01/03/2015

Os ventos do Norte não movem moinhos

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Em “Oblivion”, o diretor Joseph Kosinski mostra a Terra dominada por alienígenas. Filmes de ficção científica seguem, quase sempre, esse roteiro: alienígenas invadem-nos a praia e ninguém sabe o porquê de terem escolhido a Terra, com tanto planeta por aí para ser tomado.

Oblivion, todavia, mostra a razão: os alienígenas eram garimpeiros siderais, mas diferente de “Cowboys & Aliens”, de Jon Favreau, ouro não era o objeto da bateia, mas água.

As notícias dos mais longínquos cantos do Universo, onde o engenho humano já levou sondas, dão conta que o espaço conhecido é um enorme deserto e a Terra é um oásis onde, pela água, floresceu a vida.

Shot005O que somos, afinal, senão água dotada de conformidade e inteligência? Mas não percebemos isso e só lembramos o que somos quando o líquido dá sinais de fadiga. 

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) tem reiterado que a forma como usamos as reservas de água doce do planeta causará o crítico rareamento do líquido por volta de 2050.

O crescimento populacional e a péssima relação disso com o ambiente estressam os mananciais e alteram o ciclo das chuvas. Cenários apontam que, em 2025, haverá escassez de água potável para dois terços da população da Terra, que será maior do que é hoje, na sua maioria vivendo em megalópoles, o que dificulta e encarece o abastecimento.

A Terra não aguenta o nosso ritmo de crescimento. O próprio modelo econômico ancorado na lógica de crescimento dá sinais de fadiga. Mas insistimos em incrementar os nossos estoques brutos como se fossem troféus da nossa capacidade, sem perceber que são tributos da nossa insensatez.

O correto seria encontrar o equilíbrio no tamanho em que chegamos e vivermos em harmonia com as nossas reservas naturais: isso se chama sustentabilidade. E não, não há “crescimento sustentável”. Isso é um eufemismo para continuarmos, sem culpa, esgotando os nossas recursos. O favor que podemos fazer a nós mesmos nesse momento é diminuir.

Mas falávamos de água: aproximadamente 97% da água existente na Terra são os oceanos, cuja alto teor de sal a torna imprópria para o consumo humano. A dessalinização é caríssima e o seu sobre uso pode causar prejuízo ao ecossistema marítimo no entorno da captação.

Apenas 3% da água existente na Terra é doce e desse percentual, 2% está em estado sólido, nas geleiras polares, nos icebergs e em aquíferos subterrâneos, o que torna a exploração tão cara quanto a dessalinização.

Nos resta, portanto, na superfície e de “fácil” exploração, míseros 1%, depositado em lagos e rios.

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A maior quantidade de água “fácil” daqueles 3% de água doce está nos rios da Pan Amazônia e isso deveria ser motivo de preocupação para o Brasil, pois caso o ser humano não crie juízo, lá por 2050, quando a água for objeto de cobiça bélica, os sedentos não vão respeitar as nossas fronteiras.

O fato de termos interpretado equivocadamente a grandeza de que 75% da Terra é coberta de água, tirou-nos a dimensão do seu valor e o entendimento da sua finitude.

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Fiquem certos: é  impossível aumentar a quantidade de água existente na Terra  e se não tomarmos esta consciência logo, não creio que a ameaça a nossa sobrevivência venha do espaço, mas daqui mesmo.

2 comentários:

  1. Nobre Doutor, já existe tecnologia capaz de transformar a água do oceano em água potável, é já esta sento usada na Espanha por exemplo. convenhamos que e uma tecnologia de alto custo!

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  2. em todos os planetas do sistema solar tem água, alguns em abundancia, luas tambem, europa, io, ganimedes, só pra começar.

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