14/05/2015

Brasil, pátria educadora

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Em uma visita à Novo Nordisk, na Dinamarca, uma das maiores produtoras de medicamentos para diabéticos do mundo, perguntei à pessoa que nos acompanhava se a indústria farmacêutica era o principal PIB do país.

Incontinenti, ele respondeu que não. Perguntei qual era o referido produto e a resposta, para mim, foi uma surpresa. O meu interlocutor encheu o peito e disparou: inteligência.

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Aquiesci, pois é a inteligência que elabora o que as mãos humanas tornam concreto, e a riqueza, assim como a forma com que ela se distribui em um país, está intrinsecamente ligada ao nível do ensino provido. Educar e formar é prover o ser humano de inteligência.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou ontem (13) a edição de 2015 do ranking da educação mundial.

Nesta edição, a OCDE ampliou a base de pesquisa, antes majoritariamente conscrita aos seus membros (34 países), avaliando o setor educacional de 76 países, dentre eles o Brasil, que amargou classificação vergonhosa: a 60ª posição dentre os 76.

Os cinco primeiros do ranking são asiáticos: Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul, Japão e Taiwan.

E completam os dez primeiros a Finlândia, a Estônia, a Suíça, a Holanda e o Canadá.

A surpresa veio com os EUA, que aparecem na 28ª posição, muito atrás do Vietnã, por exemplo, que ficou na 12ª.

O ranking da OCDE se estabelece, dentre outras avaliações, a partir dos resultados do PISA (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que carrega em testes de matemática e ciências.

A propósito - nestes tempos de radicalização das greves docentes em todo o país - não é possível estabelecer melhora de ensino sem investimento na rede física e no conforto salarial do docente, os dois principais pontos das greves.

Um relatório publicado em abril desse ano joga luz em uma das causas da péssima posição do Brasil: a Gems Education Solutions, com sede em Nova York, que também avalia o ensino globalmente, colocou o Brasil entre os países que mais mal pagam os professores.

No relatório da Gems, o Brasil também está entre os países que formam maiores turmas por sala de aula, e é sabido que quanto mais alunos por sala menor é a produtividade do ensino.

A nossa média é de 32 alunos por sala. O Chile, por exemplo, tem média de 27 e Portugal 8 alunos por sala.

A OCDE traz uma observação ao Brasil: citando o caso de Cingapura, que era um país de analfabetos na década de 60, se nós investirmos, mesmo, em educação básica e colocarmos todos os adolescentes de até 15 anos em condições matemáticas e científicas de paridade com os melhores rankings, isso, por sí só, seria capaz de fazer o PIB nacional ser multiplicado por 7 nas décadas seguintes.

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Era nisso que eu batia, apoiando integralmente a presidente Dilma, quando ela defendia que 100% dos royalties advindos da exploração do Pré-Sal fossem obrigatoriamente investidos em educação: transformaríamos petróleo em inteligência.

O Congresso Nacional não quis e isso é mais um índice do que eu venho comentando há algum tempo: é fato que alguém desligou o interruptor da inteligência por lá.

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16 comentários:

  1. A questão no Brasil...é o anafabeltismo mental...

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  2. a educação não gera tantos beneficios como apregoam. Pensar que a educação traz milagres é semelhante a pensar que a distribição de ternos e gravatas entre os pobres iria fazer seus rendimentos irem as nuvens, pois as estatisticas provam que quem anda de terno e gravata tem nivel economico muito melhor do que quem anda com roupa ruim e chinelos. É um grande e lamentavel engano, deputado.
    A educação só tem papel seletivo, isto é, em nosso meio, quem mais estuda tem geralmente melhores empregos, mas se todo a massa chega a um certo nivel, não adianta mais, balconista de farmacia formado em sociologia não vai produzir mais do aquele que compeltou apenas o primeiro grau.
    Há que olhar as peculariedades de cada pais, em cingapura, por exemplo, houve fuzillamentos em massa de corruptos, inclusive de pessoas ricas de familias importantes. Há que se olhar a cultura de cada pais, geralmente a maior escolaridade é consequencia de fatos culturais, e não o contrario.
    O brasil deveria evitar o erro de formar milhões nos cursos superiores, quando os empregos disponiveis não exigem isto. Advogados se houvesse apenas um terço seria melhor para o progresso e bem estar do povo, he he...
    os fanticos da dilma deveriam mostrar a dicotomia do politica financeira com a politica educacional, emprestaram muito dinheiro para construir predios, mas o pessoal beneficiado pela politica educacional não quer trabalhar na construção civil, enquanto para empresas que trabalham para a petrobras a caixa nada emprestou,nos ultimos anos, ficaram so no papo.
    não é brincadeira, deputado penso realmente que o brasil deveria gastar mais em presidios, melhora de leis e questoes ligadas a segurança fisica das pessoas e seg.patrimonial, do que investir em educação.
    se apenas construissem presidios em lugares afastados onde não há sinal de celular já melhoraria a segurança, parece que é proibido construir presidios em lugares afastados de centros urbanos.
    Cada vez mais as pessoas tem condições de aprender tudo por conta propria.

