03/11/2014

Orologeria Brasil

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Segundo as paredes da Base Naval de Aratu, onde a presidente Dilma Rousseff foi ao dolce far niente no final de semana, ela retorna ao Planalto decidida a ser “mais Dilma”.

Isso quer dizer afastar uma possível excessiva influência do ex-presidente Lula no segundo mandato. O primeiro grito de independência é que a indicação de Lula para o Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles, será refutada.

> Sem ceder às pressões

Dilma estaria decidida, apesar de ter acenado com diálogo no seu discurso após ter sido reeleita por um apertado 51,64%, a não ceder às pressões congressuais, leia-se isso como não ceder às pressões do PT e do PMDB, que dão mais dor de cabeça ao Gabinete do que a oposição.

[Há oposição no Brasil?!]

Se for essa a intenção da presidente, o que não é um defeito e pode até ser uma qualidade, a questão não é o que ela fará, mas como vai fazer.

> Vitória politicamente relativa

Dilma deveria considerar que a prorrogação auferida não é confortável: afastando aritméticas mais profundas, 48,36% do eleitorado rechaçaram o “modo Dilma de ser”, e embora isso não tisne a legalidade e a legitimidade do seu mandato, deveria ser percebido como um índice de que esse percentual insatisfeito necessita de atenção.

Se o Congresso resolver entestar o Planalto, Dilma precisará, sim, ouvir Lula e delegar a ele, ou a quem o saiba fazer, a potestade do diálogo, pois é o diálogo entre os poderes que mantém qualquer República democrática.

> Balcão de negócios

É certo que o diálogo até aqui exercido - um balcão de negócios que loteia a República para lhe embarcar governabilidade - está cada vez mais estreito e se a intransigência da presidente é com esse balcão, então ela deve ser recepcionada, desde que tenha proficiência, antes porque é necessário um pesado ajuste fiscal para cortar despesas, ou quebra a tampa do caixa.

E remédios amargos todos fazem careta ao tomar. Os mais renhidos até regurgitam e cospem o que lhes foi administrado, o que requer meio intravenoso para surtir efeito. E nas veias, nas democracias, só com diálogo.

> Enquanto isso, Lula…

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Entrementes, Lula já se move como franco candidato em 2018, e para isso, segundo os seus interlocutores, se faz necessário, primeiro, salvar Dilma dela mesma e depois o PT, que, ainda segundo Lula, precisa de um choque de juventude e voltar às ruas, reciclando suas lideranças, abatidas pelos sucessivos escândalos de corrupção.

3 comentários:

  1. Francisco Márcio03/11/2014 16:55

    Se ela não foi Dilma esses 4 anos, é bom que seja então. Pois, "não ser Dilma", deu nisto: loteamento de cargos para os insaciáveis amigos da corte, corrupção grassando em todos os ministérios e empresas da Administração Pública, déficit na balança comercial, rombo nas contas públicas, inflação roçando o teto, crescimento do PIB beirando zero...
    Ser for Dilma, é ser diferente, então que seja Dilma.Quem não vai gostar é o "seu" PMDB e sua trupe, entre outros.

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    Respostas
    1. O PMDB dança conforme a música, por isso é o maior partido do Brasil e o quinto maior do mundo democrático.
      Se o partido vai gostar ou não da Dilma sendo Dilma é assunto para deliberações Colegiada. Eu vou adorar. O Brasil precisa de uma Angela Merkel ao quadrado. Sem um choque imediato de austeridade fiscal, perderemos as duas três primeiras décadas do século 21.

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  2. Se ela fizer isso, o país vai continuar estagnado e com inflação alta. Desse jeito, o Lula não consegue voltar em 2018. Quem diria, a Dilma é a maior adversária do Lula.

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