05/10/2013

32 tons de cinza

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No início da semana, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, declarou que o excessivo número de partidos no Brasil é "péssimo para a estabilidade do sistema político".

Prossegue Barbosa que “nenhum sistema político funciona bem com 10, 12, 15, muito menos com 30 partidos".

Pouco concordo com o ministro Barbosa, mas sobre o assunto ratifico cada palavra que lhe erigiu as frases

> Perdemos o senso

A siglas não são geradas por matizes de diversas ideologias, o que seria salutar à democracia, mas por retalhamento de poder entre grupos que, independentemente do grêmio, resumem-se a nada mais que um dos tons do cinza que todos são.

A facilidade com que se muda de sigla ratifica o cinza que permeia todas as tribos. Adite-se a pitada comercial que recompensa o investimento (a criação de um partido custa em torno de R$ 2 milhões, que são “devolvidos” em forma de fundo partidário), e está emoldurada a enorme crise política que vive a nossa púbere democracia.

> Ingovernável

O sábado raia, se não me traem as contas, com 32 partidos. Desses, 24 têm assento na Câmara Federal, onde um regimento interno despreparado para tamanha tonalidade de interesses, nem sempre republicanos, engasga à primeira obstrução que um só líder não queira regurgitar.

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A coalizão necessária para o Governo arrebanhar e pastorear é tão gelatinosa que se for aberta a precificação de tão formidável engenharia, a nação não teria envergadura de boca para suficiente pasmo.

> A República sequestrada

A República foi sequestrada por uma sandice tão desmesurada que os mensalões que se instalaram na Federação nada mais são do que soluços de um sistema político carcomido, que nós (políticos) insistimos em exaurir até a morte de ambos, o que ocorrer primeiro.

Não é o texto uma elegia e muito menos um réquiem, mas um alerta que já abaçanou de tanto eu escrever: o Brasil é um país espantosamente viável, mas os políticos, e os eleitores, precisam entender que o modo como estamos gerenciando a Federação faz da República um portentoso dínamo amarrado a uma embaúba seca.

2 comentários:

  1. Partido político no Brasil parece boca de fumo. Sempre tem um político ou viciado se deliciando com a droga que é a política, nas mãos dos traficantes, que sao os donos dos partidos, vez ou outra, o político ou viciado, cria a sua própria boca ou melhor seu próprio partido.

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  2. Jogada de mestre da Marina Silva ao se filiar ao PSb. Vamos ver se o PMDB com a Katia Abreu vai ter folego para as eleicoes de 2014.

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