08/03/2015

Por causa da mulher…

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Para quem não leu ainda, pois me referi à ela em 2014, Hipátia de Alexandria viveu do início da segunda metade do século IV d.C, até a primeira quinzena do século V d.C. Foi a primeira mulher documentada como sendo matemática.

Mas a matemática não lhe bastava: chefiou a escola platônica de Alexandria, lecionou filosofia e astronomia e era uma pessoa politicamente influente na cidade.

Além de intelectual, Hipátia era uma atleta e seguia rigorosamente a máxima helenística da “mente sã em corpo são”.

Na tarde de 08 de março de 415, quando voltava do Museu de Alexandria, onde lecionava, Hipátia foi atacada por uma pequena multidão de católicos ortodoxos e levada para um templo católico, onde foi torturada e brutalmente assassinada.

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Os historiadores da época creditam o assassinato de Hipátia à forte ligação dela com Orestes, o prefeito de Alexandria, que, dias antes, enfurecera os católicos da cidade com a ordenação da execução de Amónio, um monge cristão.

O linchamento de Hipátia teria sido incitado pelo bispo de Alexandria, Cirilo, (alguns historiadores discordam da tese), como uma retaliação pela morte do monge. Deve ter pesado na fúria dos católicos o fato de Hipátia criticar abertamente qualquer religião dogmática como um engodo cultural.

O diretor espanhol Alejandro Amenábar fez o filme “Ágora”, no Brasil “Alexandria”, no qual Rachel Weisz faz o papel de Hipátia.

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Mas o dia do assassinato de Hipátia, 08 de março, não foi a razão para a escolha desse dia com o Dia Internacional da Mulher. Referi-me a ela para homenagear as mulheres, que em muito têm contribuído para o progresso da ciência e pouco têm sido reconhecidas em um mundo que ainda pratica, todos os dias, o linchamento do sexo feminino, seja através de violência física, psicológica ou pela discriminação de todo tipo.

Destarte os excessos da testosterona masculina, a mulher se impõe cada vez mais em todos os segmentos e o mundo será melhor na direta proporção da influência feminina nele.

Não que se deva pregar um mundo feminino, pois aí estaríamos cometendo o mesmo erro de caminhar pelos extremos: a influência feminina deve trazer o equilíbrio necessário para que possamos obter um mundo de tolerância, paz e prosperidade.

6 comentários:

  1. Patricia Bittencourt Neves08/03/2015 19:41

    Você é 10! Concordo plenamente, infelizmente poucos homens fazem esta leitura!

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  2. levei e publiquei no facebook......as meninas de lá adoraram....

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    1. Olá Virgílio. Não sei se está no Rio. Chego em Belém na sexta.

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  3. Estou em Belém..e vamos tomar um café? Aguardo a confirmação..Abraços

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