10/01/2014

Meia dúzia por doze

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Li na coluna “Repórter 70”, de “O Liberal” de ontem (9), que o governo do Estado “finaliza os termos de um empréstimo de US$ 150 milhões” com a Corporação Andina de Fomento. Prossegue a nota reportando que “deste total, US$ 90 milhões serão aplicados na expansão e integração do programa NavegaPará”.

> O elogio

É necessária a expansão e integração do NavegaPará, tecnologia através da qual o governo poderá responder, com expediência, às demandas orgânicas do Estado. A interconectividade é uma ferramenta moderna e eficaz de  administração pública.

> A crítica

O custo da obra, US$ 90 milhões, o equivalente a RS$ 216 milhões “na expansão e integração do programa NavegaPará”, é um incômodo absurdo para quem tem um mínimo conhecimento de tecnologias que interligariam o Pará inteiro com o que há de mais moderno no setor, com a metade desse valor: o governo pagará 12 no que conseguiria ter por meia dúzia.

> Hiperfaturamento

O Brasil pratica soluções absurdamente caras para questões que demandariam mais inteligência e menos moeda. O BRT é um exemplo disso, mas que tratarei oportunamente.

Precisamos nos livrar do hiperfaturamento (sem a conotação de corrupção) engendrado por Franklin Roosevelt para aquecer a indústria e o comércio estadunidense que sofria com a Grande Depressão de 1929, no que foi seguido por Hjalmar Schacht, na Alemanha, que penava o mesmo mal.

> Supersize

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Foi ali que dobraram o tamanho dos hambúrgueres (supersize) e inventaram a Coca-Cola de 1 litro: dobrar tamanho, dobrar consumo, para labutar contra a depressão. Dobraram, ao diminuir pela metade do tempo, o valor das obras públicas, para empregar mais pessoas.

O Brasil, pouco industrializado então, não sofreu as agruras da Grande Depressão, mas começou a imitar  Roosevelt e Schacht e nunca mais parou: os governos pagam preços absurdos por obras de péssima qualidade, que são feitas no dobro do tempo. É o nosso custo e o nosso gargalo.

> Lord Keynes

Aliás, muito mais produtivo do que perder tempo lendo Paulo Coelho (desculpem-me os admiradores do mago) seria ler “Teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, o clássico de Lord Keynes, onde ele passeia cientificamente pelas experiências dos EUA e da Alemanha na Grande Depressão.

Lord Keynes, com certeza, acharia um absurdo pagar R$ 216 milhões para conectar a administração pública paraense. Alguém aí vai ganhar mais do que deveria.

4 comentários:

  1. Olhar para superfaturamento sem conotação de corrupção é um pouco de ingenuidade, não?

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    1. Aos 55 anos de idade, já tendo visto o que vi, passado pelo que já passei e feito o que já fiz, a única desculpa que eu não posso ter é "um pouco de ingenuidade": não mais tenho esse privilégio.
      Eu não me referi à figura do superfaturamento que aumenta preços para pagar a corrupção. Eu trato, no parágrafo, do hiperfaturamento histórico, como medida de política econômica pratica pelos EUA e Alemanha na Grande Depressão de 29, para movimentar a economia. A medida tomou o novo de "supersize" é era exatamente o contrário do superfaturamento da corrupção: eram os bens vendidos que se hiperfaturavam, ou seja, 1 hambúrguer de 150 gramas virava 1 hambúrguer de 300 gramas praticamente pelo mesmo preço e isso gerava mais demanda na cadeia comercial.
      Esta figura comercial ainda persiste na forma de promoções. Compre 1 dúzia e leve 13. Pague 1 real a mais e leve o dobro etc.

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    2. Entendi! Concordo com o Senhor... Mas voltano ao assunto corrupção, o negocio ta ficando cada vez mais ridiculo! O povo, se se espertar, não vai deixar ter copa Deputado! O negocio ta ficando cada vez pior! Vc viu no Rio? Picharam mais uma vez o pobre Drummond... a prefeitura afirmou que teria que gastar 25 mil reais e seria um trabalho de 20 dias pra restaurar! Daí um senhor foi lá e em uma hora restaurou, de graça, usando um solvente sei lá de que... Os caras estão aloprando demais! Cada vez mais! Não tem limite a roubalheira! Que façam essa copa um palco de guerra!!!

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    3. O solvente é um simples Thiner, usado para dissolver tintas na industria automotiva. Eis o nosso problema: optamos sempre pela solução mais cara, pois nela pode ser embarcado o percentual da corrupção.

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