15/03/2014

Fazendo todos os gols

roma

Em conversa com um executivo da PricewaterhouseCoopers, que prestou assessoria ao Pará quando o estado disputava uma das sedes da Copa, ele afirmou que era uma missão impossível ganhar de Manaus, que detém hoje o maior apelo publicitário da “marca” Amazônia, no mundo.

Confidenciou ainda que a Copa de 2014 rende uma das imagens mais negativas que o Brasil já amargou no exterior: “não conseguimos entregar” e isso é interpretado como incapacidade de prover infraestrutura com a dinâmica de um mundo apressado.

Isso é fato: todas as matérias internacionais sobre a Copa têm sido negativas para o Brasil, o que me ratifica a conclusão de que investimentos em futebol, por ser um dos esportes de prática mais barata e popular, são ótimos para o Brasil, e que os investimentos na Copa, também são ótimos. Para a FIFA.

> Custos e preços

Entesa a constatação, uma matéria de Carolina Juliano, publicada no Portal UOL, em 10.03, onde a jornalista demonstra que a chance de um assalariado “conseguir um ingresso para a Copa é talvez menor do que a de ganhar na loteria.”.

Explica Carolina que das 3 milhões de entradas disponíveis, a maior parte está apartada para “influentes, famosos, ricos ou ainda serão rifadas em promoções de patrocinadores”, sobrando para efetiva compra dos mortais torcedores apenas 426.000 ingressos!

Ou seja, dos 201 milhões de brasileiros, apenas 426 mil podem ter a possibilidade de ver a Copa ao vivo, os 200,5 milhões restantes terão que torcer pela televisão e aí o erário não precisava ser tungado em R$ 30 bilhões, pois para ver na TV, não importa que a Copa seja no Brasil ou no Paquistão: a imagem é a mesma.

Mas, pelos valores dos ingressos, não creio que algum assalariado “comum” possa sentar na arquibancada:

valores

Esses são os preços oficiais e como não tem mais nem um, se você quiser ver um jogo, que não seja a Crimeia contra o Uzbequistão, multiplique o valor da categoria que deseja comprar por 100 e vá atrás de um cambista.

Mas para vocês não dizerem que eu não falei de flores, eu gostei do discurso do Joseph Blatter, no dia do sorteio dos grupos. Veja abaixo como o Blatter é cativante:

Shot001

Acho que essa gravata dele é da Hermès, não é Dunga?

14 comentários:

  1. Não são 200 milhões de brasileiros que vão disputar esses ingressos restantes. Muitas mulheres, e também existem homens, que não são aficcionados em futebol. Muitas crianças, de 5 anos ou menos, nem estão cogitadas a ir ao estádio. Além disso, há ingressos destinados a cotas sociais, a trabalhadores nos estádios. Além disso, o clima de concentrações na cidade dos jogos dos maiores jogos do mundo, dão um ar especial que vai além de assistir pela TV. Fora tudo isso, há sim alguns ganhos em mobilidade, turismo, infra-estrutura. Como tudo no Brasil, poderia ser melhor. Mas não é esse desastre que às vezes é pintado na mídia.

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    1. Não, não há um desastre: apenas um desperdício. O número total de brasileiro deve ser considerado para aquilatar o gasto.

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  2. Há ingressos a 60 reais.

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    1. Esses de 60 e 9 reais estão no saco de papai noel..mas como a copa é antes do natal...lá vão ficar...o interessante disso tudo é que a copa do mundo no brasil vai ser vista mesmo é pela TV..como tem sido desde 1970.Daí!...nos perguntamos quem ganha com isso? Hein? Como Romário é centroavante chutou de bico e golllllllllllllllllllll

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  3. Em qualquer país do planeta que sedie a copa, e em todos os países somados, é óbvio que a maioria irá assistir a Copa pela TV, até por uma questão física. Não há estádio com hum milhão de lugares. Nem poderia haver.

