14/01/2014

O Brasil com refluxo

Os jovens paulistas e cariocas inventaram o “rolezinho”, que consiste em marcar encontros massivos, preferencialmente nos grandes centros de compras (eles precisam ser vistos), e lá darem os seus recados que têm como núcleo invadir a praia para fazer tipitinga.

Os shopping centers impetraram medidas cautelares na Justiça para impedir a avalanche de jovens nos recintos. A Justiça concedeu as ordens de interdição e a Polícia, despreparada para lidar com a criançada, parte para cima disposta a cumprir a ordem judicial nem que seja montada na onça: jovem, agora, para entrar em shopping tem que ter pinta de “gente bem”.

rolezinho

> Memória curta

Os governos paulista e carioca já se esqueceram que foi a repressão a ignição e o combustível do “Levante de Junho”?

> Não é caso de polícia

Esses jovens estão querendo o que com o “rolezinho”? Alguém sem um coturno e à paisana poderia chegar até eles para conversar? Por que o Brasil vira as costas para uma nação que pinta o sete para se fazer notar e, efetivamente, participar das decisões?

Nenhuma cabeça medianamente inteligente desconfiou que o “rolezinho” é uma forma desesperada de expressão de uma juventude que não tem maiores opções? Ou vamos continuar tratando as questões sociais como questões judiciais cujas soluções são entregues pela Polícia?

> Vai se espalhar

Se a República não sentar os glúteos e atinar que a abordagem para esse movimento não pode ser, a priori, a repressão, ele vai tomar força: já há 20 “rolezinhos” marcados para ocorrer até o mês de fevereiro, apenas em São Paulo, e a tendência é isso se replicar para outros estados.

Se a coisa só for na base do vai ou racha, que venham então os rolezinhos: é o Brasil sofrendo de refluxo, ora essa.

10 comentários:

  1. Discordo, doutor! Acho que esse rolezinho é só pra fazer arruaça! Não tem pq os estabelecimentos privados pagarem pelo fato do governo ignorar essas pessoas!!!

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    1. Eis a questão: estamos em uma relativa zona de conforto e achamos que é arruaça tudo que nos ameaça a bonança. É possível reprimir 1, 10, 100 e até mil. Mas quando isso chega na casa dos milhões é que fica claro o equívoco da abordagem inicial.
      Os estabelecimentos privados estão no Brasil e a nossa Constituição proíbe qualquer tipo de discriminação. Qualquer tribunal derruba uma liminar desse tipo, que permite, a priori, um policial ou segurança de um shopping, decidir quem vai entrar lá para comprar ou para dar um rolezinho, que na gíria da meninada e dar uma volta.
      O problema não é só do governo. O governo somos nós. É isso que essa criançada está tentando nos dizer na nossa zona de conforto, e não podemos queimar todo o trigo que plantamos por que há algumas espigas de joio no meio da plantação.

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    2. Entendi o que o Senhor, disse, Deputado! Mas acho que no momento, a unica medida possível para os estabelecimentos é essa! Tentar impedir através dessas liminares e acho que o judiciário acertou em concedê-las! Afinal, não tem como saber o que uma multidão de 6 mil pessoas faria! Você conhece mentalidade de multidão! É como a arvore dos frutos envenenados! Basta um fazer uma "cagada" que a zorra vai ser total! Vc mesmo é proprietário de lojas em shoppings! Imagina que 3 mil pessoas queiram entrar ao mesmo tempo numa delas!?

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    3. Seguro existe para isso: singularidades. O problema é que eles não chegam marchando em pelotões e uniformizados para a segurança saber quem é quem. A liminar concedida não resiste a um recurso no tribunal, pois é ilegal. A inteligência dos shopping, em ocasiões dessas, deve funcionar muito melhor que os cassetetes, pois qualquer jovem barrado pode acionar o estabelecimento e ganha uma ação por danos morais com certeza.

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  2. Para ouvir e refletir. Não estamos sabendo o que fazer. Nós!

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  3. Noticia divulgada na revista VEJA: JATENE RENUNCIA EM MARÇO
    Sera q eh verdade?

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    1. Nem mesmo ele sabe ainda o que fará.

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    2. Jatene tem plena consciência de que não ganha de Helder! Pra ganhar, teria que torrar uma fortuna e mesmo assim não teria garantias de vitória! Pra que torrar tanta grana? Melhor ficar com ela e sumir do mapa!

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  4. As lojas dos shoppings pagam condomínio como quem mora em edifício. Se eles são espaços públicos não há necessidade dos proprietários bancarem uma série de regras para o funcionamento dos mesmos. Que ninguém sabe como agir, eu também concordo, mas, se o estado não oferece segurança para todos que pagamos impostos etc. etc. e tal, esses estabelecimentos me pareciam mais seguros. Sou contra a discriminação mas, sou favorável a minha, a sua e a nossa segurança. Quem ganha com isso são as vendas online que não empregam praticamente ninguém. Simples assim.

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    1. O problema é que você, para a minha, para a sua, e para a desdita dos que estão na zona de conforto, é que não é "simples assim". Isso é igual gelatina: se não souber carregar cai da mão.
      Se fosse "simples assim", bastaria fazer como o quadro que ilustra a postagem: só entra no shopping com cadastro e carteirinha. Os centros de compras virariam club, mas não é possível fazer isso e se for que façam: eu e você, creio, temos condições de ser aceitos como sócios.

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