08/01/2015

Paris em Transe

O atentado terrorista que enlutou ontem (7) a França e o mundo foi classificado pelo ex-editor da “Charlie Hebdo”, Mourad Boudjellal, como o "11 de setembro da imprensa".

A gravidade da tragédia - que vitimou mortalmente 12 pessoas na sede de uma das mais irreverentes revistas do mundo e uma das últimas publicações da cada mais vez mais rara esquerda francesa - é enorme para a França, que não era palco de algo tão terrível desde 1961, quando, durante a sangrenta Guerra da Argélia, a “Organização Armada Secreta” detonou uma bomba em uma das composições do trem Strasbourg-Paris, matando 28 pessoas.

Uma retrospectiva publicada pelo Le Monde relembra que a França é palco contumaz de atentados: 
Em 1978, palestinos dispararam contra um grupo de judeus em Orly matando oito pessoas; em 1980, a explosão de uma bomba em frente a uma sinagoga em Paris matou quatro pessoas; em 1982, disparos contra membros da comunidade judaica mataram seis pessoas e no mesmo ano, em uma ação cinematográfica, Illich Ramirez Sanchez, mundialmente conhecido como Carlos, o Chacal, atacou o trem Toulouse-Paris, matando cinco pessoas; em 1983, mais duas explosões, uma em Orly e outra na estação Saint-Charles, mataram onze pessoas; em 1986, uma explosão na Galeria Tati, em Paris, matou sete pessoas; em 1995, uma bomba explodiu em uma estação de trem, em Paris, deixando oito mortos; em 1996 uma estação de metrô sofreu uma explosão que deixou quatro mortos; em 2012, um membro da Al Qaeda matou sete pessoas em Toulouse e Montauban.
Mas a tragédia de ontem (7) carrega um simbolismo singular, pois enquanto as outras ocorrências, não menos condenáveis, envolviam querelas terroristas de cunho específico, as 12 vítimas fatais da “Charlie Hebdo” significam um atentado contra um valor universal e caríssimo para a democracia: a liberdade de expressão.

As 12 vítimas foram assassinadas porque se expressavam. E não o faziam em nome de um Estado, de uma facção ou do que o valha. Eles se expressavam da maneira mais inalienável possível: a expressão deles era uma arte.

E a arte é a coisa mais bela e poderosa que a inteligência é capaz de elaborar, pois detém a capacidade de envolver todos os sentidos, mantendo-se como a força motriz do nosso desenvolvimento enquanto espécie.A arte nós torna humanos.

Um crime contra isso é um crime de lesa humanidade e comprova, de maneira cruel, aonde a intolerância nos pode levar: foi a intolerância que crucificou o Cristo.

Disse Mahatma Gandhi que “já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos, a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua”.

22 comentários:

  1. religião, a maior homicida da humanidade!!

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  2. Se a maior parte das pessoas conhecessem as ideias por tras dos traços do fundador do Charlie, certeza que não levantariam uma placa dizendo Je Suis Charlie.

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    1. Creio que você entendeu de forma equivocada o significado do que dezenas de milhões de pessoas estão dizendo em todo o mundo. O "Je suis Charlie" não é pessoal e não significa solidariedade com o fundador da revista. É algo muito mais amplo: é a solidariedade com a liberdade de expressão. É solidariedade incondicional com a liberdade em si mesma. Imagine se eu vou lhe matar porque você acha que eu, ou o Charlie somos uns crápulas que praticamos e dizemos o que pensamos.
      "Je suis Charlie" é um grito de liberdade e destemor. São as pessoas dizendo que se divergir com irreverência tem como consequência a morte, morramos nós, pois a divergência é o exercício da inteligência e deve ser exercida com contra-argumentos e não com tiros.