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    1. E por isso a FIFA que pagasse os investimentos para o certame, pois é ela que detém todos os direitos de transmissão. Copa é para ser feita em país que já está com toda a infraestrutura feita e o evento apenas usará essa estrutura, que a população já tem. Antes disso é irresponsabilidade fiscal.

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    2. nem tanto ao mar nem tanto ao sol. A copa no Brasil vai sim contribuir para a melhora de infraestrutura. Sem milagres. E nosso país não é tão pobre que não possa sediar o evento, nem tão rico que possa desperdiçar recursos. Mas o desperdício de recursos no Brasil não foi inventado pela FIFA.

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  4. Deputado, pergunte a sua amiga Ana Júlia qual o preço cobrado por Ricardo Teixeira para Belém ser uma das sedes, invés de Manaus ? Ela sabe, mas a Lúcia Penedo deve saber também. Ricardo, quem te conhece não te esquece.

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  5. A última coisa q o Dunga vai olhar é a gravata. A loura ele já viu, mas só viu....

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  6. A "marca" Amazônia? Tá certo...

    A única marca que eu vi até agora foi a do preconceito, deputado, preconceito nas falas dos técnicos cujas seleções irão jogar em Manaus, preconceito nas "matérias" dos jornais estrangeiros, e por aí vai.

    Para muita gente nesses países sequer humanos nós somos, que dirá humanos preparados para uma copa, né?

    Deputado, eu não vou alimentar a ilusão idiota de achar que com Belém seria diferente: Seria exatamente igual, o desprezo seria o mesmo.

    Concordo totalmente com o senhor, a Arena da Amazônia é, - lógico que sim - um desperdício monstruoso de dinheiro numa região carente, num país carente, mas essa história de "marca" tá rendendo bem menos do que se supunha.

    Espero estar enganado porque afinal de contas a copa já é fato concreto, e se as cidades-sedes não conseguirem extrair disso os benefícios econômicos que foram tão propalados o que já tá ruim vai ficar ainda pior, o prejuízo vai ser imenso.



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    1. A "marca" Amazônia existe independentemente de Copa e Manaus foi a cidade da Amazônia que conseguiu se apropriar dela para o turismo, dentre todas as capitais que estão na Região Amazônica brasileira, por isso pesou na escolha contra Belém.
      As más notícias sobre a Copa na imprensa estrangeira não são especificamente por preconceitos gentílicos, mas por ineficiência infraestrutural, onde se desnuda o nosso equívoco em sediar um evento para o qual não teríamos a capacidade de entregar o padrão exigido e a nossa completa imprevidência de saber que com isso estaríamos expostos ao mundo de forma negativa.

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    2. o que tecnicos e imprensa do mundo estão dizendo em relação a manaus e tambem falariam a respeito de belém é que é muito quenté, úmido e distante das outras sedes!! o que são apenas comprovações dos fatos mas como somos muito melindrados entendemos de forma diversa.
      Na copa de 1994 nos USA houve reclamação e até hoje a copa foi criticada pelo horario dos jogos que eram num calor escaldante como por exemplo a final que ocorreu ao meio dia em los angelos num calor maior que 40 graus.

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    3. Mas deputado, Manaus não é a única cidade-sede que apresenta esses problemas, aliás, todas as cidades-sedes são - em maior ou menor grau - problemáticas.

      E no entanto eu não vi (ou pelo menos não em quantidade tão grande) essas críticas tão mordazes contra as demais.
      Há um preconceito gentílico, sim!!!

      E Natal, o que fará com seu estádio? Natal não tem carências?
      E Cuiabá?

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    4. As críticas se referem a todo o Brasil e não somente a Manaus. Eu me referi a Manaus porque era com essa cidade que Belém disputava e teria, sim, os mesmos problemas, porque o problema não é de Manaus, de Belém, ou de qualquer outra sede e sim do Brasil.

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