15/01/2014

BRT: quando o importante é a obra e não a solução, não há salvação

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O BRT, concebido no Brasil na década de 70 pelo então prefeito de Curitiba Jaime Lerner, é uma, e não a única solução de transporte de massa. Enquanto Curitiba começa a abandonar a concepção, lobistas apuram-se a vende-la alhures, e ao fim das dores do parto a montanha pare um rato.

> Em Belém, nem rato

Em Belém nem um rato virá à luz, porque a montanha não chegou a engravidar: o percurso do BRT será um mero passeio pela Avenida Almirante Barroso, pois os trechos metropolitanos não serão objeto de complementação imediata. A obra surge isolada do contexto que a justificaria.

> Transparência zero

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A transparência da obra é zero. O contribuinte não sabe quanto está pagando para andar de ônibus biarticulado em tão curto trajeto. R$ 500 milhões? Menos? Mais? O que há de verdade na concepção da obra? Que alternativas teriam a menor custo e com eficácia imediata?

> Falácia do concreto

O prefeito de São Paulo simplesmente isolou uma faixa nos percursos, construiu as paradas e colocou os ônibus do BRT para rodar. Mas já tem lobista insistindo nas pistas de concreto porque é melhor. Para quem?

Alegar necessidade do concreto por conta do peso dos veículos não resiste à mecânica elementar: o mesmo peso já rola nas pistas, com as centenas de ônibus que circulam lotados. Alegar que, a longo prazo, o concreto é mais barato porque requer manutenção menor é desculpa para faturar alto. Se o asfalto não resistir é porque é de quinta categoria. Bastaria faze-lo na categoria em que foi pago: primeira.

O lobby da obra cara é tão pesado no Brasil que o prefeito do Rio de Janeiro, para reurbanizar o porto da cidade, gastou milhões para derrubar um elevado. Com a metade dos milhões gastos para por o viaduto a pique, poderia ser feito o que o prefeito de Nova York fez em finalidade similar: desativou um elevado de trens no centro das cidade e fez dele um enorme centro de lazer, com jardins, pista de corrida, praças, e uma maravilhosa vista lá de cima. Virou o High Line Park, que já é um dos mais visitados pontos turísticos da cidade.

> Lobbies de toda ordem

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Além do lobby das empreiteiras, há o dos financiadores As soluções caras são uma simbiose entre empreiteiras, financiadores e governos e isso gera uma dívida pública impagável quando a duplicata vence.

Os financiadores internacionais estão ávidos por emprestar à países em desenvolvimento. Primeiro porque nós vamos na conversa de que o dinheiro é barato e segundo porque as nossas soluções demandam muito dinheiro “barato”. Uma festa que só não é melhor porque não me convidaram.

Os países desenvolvidos querem resolver os problemas e não somente fazer obras tomando empréstimos, então o jeito é a banca emprestar dinheiro a quem não prioriza as soluções, mas as obras, como foi o caso da macrodrenagem de Belém: o dinheiro veio, os projetos foram desvirtuados, a obra foi “feita”, mas com 5 minutos de chuva os felizardos ficam com água no meio das canelas, os desditosos ficam com água no pescoço, os que sabem nadar ficam de bubuia e os que não sabem morrem afogados.

Abaixo, para ilustrar o banzeiro, a chuva de ontem:

17 comentários:

  1. Parsifal;

    O concreto do BRT está rachando em vários trechos, principalmente naquele em frente ao campo do Paysandu, onde as rachaduras são numerosas e atravessam a pista em todo o sentido transversal.

    Outra irresponsabilidade dos prefeitos que estão fazendo a obra são os gargalos de 3 para 2 pistas que eles fizeram. Quem inicia a Almirante pega 3 pistas, mas logo uns 300 metros adiante já reduz para 2. Pergunto: e os imprudentes... saberão respeitar civilizadamente a acomodação entre os carros para entrar no gargalo?

    A ciclovia virou uma pista de provas, com trechos binários, trechos de mão dupla muito estreitos, trechos que saem na diagonal para cruzar com pedestres, e... morre abruptamente no entroncamento, para sine die pensarem no assunto.

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    1. Então o concreto é também de quinta pago com preço de primeira.

