10/04/2015

O mensalão revisitado

No 11ª capítulo da novela Lava Jato, denominado “A Origem”, foram presos na manhã de hoje (10) os ex-deputados André Vargas (ex-PT), Luiz Argôlo (SD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE). Esse é condenado no mensalão e cumpre pena no regime semiaberto.

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Com as prisões, a Lava Jato extrapola a seara da Petrobrás e atravessa para os contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde, onde o doleiro Alberto Youssef também circulava. Aliás, se o novelo desenrolar mais, constatar-se-á que Youssef frequentava até a sacristia das igrejas para conferir as ofertas da missa.

Acusam-se os três ex-deputados dos mesmos crimes que outros indiciados já respondem no escopo da Petrobras: organização criminosa, formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e tráfico de influência, todavia, as práticas agora seriam, por suposto, perpetradas na CEF e Ministério da Saúde, através de agências de publicidade.

O esquema com as agências, segundo a PF, seguia o mesmo padrão que foi usado no mensalão, que levou vários ex-políticos para a prisão e encarcerou, em pena máxima, o “Youssef do mensalão”, o publicitário Marcos Valério.

O esquema de transferência de dinheiro através de empresas de publicidade é um dos mais usados no Brasil. Se um pente fino for passado em todos os entes federativos e empresas públicas que fazem propaganda, fingindo que promovem publicidade institucional, piolhos cairão aos cântaros e quem sobrar deverá ser canonizado imediatamente pela Santa Sé.

A propaganda institucional, caríssima mazela que poucos países democráticos ainda praticam e do que o Brasil abusa, é um dos maiores sorvedouros do erário e um dos mais férteis pastos da corrupção. 

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