14/03/2015

O dono da bola

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Na Tucuruí da minha infância eu tinha a melhor bola da cidade. Finda a partida, eu a pegava, lavava com escova e sabão em barra e guardava para a próxima partida.

Esse handicap era a única maneira de eu entrar no jogo, pois acho que ainda não nasceu alguém que jogue futebol tão mal quanto eu. Aliás, eu não jogo.

E se o pessoal começava a reclamar e não me deixava fazer um gol, eu juntava a bola e ia embora para casa.

Claro que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não é ruim de economia como eu sou de bola, mas ele, na quarta passada (11), quando o Congresso ameaçou derrubar o veto presidencial ao projeto que prorrogava os subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste, ameaçou colocar a bola embaixo do braço e ir embora para casa.

Fora ir embora com a bola, o ministro tinha razão. Se o veto fosse ao chão a manutenção da benesse tungaria o tesouro em R$ 5 bilhões, dificultando o gol que Levy quer fazer de entregar um superávit primário de 1,2% do PIB em 2014 que, para o governo, ainda não acabou.

Para que o veto não fosse derrubado no Senado, onde o presidente Calheiros já o esperava com um porrete em punho, uma tropa de choque formada por Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Eduardo Braga (Minas e Energia) levou o humor de Levy à Câmara Alta: se o veto fosse derrubado o ajuste fiscal estaria prejudicado e o ministro Joaquim Levy lhes havia dito que "preferia pedir demissão do cargo".

Diante da lúdica ameaça do ministro da Fazenda, Calheiros resolveu pagar para ver, mas perdeu a queda de braço com o governo por dois votos, pois a maioria para derrubar vetos tem que ser qualificada, ou seja, Levy escapou fedendo, mas isso, como disse o Falcão, é melhor do que morrer cheiroso.

Embora os ministros Pepe Vargas e Eduardo Braga tenham mantido o dito, o ministro Levy, ao ser interpelado, negou e asseverou que não tem “nenhuma intenção nem motivos para deixar o governo e está comprometido com a missão que lhe foi dada pela presidente Dilma de ajustar a política econômica”.

Pelo sim, pelo não, é melhor a presidente Dilma comprar outra bola e deixar no armário para alguma emergência.

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