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    2. A propósito, hoje mesmo a empreiteira já iniciou o serviço de quebra e remoção do concreto neste trecho. O que vem sendo uma constante no Pará: o governante paga para fazerem errado, depois paga para quebrarem, e mais adiante torna a pagar para fazerem direito.

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  2. Perfeito. Eu te confesso que o PT tem culpa na obra que diz respeito ao Canal do Tucunduba,tendo em vista que a mesma foi passada po Governo do Estado e a mesma patinou em licitação e etc. Hoje somos penalizados,pois o governador atual disse o seguinte sobre esta obra: o prefeito e novo,ainda tá vindo ai. segunda agora ele falou isso na TV nada Liberal.tamos mortos.

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  3. Francisco Márcio15/01/2014 10:49

    "Uma festa que só não é melhor porque não me convidaram"?!? Duas vezes prefeito, duas vezes Deputado, candidato a Deputado Federal. Há mais de 30 anos na política ( segundo suas palavras ), e não lhe convidaram? Convidaram quem então Excelência? Será que foi convidada Madre Teresa de Calcutá?

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    1. Com certeza a Madre Tereza também não. Tucanos não dividem o milho: querem o paiol todo só para eles.

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  4. Deputado, vale lembrar que no passado a Almirante Barroso foi toda construida em pavimento rígido, ou seja, em concreto armado com ferros na horizontal e vertical e verifica-se que o projeto do Duciomar, super dimensionou a faixa de tráfego do BRT, com concreto armado com uma espessura exagerada e densidade do concreto bem acima do necessário.
    Com certeza não foi feito um estudo preciso das camadas do pavimento existente nem tão pouco dimensionamento do tráfego.
    Concluindo:
    1- Projeto nas coxas
    2- Projeto pra reeleição ou seja sem nenhum critério técnico
    3- Projeto caríssimo
    4- Projeto duvidoso, sem estudo de tráfego, onde não sabemos se terá resultado positivo e tudo prevê que foi dinheiro jogado no lixo.

    OBS: Por onde anda o TCE, TCU, MP, CREA, OAB, SEMA, SEMMA,...

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  5. Continuamos atrasados em tudo. BRT hoje é tecnologia ultrapassada. Não é transporte de massas.Em São Luis, Fortaleza, Terezina, entre outras capitais próximas, já estão utilizando Transportes sobre Trilhos e ainda metrôs. Esta conversa de obras de BRT, só faz engordar os cofres de empreiteiras e políticos.

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  6. Essa obra do BRT é uma marco da História Paraense. Será alvo de teses de Mestrado e Doutorado no futuro.Aguardemos!

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    1. A obra é tão evidentemente banal e ineficaz que não serve para tese nem de como não se deve fazer um fluxo de massa.

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    2. Meu amigo que houve fluxo das massas, lá isso houve.

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    3. Meu amigo que houve fluxo das massas lá isso houve.

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  7. Esta obra do BRT com toda certeza se tornará tese de Mestrado e Doutorado. Aguardemos!

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  8. Nossos governantes são cabeças de bagre, só pensam neles, pois, sabem que nada pega. Que o diga o DUDU?

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  9. Francisco Márcio15/01/2014 15:09

    Pare de lamúrias. Ainda que com uma possibilidade remota, Vossa Excelência vai fazer parte dos convivas a partir de 2015. Ou como anfitrião ( possibilidade remota ) ou como convidado, afinal, o PMDB, nunca é oposição.
    Passadas as eleições, o PMDB volta aos braços do PSDB. Com o Dr. Parsifal e a trupe. Tenha paciência...

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    1. Eu já lhe disse que não sou preconceituoso. Vou em qualquer festa à qual me convidarem, bastando para isso que eu esteja com a devida disposição. Só sou chato: antes de ir à festa janto, pois não como qualquer prato e posso me dar ao luxo de ir embora no exato momento em que eu veja que o ambiente não mais me agrada e não preciso ficar esperando a comida porque tudo já fechou.
      Mas o bom mesmo é ir na festa dos amigos, porque somos recebidos na cozinha e temos a liberdade de interferir no tempero.

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  10. O Dudu iniciou o BRT apenas para, com o perdão da palavra, sacanear com a população de Belém. Ele sabia que não conseguiria terminar e fez para jogar o pepino nas costas do **** que o sucederia.

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