18/03/2015

Eu quis dizer, você não quis escutar…

Shot 006

Em março de 2014, a ponte sobre o Rio Moju foi abalroada por uma balsa que lhe seccionou o vão central.

Em 24.03.2014, na postagem “Alça Viária: balsa derruba um vão da ponte sobre o Rio Moju”, eu escrevi:

Shot 009

O secretário de Transportes do Estado apressou-se em dizer que a ponte estaria pronta em 6 meses. Ao perceber a temeridade da declaração, em 02.04.2014, o secretário dilatou o prazo para 12 meses.

Em 03.04.2014, na postagem “Ponte sobre o Rio Moju: governo cai na real e declara prazo de 1 ano para reconstrução”, eu escrevi o seguinte:

Shot 010

Os 12 meses anunciados pelo governo já fluíram e sequer os vãos pendurados na estrutura da ponte, agora chamados de “línguas”, foram retirados.

Na segunda-feira (16), o governo anunciou que a engenharia para retirá-los deverá ser iniciada nos próximos dias e que a ponte será “integralmente concluída no prazo de dez meses”.

Se tudo ocorrer sem tropeços, a ponte estará operacional em janeiro de 2015, ou seja, eu estava absolutamente correto ao prever um prazo de, pelo menos, 24 meses.

Prazos à parte, adorei a empulhação do governo ao afirmar que um “A-Frame” será usado para retirar as línguas. O texto do governo apresenta o “A-Frame” como algo inédito e exclusivo, tipo assim “coisa de outra galáxia”.

O “A-frame” é uma das estruturas mais básicas e antigas de engenharia e já era usada pelo homem de Neandertal para assar a caça que o alimentava.

As estruturas que sustentam o telhado de uma casa, que por aqui chamamos de tesouras, é baseada no princípio do “A-frame”.

Shot 013

Aqueles cavaletes de propaganda política que empestam e poluem a cidade em época de eleição, também são um “A-frame”.

Shot 015

Enfim, toda estrutura de engenharia feita para suportar esforço e sustentação de carga, que lembra a letra “A” é um “A-Frame”. 

Como o governo do Pará não conseguiu concluir a obra no prazo por ele mesmo assinado, e agora declara que um ano ainda vai para conclui-la, resolveu apelar para o “A-Frame” com plumas e paetês, como justificativa da complexidade da empreitada e da sua própria inapetência para o expediente.

Mas tudo bem, como disse o Honoré de Balzac, “deve-se deixar a vaidade aos que não têm outra coisa para exibir”.

7 comentários:

  1. Congresso triplica recursos para partidos ao aprovar Orçamento 2015
    Valor para o Fundo Partidário passou de R$ 289 mi para R$ 867 mi.
    Deputados também aprovaram R$ 2,3 bi para emendas de deputados novos.
    O Vacari deve ter participado dessa negociação.

    Parabéns classe política. Enquanto protestamos contra o Governo Federal, nossos deputados, vereadores, senadores, prefeitos e governadores fazem a festa.

    ResponderExcluir
  2. O senhor assistiu a reportagem no jornal da band de ontem sobre "mais médicos"?

    ResponderExcluir
  3. Nobre Parsifal, sabe-se que na SETRAN órgão responsável pela reconstrução da ponte, o descontentamento é geral tanto de funcionários quanto de empreiteiros. Ismar Pereira figura conhecida no tempo do ex Governado e ex Prefeito Hélio Gueiros, que fazia e desfazia com sua forma dura, tacanho e centralizadora de administrar, agora está emperrando mais ainda essa reconstrução que pelo visto já não mais acredito nesse prazo de mais um ano para conclusão.

    ResponderExcluir
  4. Parsifal. Apenas num governo preguiçoso, irresponsável e sem um mínimo de comprometimento proporciona um espetáculo de cinismo, insensibilidade social e burrice econômica, para um ano após o acidente com a ponte, nada ter mudado. A economia do município do Mojú está sendo estrangulada e Sua Excelência, com o cinismo que lhe é peculiar, faz de conta de as coisas estão fluindo. É claro que o senhor Jatene nunca ficou três, quatro horas na fila da balsa. O seu ilustre traseiro nunca ficou sentado ao sol, ou sob chuva, esperando inclusive a incompetência do Detran em administrar as duas balsas. É puro atestado de incompetência em seu estado mais bruto, que uma balsa fique parada no rio, esperando que uma outra libere a rampa. Será que a burrice que permeia este governo não encontra meios de ao menos colocar mais uma balsa e providenciar rampas minimamente apropriadas para sua operacionalização? Este senhor Jatene está se lixando para quem padece nas filas da balsa. Senhoras com crianças sequer têm banheiros químicos à disposição para suas necessidades fisiológicas. Caminhões com cargas vivas e perecíveis chegam a amargar dez, doze horas para a travessia. O senhor Jatene deve também estar se lixando para isso. É enorme a ocorrência de roubos, furtos e assaltos nas filas da balsa, mas isso não deve dizer respeito a este governo incompetente e preguiçoso. Como cinismo pouco é bobagem, o senhor governador vai a São Paulo vender a ideia de oportunidades de negócios, carreando nas tintas de um governo supostamente operoso, mas que não consegue consertar uma ponte, mesmo tendo um ano de prazo. O Pará, senhor governador, é forte, competitivo e generoso naturalmente, sem precisar esperar por ações Vossa Excelência. Já que é incompetente, preguiçoso e insensível, o senhor Jatene deveria ter a humildade de procurar ajuda do governo federal, para que libere o Exército, através do BEC - Batalhão de Engenharia e Construção - mais próximo para por termo a esse sofrimento. Mas o senhor Jatene que mal e porcamente toca um governo preguiçoso e com a arrogância que lhe é peculiar, não deve saber que essa possibilidade existe. Aliás, há pouco, na Transamazônica, na Vila Arataú, foi o Exército quem consertou a ponte e regularizou o trânsito. Inclusive, senhor Jatene, seria até uma solução mais econômica para regularizar o que a incompetência do seu governo não conseguiu fazer durante um ano longo de sofrimento das pessoas. Um governo cínico, preguiçoso e insensível tem nome e sobrenome: Simão Jatene.

    ResponderExcluir
  5. Parabéns, os engenheiros reconhecem. Vc que foi gestor sabe das coisas. Principalmente quem mora às margens dos rios amazônicos. Rios que sobem e descem como os do Moju, precisam de uma atenção especial, ainda mais em uma Reconstrução. Ajustar pilares e derrubar concreto, em um rio com forte correnteza, para que não ocorra nenhum acidente não é fácil. Demanda raciocínio lógico e tempo.
    Por isso o parabéns a Vc, que sabia que o tempo de reconstrução era curto de mais. E olha que vc senhoria não é engenheiro.

    ResponderExcluir
  6. Mais uma vez vou discordar do blogueiro. Essa ponte será entregue em 2018, às vesperas da eleição para governador, como mais uma grande obra estruturante para o desenvolvimento do Estado do Pará feita pelo partido anti-corrupção PSDB.

    ResponderExcluir

Comentários em CAIXA ALTA são convertidos para minúsculas. Há um filtro que glosa termos indevidos, substituindo-os por asteriscos.