09/06/2014

Como boi olhando palácio…

A presidente Dilma inaugurou recentemente o complexo portuário Miritituba-Barcarena, a um custo de R$ 700 milhões, construído pela multinacional americana Bunge.

A obra é o modo aquaviário do transporte de grãos do Centro-Oeste, que chega pela BR-163 a Miritituba, em Itaituba-PA, e de lá, em barcaças, segue para Barcarena, onde os grãos são baldeados para graneleiros que se fazem além mar.

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Nos próximos cinco anos espera-se R$ 5,5 bilhões em investimentos similares na região Norte – e, devido à ligação do Mato Grosso com o Pará, a região de Miritituba e Santarenzinho, no Tapajós, são os locais com maior número de projetos - pois as estimativas apontam que em três anos, a movimentação de grãos, atualmente em 5 milhões de toneladas, quadruplicará.

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Destarte os bilhões da iniciativa privada, a inteligência paraense continua burra, sem transformar em desenvolvimento social os investimentos exógenos.

A ausência de liderança firme no governo do Pará – desse e de outros que viram surgir os feitos – resultou em um espaço depauperado no entorno das áreas dos grandes investimentos cometidos no território paraense, onde a modernidade convive à ilharga da miséria.

O complexo da Bunge, por exemplo, trouxe mais caos ao entorno da cidade de Barcarena, já impactado pelo complexo Alunorte, a maior refinaria de alumínio do mundo, mas que para 90% da população da microrregião ainda não disse a que veio.

Com o porto da Bunge, na nova era dos grãos, não mais que de repente, sem nenhuma estrutura referente elaborada pelo governo do Estado, centenas de carretas graneleiras movimentam-se, fazendo surgir velhas e desordenadas relações urbanas nos entrepostos de espera.

No asfalto da alça viária, de qualidade duvidosa por uma base mal fornida e não projetada para tal movimento, rolam as graneleiras que não sofrem nenhum tipo de fiscalização de peso.

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O que o Estado arrecadará por ano da atividade, não bastará para o reparo anual da rodovia, o que nos remete para a mesma moral da história: os bilhões investidos em território paraense trazem a solução para os negócios privados das grandes empresas e debitam o prejuízo na conta do erário.

Ou o Pará cria massa encefálica útil para impor uma agenda de integração entre os projetos, as cidades e as pessoas, ou vamos, como default, continuar vendo os linhões, as carretas e os navios passarem, e achando tudo muito lindo.

11 comentários:

  1. Se o projeto mostra transporte hidroviário até o porto,porque carretas? É necessario sim que as forças políticas,principalmente nossos Senadores e Deputados Federais consigam os investimentos federais necessários a estruturação do Pará, mais uma vez somos a solução para a logística do País sem a devida compensação ou reconhecimento.

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    1. O modal hidroviário do complexo Miritituba/Barcarena é a logística da Bunge, mas ao complexo se agrega transporte de grãos de outras áreas que levam o produto por carretas graneleiras e isso era presumível, mas nada foi providenciado pelo estado para receber o fluxo.

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    2. Mas eu tenho certeza de que Helder vai resolver tudo isso, né não?



      Jurandir

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  2. A inciativa privada não tem que esperar nada desse governo estadual de propagandas. Tem que investir na infraestrutura viária como faz em outros estados a e exmplo do Parana e goias.

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  3. Te preocupa, heródes de Tucuruí, que tu vai assessorar o filho do Capiroto que vai, pelo menos e o que consta ate agora nas pesquisas, governar o estado do Pará e ele ,apoiado pelos teus 150 Megatons de Q I, vão levar a cabo a constituição da plataforma logística multimodal do Pará.

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    1. Para fazer melhor que esse governo tucano basta ter um pouco de sabedoria, bom senso, maioria de apoio politico e uma boa articulação com a esfera federal.
      Me parece que está no DNA tucano a arrogância e prepotência, fatores que os levarão a inexorável derrota.

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    2. Para fazer melhor que esse governo tucano basta ter um pouco de sabedoria, bom senso, maioria de apoio politico e uma boa articulação com a esfera federal.
      Me parece que está no DNA tucano a arrogância e prepotência, fatores que os levarão a inexorável derrota.

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  4. "Destarte os bilhões da iniciativa privada, a inteligência paraense continua burra, sem transformar em desenvolvimento social os investimentos exógenos."
    É aqui que se mede a capacidade do homem público..pois a maioria sobe ao palanque e vende o projeto de bilhões como se fosse de sua autoria...é isso aí Parsifal!

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  5. O Pará vive reclamando que é almoxarifado do Brasil, com esse complexo intermodal de transporte e no futuro, quem não se sabe quando tiver efetivado a hidrovia do araguaia - tocantins vai dizer também que é o corredor do Brasil.
    Estamos esperando decádas e décadas alguém construir, desenhar o nosso futuro e vivemos dizendo que o resto da Federação não nos dá importância devida e etc. e nós paraenses o que estamos fazendo ?
    Temos efetivamente escolas técnicas, Universidades com cursos voltados para a mineração? quantos cursos técnicos e de 3º grau temos para aproveitar economicamente nossa flora? e agora com essa logística que está sendo construída, algum governo, classe empresarial ou universidade está desenhando algo sério, factível para o Pará do Futuro ? não tenho conhecimento.
    O que esperar de um Estado que com tanta terra fétil não consegue produzir a farinha, os legumes e muitas coisas que come?
    O que esperar de um Governo que gasta nos 4 primeiros de 2014 R$ 17 milhões em propaganda e na Secretaria de Agricultura R$ 13,7 milhões?

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  6. Meu caro anônimo das 18:20, realmente o estado do Pará tem que ter políticas publicas voltadas para estes setores da economia como por exemplo: agricultura, psicultura,etc...agora o que esperar de um gov. desgastado, onde só enveste em propaganda como jornal, rádio FM,escritórios(médicos e outros)até isso, é meu amigo enquanto Hospital de referencia como o LOYOLA recebe menos recursos do O LIBERAL que recebe uma fortuna do estado, mas outubro tá chegando, vamos lá meu Povo.

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  7. Uma coisa muito interessante é que esse desenvolvimento passa pela indústria naval, mas temos apenas um curso de engenharia naval em Belém, nenhum tecnológico e nenhum técnico. Trabalho em um estaleiro que fabrica barcaças graneleiras e todo tipo de embarcação pra essa via, mas sofremos com falta de mão-de-obra. Nesse caso, governos federal e estadual nada fazem pra criar tais cursos.

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