02/11/2014

Tim Maia, o filme

Fui assistir Tim Maia, dirigido por Mauro Lima, que dirigiu, em 2008, “Meu Nome Não é Johnny”.

Para quem viveu, viu e ouviu o Tim, o filme é para assistir naquela alternância entre o riso e o choro que os diretores nacionais descobriram ao fazerem as cinebiografias dos artistas nacionais.

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Mauro Lima elaborou a cinebiografia com base no livro "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, e se desincumbiu bem da empreitada ao passear, sem cerimônias cronológicas, desde a infância de Tim, passando pela adolescência, onde inicia os seus ensaios musicais na Tijuca, a sua passagem pelos EUA, o retorno ao Brasil, e a maturidade musical que deu à MPB belíssimas páginas musicais.

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Em um vai e vem temporal, Lima traça o perfil do síndico, que em uma vida conturbada, foi um dos mais específicos autores e intérpretes nacionais. Tim compunha de ouvido as notas de todos os instrumentos que sustentavam o seu vozeirão possante, mas macio. Os metais que ele fazia soar nos arranjos eram primorosos.

Mauro Lima caprichou nos hits, martelando principalmente nos grandes sucessos, para criar o clima. Para mim o melhor de Tim veio no final da década de 60 e toda a década de 70 (a década de 70 foi uma explosão musical no Brasil).

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O primeiro álbum de Tim, exatamente no início dos anos 70, ainda é até hoje a quintessência do soul brasileiro: “Eu Amo Você”, “Primavera”, “Azul da Cor do Mar” (esse foi o título do réquiem que escrevi quando Tim morreu, e foi publicado em “O Globo”). Nesse mesmo álbum, saindo do soul, Tim embarcou uma faixa com um festivo xote, “Coroné Antônio Bento”.

O filme não deixa de mostrar a fase "racional" de Tim e sua dependência das drogas, que lhe tomaram boa parte da produção musical, tornando-o solitário e acabrunhado.

O filme se encerra com a cena protagonizada por Tim no show que acabou sendo o seu epitáfio, no Teatro Municipal de Niterói, em 8 de março de 1998. Tim tentou cantar a música de entrada, mas não conseguiu, retirando-se no primeiro acorde, quando foi levado para o Hospital Universitário Antônio Pedro.

Uma semana depois, em 15 de março, faleceu, aos 55 anos, por uma infecção generalizada, deixando, em 42 anos de carreira, 32 discos que marcam parte da história da MPB.

Se você é fã do Tim (é impossível ouvir as suas belas baladas sem gostar), deixe o seu coração ir ver o filme e não tema a pieguice das lágrimas.

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