07/04/2015

Dama na 5 da Torre do Rei

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A presidente Dilma resolveu dar ouvidos ao ex-presidente Lula e começou a trabalhar para substituir as peças da articulação política do Palácio do Planalto com a Câmara e o Senado.

Começou pelo mais fácil, que foi estorricar o ministro ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, ao convidar, ontem (5), para substituí-lo, o atual ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB).

Eliseu Padilha, como Pepe Vargas, é deputado federal já de longo curso, mas o que o diferencia de Vargas é a desenvoltura com que poderá trafegar na Câmara Federal, estabelecendo um diálogo menos ineficiente do que aquele que o Planalto trava hoje, e a peça de resistência do Dilma 2, o ajuste fiscal, não sairá minimente eficaz do Congresso Nacional se não for providenciado um meio de campo que poderá ser jogado por Padilha.

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Eliseu Padilha, após o convite, que se tornou público porque a presidente assim o quis, fez charme à imprensa e disse que iria reunir com a cúpula do PMDB para discutir o convite. Não seria elegante, não aceitar, pois isso colocaria a presidente em uma situação delicada e o próprio Padilha passaria a não se sentir bem na pasta que hoje ocupa, por ter recusado um convite da presidente para se mudar para o Palácio do Planalto.

O deslocamento de Padilha para a Secretaria de Relações Institucionais poderia ajudar o governo a resolver um dos seus impasses com o Senado, leia-se Renan Calheiros, que reinou quando viu a posição do seu indicado para a pasta do Turismo, Vinícius Lage, ser ameaçada pela vontade da presidente Dilma de colocar o ex-presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB), naquele ministério.

Em vagando a pasta da Aviação Civil, Dilma poderia acomodar Henrique Alves nela e manter Vinícius Lage no Turismo, o que poderia arrancar um sorriso do presidente do Senado.

Inobstante, a ida de Padilha para a sala ao lado da presidente, pode aumentar o abespinhamento do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que se posiciona em um grupo, dentro do PMDB, que disputa hegemonia partidária com a posição do vice-presidente Michel Temer, que estaria fortalecido com o novo endereço de Padilha.

Para manter Eduardo Cunha administrado, o Planalto precisaria, pronto, acomodar Henrique Alves no Turismo, mas isso só ocorreria se Renan Calheiros fosse convencido a aceitar o deslocamento de Lages para a Aviação Civil, o que poderia ser a primeira missão de Eliseu Padilha, caso ele aceite, como ministro-chefe da secretaria de Relações Institucionais.

O fato é que a presidente Dilma se acha em estreitíssima margem de manobra, vítima de um equivocado presidencialismo de coalizão que chegou ao seu limite, e sem o apoio das ruas não tem fio na espada para desmanchar o nó górdio, decepando-o, portanto, terá que ter paciência para desatá-lo dentro da própria coalização.

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