03/03/2015

Acordo de delação de executivos da Camargo Corrêa inclui revelar propinas em Belo Monte

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O terremoto da Lava Jato, como aqui especulado ontem (02), pode fazer banzeiro no Pará (não necessariamente com políticos paraenses).

Vazamento dos termos do acordo de delação dos dois executivos da Camargo Corrêa, conta que ambos se comprometeram a revelar propinas pagas na construção da usina de Belo Monte, leiloada por R$ 13,8 bilhões sobre um orçamento de R$ 25 bilhões, cuja execução, até o momento, já ultrapassou os R$ 30 bilhões e, como eu disse aqui e aqui, em 2010, não vai gerar por menos de R$ 40 bilhões.

Também faz parte do acordo a tomada imediata dos depoimentos de Avancini e Leite, que iniciarão hoje (03), para que ambos sejam postos em liberdade ao final das delações.

É certo que as delações sobre a Petrobras, até o limite do que pode ser delatado, se esgotaram. À frente, salvo fortuitas ocorrências, os depoimentos são de ratificação, ou retificação, do já dito. Por isso a inclusão, pelos procuradores, das obras de Belo Monte, que podem abrir nova rotina de investigações.

Belo Monte foi escolhida por ser a maior obra em andamento no Brasil, portanto, o noticiário repercutirá o rebojo com maior impacto. Mas qualquer outra obra pública poderia ser o alvo, pois nesse mar, onde quer que se jogue o anzol, fisgar-se-ão peixes. A diferença de um remanso para outro é só o tamanho do cardume.

Quanto ao presidente do conselho de administração da Camargo Corrêa, João Auler, a imprensa retificou-se: não foi a procuradoria que recusou o acordo de delação com ele, mas ele é que não se prontificou a negociá-lo, pois teria dito que nada tem a acrescentar ao já delatado por outros e que a sua posição na empreiteira não lhe permitia ter conhecimento dos esquemas.

Ou Auler tem conhecimento muito além do que não pode ser delatado, fechando-se na omertà de um uomo d'onore, ou pode estar sendo verdadeiro, pois, por padrão, o presidente de um conselho de administração não gerência, dirige ou executa-lhe as ações, e não é factual crer que o conselho de administração da Camargo Corrêa se reunisse, sob o seu presidente, para decidir pagamentos de propinas.

O consórcio de empresas que constrói Belo Monte é formado pela Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrechet, OAS, Queiroz Galvão, Contern, Galvão Engenharia, Serveng-Civilsan, Cetenco e J. Malucelli.

2 comentários:

  1. "Não necessariamente com políticos paraenses". Acredito que vai incluir vários políticos paraenses, pois, a exemplo de Abreu e Lima, as empresas pagaram, segundo depoimento do Youssef, "pedágio" para o Governador do Estado de Pernambuco, o falecido candidato a Presidente Eduardo Campos. Talvez seja a praxe e por uma questão de "política da boa vizinhança" fazer um "agrado" às autoridades locais. Quem viver verá.

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  2. Todo mundo sabe que isso acontece, desde a menor prefeitura do país, até nas grandes obras do governo federal, isso é um problema do sistema brasileiro, isso não vai acabar nunca. a Petrobras e um grãozinho de areia perto das maracutaias que acontece em todo país, se pegarmos todas as licitação realizadas por prefeituras, governos estaduais e federal, aí sim vocês vão ver o tanto de coisa errada que existe nesse país. Enquanto campanha milionárias forem feitas e ninguém se perguntar de onde vem esse dinheiro todo. Enquanto o povo votar no candidato mais rico e que pode atender todos os seus desejos no período eleitoral, o povo vai amargar graves consequências.

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