07/07/2014

CartaCapital declara apoio à Dilma Rousseff

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É regra nas democracias maduras que órgãos da imprensa declarem apoio editorial a uma linha política ou a uma candidatura à qual eventualmente simpatizem, pois a imparcialidade é uma lúdica quimera dos desavisados, ou um ardil dos dissimulados.

Mino Carta, diretor de redação da revista que leva o seu sobrenome, a CartaCapital, vive à margem da grande imprensa conseguindo manter certa independência editorial. Mas, embora criticamente, jamais escondeu a sua simpatia pela esquerda nacional.

Desde a primeira eleição de Lula, Carta deixou claro a sua opção eleitoral e, para jus à regra, publicou editorial, na edição desta semana, anunciando apoio à reeleição de Dilma Rousseff.

Eu votei na eleição e reeleição de Lula. Eu votei na eleição de Dilma e votarei na reeleição dela.

Como Carta, meu apoio não é à moda dos versos de Florbela Espanca em “Fanatismo” - "Ah! podem voar mundos, morrer astros, que tu és como Deus: princípio e fim!..." -, pois o sectarismo é coisa de quem perdeu a capacidade de pensar criticamente em mais de uma via, e a vida não é uma linha reta.

Mas, destarte as críticas que teço à presidente e ao lulopetismo, não consigo enxergar em Aécio ou Eduardo, para me deter nos dois mais chegados concorrentes, algo que possa me desviar o voto. E faço isso na base da inteligência emocional: não gosto deles e isso me basta.

Mino Carta, todavia, em seu editorial, ofereceu-me uma explicação que cabe em um dos escaninhos da ojeriza que curto em desfavor de Aécio e Eduardo:

“CartaCapital respeita Aécio Neves e Eduardo Campos, personagens de relevo da política nacional. Permite-se observar, porém, que ambos estão destinados inexoravelmente a representar, mesmo à sua própria revelia, a pior direita, a reação na sua acepção mais trágica. A direita nas nossas latitudes transcende os padrões da contemporaneidade, é medieval. Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia e de uma pretensa elite, retrógrada e ignorante.”.

O negrito foi meu. Mino Carta me representa, e o parágrafo em aspas é a mais perfeita tradução do que Cazuza cantou dos destros que pagam para sair nas colunas sociais: “a piscina deles está cheia de ratos. As ideias deles não correspondem aos fatos”, pois, mesmo porque mais não seja, se eles já venceram no mercado, que resfoleguem na política.

Leia o editorial aqui.

14 comentários:

  1. Deputado se fosse a veja e porque era o PIG e o Mino Carta e o que? a anos que vem roendo uma ponta do governo do PT e agora quer dar uma de bom moço.

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    1. Toda a imprensa há anos rói pontas de todos os governos. Uns mais, outros menos, outros demais.
      O Carta se declara: todos sabemos que ele apóia Lula e Dilma, até quando os crítica.
      A Veja está entre as que rói demais e ainda quer fingir que não é louca e desesperada para vencer o Aécio que é para ela roer mais que demais pois dinheiro nunca é o suficiente.

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  2. Deputado, então podemos afirmar que o Mino Carta é o Ronaldo Brasiliense que deu certo?

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    1. Não ofenda o Mino. O Brasiliense, nem dando certo, poder-se-ia comparar ao Carta.

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  3. Muito bem...agora os outros blogueiros que declarem seus votos...e pronto!

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  4. De fato, o anônimo das 21:00 ou não gosta ou não conhece o Mino

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  5. Aécio e Eduardo campos de direita?

    HAUHAUAHUAHUAHUAHAH

    Estão tomando remédio certinho, Mino e Parsifal?

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    1. O seu problema, a seu ver, é pior que o meu e o do Mino, pois não é remédio que lhe cura.
      Leia o texto novamente. Releia pela terceira vez. E mais uma quarta vez. Agora me diga, por favor, onde está escrito, pelo Mino, ou por mim, que Aécio e Eduardo são de direita?
      Por fim, mate-me uma curiosidade: essa onomatopeia é um grunhido, um riso, ou um rosnado?

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    2. kkkkk adoro o senso de humor do deputado. Quem fala o que quer...!!!!!

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  6. Nobre Deputado,
    Permita-me recorrer a uma citação do jornalista Henry Louis Mencken que escreveu .." A estupidez e a covardia congênita dos homens fazem com que eles se curvem a qualquer líder que apareça", obviamente de conformidade com as suas circunstâncias contemporâneas.

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  7. E lia a veja por entender que foi um veiculo de comunicação progressista ao combater a nefasta ditadura e promover a redemocratização no país, mas de um tempo pra cá tornou-se reacionária e elitista, marcada por uma pequenez raivosa que a transformou numa especie de porta voz dos setores mais conservadores da politica e da economia brasileira. Podem observar: em lugares como grandes supermercados, lojas de grife, salas de consultórios ou escritórios da pequena à grande burguesia nativa, dificilmente encontrar-se-á um revista Carta capital ou Caros Amigos, mas sempre existirão revistas veja e a caras.

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  8. O Mino e sua Carta Capital fazem parte do JEG, Jornalismo da Esgotosfera Governista. Nem precisava declarar-se Petista, sua publicação não deixa dúvida.

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    1. Esgotos só têm escalas: uns passam pela estação elevatória, outros vão direto ao ralo, a céu aberto. O fedor e a textura dependem do emissário e nesse há aqueles que dissimulam e os que assumem a porcaria que portam, mas a verdade é que não há cheiroso nessas siglas e você só escolhe o lado do fedor que melhor cai ao seu gosto nessa imensa fossa.

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  9. O "tecido" social é composto de varias ideologias e precisamos considerar que TODAS estao certas, pois as pessoas sao muito diferentes. Umas preferem uma forma de governança enxuta, menos assistencialista, mais liberal, mais competitiva, mais punitiva. Outras preferem o contrario, uma governança mais forte, mais assistencialista, mais social, menos punitiva, etc. Como TODAS estao certas, o grande desafio é encontrar uma forma de governança que atenda a todas da melhor forma possivel. Pode nao ser facil, mas é possivel ( ou nao ? ).

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