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    1. Aí está o seu comentário publicado. Permissa maxima venia, todavia, discordo de absolutamente tudo do que você escreveu.
      (Distribuir ternos e gravatas aos pobres, e nem aos remediados ou ricos, não os torna aptos à competitividade microeconômica, mas distribuir educação, com certeza, sim. A sua comparação estatística é absurda para o que se propõe, porque é absurdo achar que eu vou me tornar um guerreiro samurai no exato momento em que empunhar uma espada katana. A minha educação como samurai pode me fazer apto a manejar a espada e o processo educacional, está provado, incrementa o PIB de um país, pois dá aptidão aos seus cidadãos para progredir)
      Não há país no mundo que possa se desenvolver - os 10 mil anos de história documentada da civilização comprovam isso - sustentavelmente, sem um processo educacional eficiente.
      Não está pregado que todos devem ter curso superior, pois isso é impraticável. Precisa-se de pessoas com capacidade básica de discernimento médio e isso só se consegue com educação e formação básica e foi isso que buscaram, e conseguiram, os países que estão hoje no topo.
      Cultura é algo totalmente diferente de educação: aquela é local e regional, essa é universal. Aqui na Amazônia alguns acreditam que o boto se transforma em um homem, na Islândia é uma foca que se transforma em mulher; no Brasil sentar e cruzar as pernas é normal, em qualquer país árabe é falta de educação e respeito; mas tanto no Brasil, como na Islândia quanto nas arábias, um triângulo equilátero tem três lados iguais, o fígado do chinês fica exatamente no lugar em que fica o do brasileiro, a aceleração da gravidade é a mesma no Sudão e no Equador e a fórmula da relatividade elaborada por Einstein tem a mesma validade na Nigéria quando nos EUA, portanto, o processo científico educacional é universal e você só conseguiu elaborar o seu pensamento e escrever o que acha, porque foi educado formalmente e só terá condições de entender e retrucar o que está escrito alguém que, em qualquer parte do mundo, tenha recebido princípios básicos educacionais.
      A postagem e o relatório não tratam de pós-educação ou doutoramentos: estamos péssimos no básico (!) e se assim estamos não tem presídio e nem fuzilamento que nos resolva o impasse.
      É possível que você esteja certo, mas aí, o resto do mundo civilizado, inclusive os países que estão no topo desse ranking, estão completamente errados, pois todos, embora com culturas completamente diversas, investem mais que 30% do PIB em educação e consideram isso assunto de interessa nacional.
      Para mim, educação é a essência de tudo. Ela é muito mais do que se apregoa. Ela é a libertação do ser humano e a alforria do cidadão.

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    2. a parte util da educação basica é o alfabeto, portugues e matematica. Note-se que muitos são ruins nessas materias, mesmo depois do curso superior concluido, nesses casos de pouco serve a educação. O resto do que se ensina é de pouca utilidade.
      Sua resposta esta bem elaborada, faz pouco tempo que eu sei o que é maxima venia, não aprendi na escola...
      Certo dia numa pensão barata vi um sujeito mexer com substancias e como gosto de quimica fiquei curioso, para iniciar uma conversa afirmei: é trabalhando que se vai para a frente,não? ele respondeu: "sim, pois se não trabalhar, a policia vem atras". As pessoas humildes tem respostas rapidas... o que vale para o bem e para o mal. Então cheguei a conclusão de que um sistema policial e de segurança eficiente estimula as pessoas a se preparar para conseguir um trabalho honesto, enquanto um sistema permissivo faz com que um monte de gente bata as portas dos traficantes para conseguir serviço.
      Em tempo: o sujeito tinha tubulões que pareciam xampu, mas era para espantar moscas, ele disse que os vendia para donos de bares e criadores de frangos. Ele comprava tubulões e colocava em garrafas de 2 litros.

