05/02/2015

De Petrolão, de Mensalão e de inveja

> No Petrolão

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A alta octanagem da Lava Jato continua a por pressão no Petrolão: depois de vazar à imprensa que a presidente Dilma colocara de aviso prévio toda a diretoria da Petrobras, cujas contas seriam dadas até o final de fevereiro, os avisados resolveram fazer um favor à presidente e assinaram renúncia coletiva ontem (4) mesmo.

Especula-se que a reunião do Conselho da Petrobras se reunirá amanhã para escolher a nova diretoria e que Henrique Meireles, ex-presidente do Banco Central e candidato de Lula à presidência já avisou que não topa por a mão no petróleo.

> No Trensalão

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Enquanto os olhos dos brasileiros só têm pupilas para o Petrolão, o Propinoduto Tucano se desenrola à sombra: pouca repercussão teve ontem (4) a decisão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que julgou irregular a compra de 16 trens para o metrô da linha Leste, em 2007, quando era governador de São Paulo o atual senador José Serra (PSDB).

Os 16 trens custaram R$ 828 milhões e foram pagos à francesa Alstom. E por que a rejeição da conta? Porque os trens foram adquiridos em 2007 com base em uma licitação de 1992.

A Lei de Licitações determina que os contratos públicos têm duração máxima de cinco anos, o que significa, tecnicamente, que os trens foram comprados e pagos sem licitação, pois aquela feita em 1992 para aquisição de trens, já havia perdido a validade desde 1997.

Tanto a Alstom quanto a Siemens são investigadas pelo MPE-SP e MPF por supostas fraudes nas licitações do Metrô entre 1998 e 2008, em sucessivos governos tucanos de São Paulo, em negócios que somam a casa dos R$ 20 bilhões.

O MPF avalia que o Trensalão rendeu aproximadamente R$ 1 bilhão em propinas: um Petrolão sobre trilhos. Mas ninguém foi preso, não teve delação premiada e nem bloqueio de bens, o que deixa os fatos insossos, pois escândalo que se preze tem que ter político ou gente bem recolhida aos costumes.

Eu morro de inveja dos tucanos: a traquinagem deles é uma arte.

2 comentários:

  1. Parsifal;

    Nas postagens "Não é o fim do mundo" e "De petrolão, de mensalão e de Inveja" observo que ao diagnosticar corretamente a falta de eficácia da parte dos que criam factóides alarmistas sobre o governo Dilma, você não tenha se dado conta que incorreu no mesmo diagnóstico (no mesmo erro), ao criticar o propinoduto tucano.

    Falo sobre um assunto sobre o qual eu não tenho o mínimo preparo para dissertar, mas a minha intuição, baseada em tudo aquilo que já vivi, me diz que tanto no governo do PT, quanto no governo paulista do PSDB as denúncias serão minimizadas, quem sabe chegando ao máximo numa prisão domiciliar que ninguém cumpre.

    O eleitor não nasceu para avaliar políticos, ele repete o que os outros dizem. Agora está na mídia o escândalo da Petrobrás, e se você conversar nas ruas com uma pessoa angustiada pelos problema que traz consigo, ela vai acabar desabafando que "não dá para viver num país onde existe um escândalo como o da Petrobrás". Pior do que aquele que vota por causa de uma nota de dinheiro, ou uma dentadura, são os pseudo-entendidos que repetem feito papagaios tudo aquilo que a imprensa martelou na cabecinha deles meses a fio.

    Num comentário feito antes da eleição de 2014, eu dizia que já havia acumulado muitas decepções com o governo do PT, mas ainda seria contra o Aécio. A última gota caiu, transbordou, e agora não deverei mais votar em PT nem em nenhum partido coligado ao PT. Mas esteja certo de que na minha lista de motivos não está a Petrobrás, nem o mensalão, nem a corrupção de um modo geral.
    Aliás, essa rabujice tende a me tornar cada vez mais avesso a candidatos.

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    1. As nossas avaliações são fornidas na lenha das informações que temos, por isso informação é poder, independentemente delas serem manipuladas ou não, para induzir formação de opinião.
      Os seus motivos, mesmo não estando a Petrobras, nem o mensalão e nem a corrupção, são baseados em informações que você obtém, sejam quais forem as suas fontes, por isso é sempre necessários ter, no mínimo, três fontes: os contra, os a favor e os que não estão nem aí.

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