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    2. Por que emigram, então, deputado? Buscam a riqueza da Europa, as ruas limpas, as boas escolas, a tecnologia. Mas quando lá chegam, se recusam a aprender o idioma, se recusam a obedecer leis seculares.
      Seriam segregadoras as leis europeias? Desumanas? Impossíveis de cumprir?Talvez a Sharia seja melhor, né

      O deputado já ouviu falar do Sharia4Belgium?

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    3. As razões da emigração, em qualquer tempo e de qualquer país, não deposita maior expectativa no local que se busca, mas estoca desgosto com o o lugar que se deixa. O emigração comum é uma fuga.
      O emigrante comum não é um radical e é rara exceção meter-se em atos de radicalismo: ele já fugiu do radicalismo.
      Esses episódios são frutos de extremismos e intolerâncias, no caso, a pior delas, a religiosa.
      Enquanto a Sharia4Belgium estiver no campo retórico, é um direito que a democracia lhe roga pregar até para que satanás substitua o papa. Se eu for simpatizante do Osama, posso ir à tribuna e elogia-lo, pois a liberdade de expressão não é crime.

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    4. Não é bem assim, dep.
      http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2014/10/lider-da-sharia4belgium-pode-ser-condenado-a-15-anos-de-prisao

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    5. É bem assim mesmo. O líder do movimento não está sendo julgado por liberdade de expressão, mas por fazer recrutamento para mercenários e terroristas, o que é crime. A promotoria também o acusa de conspiração contra o Estado belga, o que também é crime.

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  3. Cuidado, Parsifal, esse anônimo pode lhe pegar na saída. Putz!!!

    Jorge alves

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  4. Nobre Deputado,
    Perfeito, se não conseguimos entender o significado do "Je suis Charlie" como entender, então, Mahatma Gandhi.

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  5. Caro Parsifal, a mais cruel da guerras é a que é feita em nome de Deus. O fanatismo islâmico, vai destruir o mundo ocidental, com repetidas barbáries com a de ontem. À valer as imbecilidades que tem sido ditas, os católicos praticariam atentados a toda hora. O Papa, foi caracterizado consagrando uma "camisinha de vênus", e Jesus Cristo, enxovalhado na capa da Charlie. É inadmissível que o Homem, caminhe para resolver todos os problemas que acham que os atingem, com ferocidade próprias de 2 irmãos siameses que mancharam de sangue o mundo, no século passado: o nazismo e o comunismo.

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  6. quando a frança e seus aliados despejam suas bombas,matanto indiscriminadamente velhos e crianças ai nao tem comoçao.e em nome da liberdade.que fique o alerta toda intervençao vai gerar uma reaçao.

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  7. O Pior é que muita gente aqui no Brasil compara os cristãos com esses extremistas. Acham que o conservadorismo Cristão é extremista. Nós, igrejas, nunca pegaríamos em armas para matar outras pessoas.

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  8. Sabendo-se que a religião é o maior bem na vida dos islamitas, publica-se uma charge de dois religiosos se beijando. Será que a libertade de expressão não está sendo desrespeitosa.

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    1. A liberdade de expressão pode ofender, injuriar ou caluniar e o objeto, pessoa ou sentido desses excessos pode representar na justiça e obter o devido reparo. Matar por conta disso é, além de injustificável, uma lesão contra o gênero qual a expressão é a espécie. A intolerância é uma brutalidade que retorna o ser humano às cavernas.
      Sou cristão e já vi o papa e O Próprio Cristo serem retratados em charges e não preciso sair para matar o chargista por isso.
      O fanatismo, de qualquer espécie, é a barbárie.

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  9. Nunca existiu Organização "Armada" Secreta, mas Organização do Exército Secreto. A palavra "armée" em francês não quer dizer armada, mas exército, e é essa a tradução do nome desse grupo em todos os livros que falam do assunto, inclusive no livro O Dia do Chacal, de Frederick Forsyth.

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    1. Prefiro "Armada", pois a OAS não era um exército e sim uma organização armada. Chamá-la de Exército por purismo de tradução é um erro.

