os bugalhos. Eu perguntava se tudo não era dinheiro e ele retrucava que não: dinheiro de trigo era de trigo, de arroz era de arroz, de feijão era de feijão.

Vá ver que os empreiteiros da Lava Jato tinham compartimentos nos bolsos, separando a propina eleitoral da civilidade gentílica.

Mas fora esse quê de organização e métodos que o meu pai praticava, que pode ser a cínica defesa do PSDB, os executivos gentilmente obrigados pelo juiz Moro a fazerem delação premiada, declararam em juízo que as doações aos partidos vinham, todas, de um só compartimento da gaveta: o esquema de propinas. O que reduz todo mundo a receptador de má fé.

17 comentários:

  1. fico buibando na seguinte questão...temos pouco mais de dois lados na política..e se quase todos berram que o outro é corrupto..como será possível alterar esse assalto ao bolso daqueles não estão de um lado ou do outro..continuando a bubiar....penso que só na próxima geração..será?

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    1. Temos que aguardar mais duas gerações, se a vindoura fizer as mudanças necessárias.

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    2. Antonio A. L.08/05/2015 11:21

      É aquilo: O político quando tá fora do poder acusa quem tá no poder de ser incompetente, corrupto e larápio. Quando quem acusa assume o poder prova aquela teoria.

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  2. Parsifal;

    Tornou-se impraticável qualquer debate sobre corrupção no Brasil; pois todos os partidos são farinha do mesmo saco e o dinheiro deles vai para o mesmo quarto de gaveta: o da farinha (bichada). Aquele vereador do PMDB em Parauapebas resumiu tudo numa frase: "quem não se corrompe não consegue viver do salário do cargo".

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    1. O dito vereador não é do PMDB. Saiu do partido no mandato passado.

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    2. Com o preço das campanhas políticas nos cornos da lua..é lógico que muitissimos poucos poderão exercer seu mandato sem restituir em dobro ou triplo ou quádruplo sei lá..a quem neles investiu..daí é preciso começar fazendo alguma coisa...já... o quê...não tenho a menor idéia!

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    3. Só uma pequena obervação: o badalado vereador de Parauapebas, dos vídeos, Sr. Odilon, de cinco mandatos, sempre militou no PMDB, foi eleito pelo PMDB em 2012, mas migrou para o SDD, assim que este foi criado. Odilon e o vereador Devanir conseguiram convencer mais cinco vereadores que seria bons fazer a maior bancada da Câmara. Os cinco novos e inexperiente vereadores caíram no conto e também migraram para o SDD, que nasceu com sete vereadores em Parauapebas, dos quinze existentes.
      Joaquim Luis.

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    4. O vereador de Parauapebas era um santo, só foi sair do PMDB que virou corrupto, como ele mesmo disse.

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    5. Não existem santos na Terra e muito menos na política.

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  3. Como disse Paulo Roberto Costa ninguém faz doação de campanha sem querer algo em troca. Claro que as empreiteiras doam para todos aqueles que tem alguma possibilidade de vitória, sejam os partidos que estão no poder ou aqueles que podem chegar ao poder, até mesmo por uma "política de boa vizinhança". Mas uma coisa é certa esse investimento feito pela empreiteiras, para quem quer que seja, tem retorno garantido.

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  4. Fatima Bernardes acaba do colocar o caso do vereador no programa dela.

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  5. Odilon Rocha, líder do Governo na Câmara. Considerando o DNA político deve ser o próximo candidato a prefeito pelo PMDB.

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  6. Francisco Márcio08/05/2015 14:06

    Vossa Excelência certamente tem muito à dizer, afinal, foi coordenador da derrotada campanha ao Governo Estadual do PMDB. Conte pra nós, conte... regionalmente como foram as contribuições. "Será que houve algum por fora"?

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    1. Eu te falei que tens uma visão pessimista. A minha visão é a seguinte: nós vencemos a eleição no primeiro turno, então nós somos muito bons, e só não estamos no Palácio dos Despachos porque o Jatene venceu a eleição no segundo turno, portanto nós não fomos derrotados, mas a eleição empatou e nós vamos desempatar na próxima.
      Quanto às contribuições, imagine, nós só recebemos por dentro e quem quis dar por fora colocamos pra fora.

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    2. Francisco Márcio08/05/2015 17:44

      Tenho que confessar ( com todo respeito ) V. Excelência é hilário... "Ganhei no primeiro turno"... O quê? Ganhou o quê? Ganhou: o desemprego. Ficou sem Assembleia Legislativa, Câmara Federal, Chefe da Casa Civil...
      Mas um detalhe: sua súcia vai ter que aguardar para desempatar, na próxima, o pescador (ops!), o Governador, não pode concorrer.
      Quanto as contribuições: eu juro pela fé da mucura que acredito em suas palavras...

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    3. Para você ver como pensamos diferente. Eu só vejo as coisas como elas são melhores para mim, assim eu jamais fico alquebrado e sempre estou pronto para o que vier.
      Mas vá ver que não há diferença e você, idem, deve ver as coisas como são melhores para você. É só uma questão de ponto de vista, afinal, como disse o Einstein, tudo é relativo.

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    4. A última eleição foi um empate que o Jatene venceu e o Hélder ganhou.

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