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  3. imaginando que o pre sal rendesse a decima parte do que os sonhadores esperam, se tudo isso fosse aplicado em segurança publica, a educação melhoraria muito mais do que se tudo fosse aplicado na educação.
    A aplicação das leis educa (no sentido moral), os conhecimentos praticos para o mercado de trabalho cada um pode adquirir por sua conta, e muito melhor do que nas escolas dirigidas pelas mentes de esquerda, que formam gente que se acha e na verdade não sabe nada.

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    1. Você está confundido alhos com bugalhos. Aplicação de leis é um princípio formal e não moral.
      "Conhecimentos práticos para o mercado de trabalho cada um pode adquirir por sua conta" (?!). Você está inferindo o autodidatismo a uma regra e isso é impraticável porque ele é uma exceção, pois o conhecimento não surge como um passe de mágica: a mágica já tem que ter sido feita antes por alguém, que formal e cientificamente elaborou e gerou aquele conhecimento.
      Mas até mesmo para que você, a partir de um certo ponto, seja um autodidata, e isso é referente, você tem que ter antes tido formação básica para aprender a racionar, exercitando a sua inteligência, treinando-a para que a sua mente passe a elaborar o conhecimento que você instala nela.
      Não se iluda, investir em segurança é necessário e é uma das tarefas no estado, pois a violência é um substrato da sociedade. Mas o investimento em segurança é enxugar o chão e investimento em educação é consertar as goteiras e fechar as torneiras, para que, cada vez mais o chão fique menos molhado.

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  4. para serviços como pedreiro, servente de obras, faxineiro, padeiro e muitos outros o aprendizado é feito fora da escola. É preciso preparação também mas obtem-se fora da escola.
    na espanha, o desemprego é grande, e há muita gente com formação universitaria desempregada, que não aceita os empregos existentes. Menciono a espanha porque li a respeito, nós estamos trilhando esse caminho.
    a escola brasileira desconfio que está estragando os jovens. O problema maior é que esse problema ainda não foi reconhecido. Só os episodios de violencia de que li na imprensa já justificam a meu ver que a obrigatoriedade do ensino seja reduzida para os primeiros 4 anos.
    Quando falo em cultura, incluo a vontade de trabalhar que existe em muitas culturas, a vontade de trapacear que existe em algumas, tudo isso tem implicações exonomicas, o carater prestativo de alguns, a alergia a ser prestativo em outros.
    Muito bem escrito seu ultimo seu ultimo paragrafo, mas me parece que a realidade é diferente, os caras vão pro trafico e banditismo porque o retorno é bom e os riscos parecem baixos, o bandido tem glamour.

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    1. Você continua confundindo os alhos com os bugalhos. Só se aprende educando.
      Não basta alguém estalar os dedos na frente de uma pessoa e gritar "pedreiro" que essa pessoa se transformará em pedreiro. É preciso um processo de aprendizado para isso e quanto mais esse processo de aprendizado for aprimorado formalmente, mais o país terá pedreiros qualificados e a mão de obra da construção civil vai se qualificar, diminuindo o desperdícios e portanto custos, tornando o país cada vez mais competitivo.
      E é assim como toda a área técnica, pois para que um pedreiro se aperfeiçoe na sua técnica ele precisa ter uma educação básica e fundamental precisa.
      E para que se formem pedreiros e tenham em que trabalhar, precisam-se de pessoas que tenham cursado grades superiores para formar aqueles que irão formar os pedreiros (não funciona estalar os dedos).
      E para que as técnicas construtivas se aperfeiçoem é preciso investimento maciço em educação. Nna China se constrói um prédio de 20 andares em 1 mês e a tecnologia chegou a um grau de avanço significativo porque eles investiram em educação. E por tudo isso eles são o segundo PIB do mundo, pois transformaram inteligência em força motriz da economia.
      Você continua cometendo outro erro crasso: tratar de forma excludente educação e segurança. Investimentos em segurança têm que haver, assim como em educação e educação não significa permissividade e sim cidadania. Em todos os países em que houve investimento maciço em educação a segurança aumentou e nos países que investem pouco em educação a segurança diminui.
      Observe as estatísticas de segurança nos países que estão no topo do ranking e verá que os índices são baixíssimos.
      O tráfico não tem glamour em parte alguma. Ele apenas aproveita o baixo nível de escolaridade dos seus potenciais distribuidores para lhes prover com o crime o que um processo educacional básico e consequente poderia prover de forma inclusiva.
      A única alternativa sustentável para o Brasil romper a barreira na qual se encontra é educando o seu povo para ser gari, pedreiro, carpinteiro, balconista, advogado, engenheiro, cobrador, físico nuclear, ou que os valha. A outra alternativa, sugerida pelo professor Bok, nós já vivemos: a ignorância.
      A educação é o alicerce de qualquer nação. Sem ela o prédio fica penso ou cai.

