14/09/2014

Milton Santos de Almeida, Miltinho, o rei do ritmo

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Escreveu Flávio Cavalcante em um dos mais belos e singelos sambas-canções da MPB, “Manias”, “mania é coisa que a gente tem, mas não sabe porque”.

Uma das minhas manias é achar que imito o Miltinho, mas acho que a minha única eventual espectadora, a Dona Ann, deve ver nisso uma enorme piada, pois acha graça quando entro no quarto fanhoseando a voz e cantando o maior sucesso dele, “Mulher de 30”, para ela.

No dia 7 de setembro próximo passado, entre uma carreata e outra, li que a ceifadora levou Miltinho, aos 86 anos, que há quatro parou de fazer shows, devido a um princípio de Alzheimer.

Aos poucos convenço-me como pertencendo mais ao passado do que ao presente: os meus ídolos estão todos no pretérito perfeito. Deve ser a tal da velhice se instalando...

Miltinho era o dono de uma das mais peculiares vozes da MPB. Apesar de pouco volume, tinha uma facilidade vocal excepcional. A voz anasalada lhe permitia passear pelos sustenidos, tons e semitons com afinação, o que lhe credenciou a um início de carreira, na década de 40, nos mais talentosos grupos vocais da época (Cancioneiros do Luar, Namorados da Lua, Anjos do Inferno, Quatro Ases e Um Coringa e Milionários do Ritmo).

A glória lhe veio, inobstante, na década de 60, quando gravou o solo, "Mulher de 30”, um dos clássicos sambas-canções da MPB.

Miltinho gravou mais de 100 discos e era presença certa nos mais requisitados shows do seu estilo, mas no final da década de 70, como os demais artistas da sua geração, foi atropelado pela musica puramente comercial que tomou conta da difusão nacional.

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Miltinho protagonizou vários filmes na década de 60, quando as películas eram recheadas com músicas que se transformavam em grandes sucessos. Um dos melhores foi “O Vendedor de Linguiças”, onde ele lançou “O Poema do Adeus”, com o que abaixo fecho a postagem:

Que a terra lhe seja leve…

3 comentários:

  1. Francisco Marcio14/09/2014 21:10

    Nobre Deputado, à Vossa Excelência posso garantir: já tens mais anos vividos do que à viver. Quanto à mim, estou no limiar, a dúvida ainda está ao meu lado.
    Peça para Lalá, Lili, Lulú ( é isso? ), apressarem-se com os netos...

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    Respostas
    1. Eis o problema: essa moçada de hoje em dia não querem multiplicar cedo.

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  2. Lembro de um jingle comercial de 1972, do inicio de 1972, cantando por Miltinho, era uma propaganda das "Lojas Pernambucana " : "Lojas pernambucanas, volte a escola bacana, pernambucanas, primeiro lugar."

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