18/01/2014

Hiroo Onoda, o último samurai

Morreu ontem (17) em Tóquio, aos 91 anos, o tenente Hiroo Onoda, o último holdout, assim chamados pelas tropas norte-americanas os soldados japoneses que, após a tomada das Filipinas, na II Guerra Mundial, embrenharam-se na mata e resistiam à rendição.

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O superior de Onoda, major Yoshimi Taniguchi, ordenou-lhe: “Faça tudo para Lubang (uma ilha das Filipinas) não cair. Destrua o campo de pouso e o cais do porto. Se Lubang cair, refugie-se na selva e jamais se renda e nem cometa suicídio. Sobreviva. Pode levar três anos, pode levar cinco, mas o Exército Imperial voltará até você”.

Quando Lubang caiu, Onoda fez-se à selva com o seu comando, que foi perseguido e dizimando pelos EUA, sobrando apenas ele e mais três soldados.

> O Japão capitula

Quando o general MacArthur recebeu, em 02.09.1945, a bordo do USS Missouri, a rendição do Japão, cessando definitivamente a II Guerra Mundial, a notícia não chegou na selva filipina.

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Onoda e seus três soldados sobreviviam nas montanhas e tomavam, em assaltos noturnos ao Exército filipino, munição e mantimentos.

> Baixas

Em 1948 um soldado se rendeu. Em 1954, em um assalto a um posto do Exército filipino, outro foi morto. Em 1972, em operação similar, foi morto o penúltimo membro do comando.

Onoda restou sozinho nas montanhas e, depois de alguns anos, virou personagem peculiar da ilha de Lubang, cujos nativos, julgando-o louco, fingiam não perceber quando ele, sorrateiramente, furtava mantimentos. As autoridades locais também cansaram de tentar convence-lo do fim da guerra.

> A descoberta

Em 1960, o japonês Norio Suzuki, em viagem à Lubang, soube da história e rumou às montanhas. Ao ver um conterrâneo, Onoda aceitou conversar, mas relatou que só deporia armas quando o Exército Imperial determinasse. Os pais de Onoda, que o julgavam morto, foram à Lubang, mas ele achou que eles estavam sendo obrigados pelos EUA a fazê-lo capitular, e resistiu.

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Norio Suzuki procurou o Exército japonês, que a princípio não deu crédito à história. Suzuki não desistiu e 14 anos depois, em 1974 encontrou guarida: o governo determinou ao Exército que encontrasse meios de trazer Onoda para casa.

Para surpresa do Exército, o major Yoshimi Taniguchi ainda estava vivo e foi encarregado de levar até Onoda a ordem do Exército Imperial, que determinava, ao final, que o tenente Onoda depusesse armas.

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Foi a Ordem do Dia:

"1. De acordo com a ordem do Comando Militar nº A-2003, o Esquadrão Especial do Comando da Equipe está dispensado de todas as obrigações militares.
2. Unidades e indivíduos sob o comando do Esquadrão Especial devem cessar as atividades e operações militares imediatamente e submeter-se ao comando do oficial superior mais próximo. Se nenhum oficial puder ser encontrado, devem comunicar-se com as forças americanas ou Filipinas e seguir suas diretrizes.".

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E foi assim que, após 29 anos sobrevivendo nas montanhas de Lubang, o tenente Onoda depôs armas e retornou ao Japão.

> Fazendeiro no Brasil

Na década de 80, Onoda mudou-se para o Brasil, virou fazendeiro no Mato Grosso,  e publicou a autobiografia "No Surrender: My Thirty-Year War1", traduzida para mais de 12 idiomas.

Por volta de 2005 retornou ao Japão, onde administrava um acampamento para crianças nos arredores de Tóquio, onde faleceu ontem. Deixou filhos e netos em S. Paulo.

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Que a terra lhe seja leve.

1. "Sem rendição: a minha guerra de trinta anos".

Um comentário:

  1. Parece História de pescador, mais a obediência Nipônica ,faz a diferencia!!!
    Que reserve um lugar especial para esse ser, amém.

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