17/08/2013

Um Egito em chamas

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A “Primavera Árabe” egípcia, culminada com a deposição da ditadura de Mubarak, após um breve hiato democrático, acabou por desembocar em uma recidiva ditatorial.

> Estado e religião

Equivocam-se os que debitam às dificuldades econômicas o fundamento exclusivo da insurgência contra o ex-presidente Mohammed Mursi, deposto por um golpe militar.

Peso específico fundamental na insurreição da turba foi Mursi ter intuído que poderia acender uma vela às ruas, que exigia o laicismo, e outra à Irmandade Muçulmana, que queria colocar versos do Corão na Carta Magna.

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A história ensina que a união Estado-Igreja é oxidante. Só há uma forma de governar com esse dueto: instaurando-se a ditadura, filha moderna do despotismo. Eu ainda não consegui encontrar exceção à regra.

> A moeda romana

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Jesus Cristo, antes dos tratados políticos e filosóficos que erigiram a separação da Igreja do Estado, ensinou que púlpitos não devem ser tomados por tribunas e vice-versa: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

Mas muitos ainda insistem em tentar cessar a dicotomia Crística no afã de transformar todas as tribunas em púlpitos, pois aí tudo será de Deus. O problema é que, nesse interim, os césares vestidos de deuses acabam levando a melhor.

> Tudo a seu tempo

Como Mursi insistiu, desde a sua posse, na mistura de água com óleo, o mesmo contingente que golpeou Mubarak, equivocadamente o apeou do poder.

O equívoco foi de tempo, pois “há tempo para tudo” e a democracia egípcia, ainda impúbere, não resistiu à um vermífugo similar ao que golpeou uma ditadura de 40 anos.

> Guerra civil

Exércitos não sabem lidar com manifestações civis, pois são treinados para matar qualquer coisa que se mova em sua direção.

Até ontem (16), 800 mortos e 4 mil feridos eram o débito das escaramuças entre a Junta Militar que comando o Egito e a Irmandade Muçulmana, que começou a armar os seus contingentes e infiltra-los nos partidários do presidente deposto.

Infelizmente, o que poderia ter sido um arejo de democracia na terra dos faraós, caminha para uma sanguinária guerra civil que, como na Síria, só cessará quando um dos lados da liça cair por fadiga de material.

4 comentários:

  1. O nobre Deputado erra ao achar que Jesus estava insinuando a separação entre Estado e Igreja. Se assim fosse, ele estaria negando a história do povo de Israel e a de seu próprio Pai, o próprio Deus. Deus nunca quis um rei para Israel, quando Saul assumiu o trono, foi por insistência do povo, pois para Deus, Ele era o Rei de Israel. Portanto, sempre houve a união de estado e religião na história Judaica. No caso citado, Jesus apenas quis demonstrar que devemos ser submissos as nossas autoridades, principalmente no que tanje o pagamento de impostos.

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    1. A sua interpretação, que é a vigente da corrente supremalista, que deseja um Estado teocrático, é conveniente, e foi usada por todos os déspotas da história, mesmo antes de Cristo: todos os estados totalitários baseavam a legitimidade dos seus impérios na sacralidade (o rei reinava pela vontade de Deus).
      Não comungo dessa corrente. Cristo é o Sábio dos sábios e jamais aconselharia uma unicidade que resulta em sangue, pois toda a Sua pregação se resume à paz e ao amor em toda a plenitude de ambos.
      Quando Ele demonstrou que César era um e Deus era Outro, quis prevenir rebeliões tributárias, mas o significado do ensinamento não se reduziu a pagamento de impostos, mas a separar duas condutas perante dois senhores.
      O Estado é uma imposição aos homens: você, queira ou não, concorde ou não, está sujeito às regras do Estado e não pode escolher submeter-se às leis ou não. César é uma imposição material.
      Deus não é uma imposição e sim uma conquista. Você pode escolher acreditar Nele ou não. E se você escolher crer é porque abriu o seu coração à Ele. O Evangelho não é imposto a ninguém. Ele é apenas pregado e quem tem ouvidos ouve. A fé enche o seu coração por amor Divino.
      Imposição é fé jamais poderão caminhar juntos, pois são duas coisas antagônicas. Você pode fechar o seu coração a Jesus e Jesus vai continuar de coração aberto para você, mas você não pode deixar de pagar os seus impostos a César, pois está obrigado a fazê-lo e se não fizer será sancionado por isso.
      Portanto, era isso que Cristo queria significar: obedeça à César (submeta-se as leis) e ame a Deus, mas você não poderá ter o perdão dos seus impostos na Igreja, assim como não poderá pagar os seus impostos com orações.
      A solução do despotismo foi a separação do Estado da Igreja. o Estado de Israel é um estado laico. Roma (Itália), onde se instalou o cristianismo, é um estado laico, a Alemanha, berço de Lutero, é um estado laico. Isso não significa que os povos que habitam esses estados não creem em Deus. O Estado é que deve ser laico. O coração dos homens é um campo aberto para a fé.

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    2. 22:59;

      Jesus mandou que Pedro lançasse o anzol ao mar, e do primeiro peixinho que apanhasse retirasse de dentro da goela uma moeda (um estáter)com a qual seria suficiente pagar o imposto Dele e de Pedro - sem descontos, ou seja: na condição de estrangeiros! Uau! Esse Jesus é demais! Radicalmente contra qualquer tipo de aproximação com governos. Estou com Ele e não abro!

      Outra coisa amigo: os judeus são uma nação até hoje, daí pedirem dízimos, para manutenção daquele governo (reino naquela época). Jesus ao contrário, manda dar dinheiro aos pobres e não para pastor ou padre. Esse Jesus é demais! Radicalmente contra qualquer tipo de exploração da fé e da vulnerabilidade alheia. Estou com Ele e não abro!

      Antigo Testamento é histórico indispensável; porém Cristo é O Novo, O Atual e Eterno Testamento.

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