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  5. Pelo amor de Deus!!!
    Como eu pude ser tão ingênuo ao ponto de jamais esperar um posicionamento como o desse anônimo??
    O incrível é que ele acredita mesmo no que escreve, sem perceber que o quanto a sua percepção é confusa.
    Ele não percebeu que é um mero produto daquilo que defende: a ignorância.

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  6. Faço questão de "printar" esses comentários, para lê-los todos os dias e jamais esquecer da minha pequenez no que se refere àquilo que o ser humano pode produzir como pensamento.

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  7. O Anônimo que colocou seu ponto de vista acima é um exemplo de uma mentalidade ignorante, fruto de uma falta de instrução educacional.
    Concordo plenamente com o sr. Parsifal, a educação é a chave para se alcançar um país melhor de se viver.
    André Leal - Tucuruí

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  8. Parsifal, tu tens muita, mas muita, paciência mesmo. Gostaria de ter sido teu aluno. Porque se eu fosse tu eu nem publicava esses comentários desse cara que acha que é melhor construir presídios e que educação não é fundamental. Isso não merece nem ser publicado e tu ainda perde tempo respondendo.

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  9. Parsifal, tu tens muita, mas muita, paciência mesmo. Gostaria de ter sido teu aluno. Porque se eu fosse tu eu nem publicava esses comentários desse cara que acha que é melhor construir presídios e que educação não é fundamental. Isso não merece nem ser publicado e tu ainda perde tempo respondendo.

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  10. a intolerancia e a presunção de donos da verdade de alguns acima não é surpresa para mim, é um problema intrinseco a humanidade que a escola deveria diminuir mas não se esforça para tal.
    Certa vez na escola fui o unico a acertar uma questão de analise sintatica, tudo mundo achava que era objeto direto e só eu acertei que era sujeito. Na vida é diferente, a maioria impoe o certo, e muitas vezes o certo da maioria está errado, aí está um motivo porque muita gente vai bem na escola mas não tão bem na vida.
    ao andar na rua hoje, achei que tenho que fazer um pequeno reparo: para crianças pobres longe de centros urbanos, com pais semi analfabetos ou muito ocupados com o duro trabalho, a escola nos seus primeiro anos é muito importante.
    Eu apostaria que em todos os paises onde os alunos tem bom desempenho se o desempenho for calculado por um orgão independente, em todos eles a escola é seletiva e exigente, ao contraio do que ocorre aqui. Na alemanha separam as turmas em 3 niveis conforme o desempenho.
    na china pelo que li realmente a construção civil uso metodos industriais, mas espero que não apliquem aqui alguns a respeito dos quais li. Aqui nas imediaçõs há falta de pedreiros, não há curso de pedreiro, todos aprendem na obra, se a escola formal formasse pedreiros seria bom, eu acho que a escola deveria fazer algo mais para preparar as pessoas para fazer trabalhos de pedreiro, jardineiro, instalador hidraulico desde a mais tenra idade. Li que Chavez teria dito:" nem todos podem ser medicos,engenheiros e advogados, por isso a escola deve desenvolver as habilidades manuais das crianças". Fazer cartazes não é o suficiente, digo eu.

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  11. o nosso amigo ai tem uma visão strictu senso de educação...para ele educação é se formar na faculdade! quando na verdade, o que precisamos é educação básica, e formação tecnica...acredito tambem que precisamos atualizar os conteudos da educação basica, colocando materias como educação financeira basica, por exemplo...mas sem duvida educação é o que impulsiona um povo

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  12. Vocês aidna tão perdendo tempo com esse idiota!? O cara só que mesmo polemizar.

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