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  10. Não é questão de tradução apenas: os membros da OAS eram também, todos, membros do Exército francês, por isso sentido de ser a parte Secreta do Exército. E mesmo assim não existe como traduzir aquela palavra como um adjunto

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    1. Sim, não é apenas questão de tradução, mas também um grave equívoco conceitual definitivo.
      E não, os membros da OAS não eram todos do exercito francês: a OAS era formada por civis franceses de extremíssima direita (embriões de Le Pen), civis argelinos leais à França e militares franceses. Tinham em comum o fato de não concordarem com a saída da França da Argélia.
      Mas mesmo que todos fossem membros do exercito francês, eles não eram o Exército Francês, ou seja, não eram um “Armée”, cuja tradução literal é “Exército”, mas conceitual, no caso em tela, não, pois terroristas não formam exércitos, que são organizações militares formais de um país, na acepção que os terroristas da OAS se autodenominavam.
      Como eram terroristas, não concordo com a tradução que alguns dão e que você defende. Perfilo-me à tradução conceitual que uso.
      O Estado Islâmico não é um país só porque se autodenomina “Estado”: é uma organização armada terrorista.
      Claro que tem como traduzir, no caso, “Armée” como adjunto: eu o faço, assim como milhares de outros renomados autores (eu não sou renomado autor de coisa alguma, apenas concordo com os que assim procedem) e não se está aí traduzindo palavras e nem definições, mas conceitos, afinal precisamos ser um pouco melhores do que o tradutor do Google.

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  11. Meu Deus, seja humilde homem! Vc até admite agora que sua tradução é do tradutor do Google, portanto, não contextual, daí a denominação com erro grosseiro. Eles não apenas denominaram assim a organização (e isso não é questão de tradução, é o nome mesmo dela), como não existe - e aí eu quero ver vc mostrar uma única conversão diversa - qualquer autor que tenha "traduzido" como "armada", com o mesmo equívoco pedestre.

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    1. Já há duas querelas: ser humilde não significa concordar. No caso, a humildade que você aconselha é a submissão ao seu entendimento, o que não é a solução para o imbróglio que arranjamos nesse velório.
      E haja vela, pois temos agora três querelas: não está escrito que eu busquei a tradução no Google. Acho que você leu outro texto em outro blog. Eu afirmei que as nossas traduções precisam ser melhores que a do tradutor do Google, como uma crítica às traduções literais, o que no Google é factual, pois é um mero software com um algoritmo sem inteligência alguma.
      E agora são quatro: se o Manoel tiver uma filha e colocar nela o nome de João ela não passa a ser um homem por isso. Organizações terroristas jamais serão exércitos como se autodenominou a OAS.
      Quanto a outros autores (lembrando que eu não sou autor de coisa alguma. Bem, sou acusado pelo MPF de ser autor de 3 crimes), voltemos ao Google, e agora consultando-o mesmo: em 0,44 segundos o motor retornou 1 milhão 140 mil ligações chamando a OAS de Organização Armada Secreta e, em 0,28 segundos, retorna 396 mil ligações chamando a OAS de Organização do Exército Secreto, o que nos deixa concluir que existem muito mais pedestres no mundo do que aqueles que desfilam em Lamborghinis.
      O pior é o que os pedestres, como eu, não são humildes para seguir no vácuo dos Lamborghinis. . Mas o importante é que não vamos nos matar por isso.

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  12. Parsifal, o respeito é a linha tenue do convivio social. Hoje tudo é justificado pela liberdade de expressão/democracia. Avacalha-se com a religião/crença, ou seja qual for o motivo e tudo bem.

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    1. meu amigo, religiao é é opcional e uma coisa que nao leva a lugar nenhum...vc vai acabar no mesmo buraco escuro que todos os outros rezando todo dia ou matando todo dia...va viver a sua vida e esqueça disso! respeitemos as opinioes dos outros e se for de nosso desagrado nao leia nao escute nao compre tal opinião! mas respeitemos. abraços

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